Medo da Verdade | Sexto Capítulo

Medo da Verdade

EXT. QUINTAL DA CASA DE MÁRCIO – NOITE

ESTELA carregava MÁRCIO com dificuldade para o carro, ela o acomodou no banco de trás do carro e correu para o lado do motorista. ESTELA deu a partida e, quando já estava entrando na BR, olhou para trás, viu MÁRCIO desmaiado e começou a chorar.

ESTELA:
Você vai ficar bem, MÁRCIO, eu sei que vai.

INT. RECEPÇÃO DO HOSPITAL SANTA MARIA – DIA

O sol era apenas um fina linha ao horizonte quando ESTELA entrara na recepção de um hospital numa cidadela acriana. Ela fora para um balcão onde havia uma senhora de meia-idade sonolenta.

ESTELA:
Ei, senhora.
RECEPCIONISTA (DESPERTANDO):
Olá.
ESTELA:
Tem um homem ferido no meu carro, ele precisa de acompanhamento médico.
RECEPCIONISTA:
O primeiro clínico geral chega às 10h da manhã, é por ordem de espera e suponho que sejas a primeira.
ESTELA:
Quanto você quer para ligar para esse maldito médico e mandá-lo vir aqui, dizendo que é uma emergencia?
RECEPCIONISTA:
Eu não vou ser comprada.

ESTELA abre a bolsa, pega uma pistola e aponta para a recepcionista.

ESTELA (COM A ARMA APONTADA):
E um tiro no meio da testa, você quer?
RECEPCIONISTA:
Pode abaixar a sua arma, já estou ligando.

Ela digitou o número do telefone do médico, esperou um pouco e depois começou a falar coisas como: “Venha aqui, é urgente” e “Não, tem que ser agora”. E depois desligou.

RECEPCIONISTA:
Pronto, ele já está a caminho.

CORTA PARA:

INT. RECEPÇÃO DO HOSPITAL SANTA MARIA – DIA

ESTELA sentou um pouco e tomou uma água enquanto o médico não chegava e quando um enfermeiro que também fora chamado apareceu ela correu com ele para o carro, pretendendo levar MÁRCIO para uma das macas. Logo em seguida foi o DR. JUAREZ quem apareceu. ESTELA correu de encontro a ele.

ESTELA (DESESPERADA):
DOUTOR, por favor me ajude, é o meu irmão,e ele está ferido e eu não sei o que foi.
MÁRCIO:
Calma, minha senhora, eu vou examinar o seu irmão e farei de tudo para que ele fique bem o mais rápido possível.

ESTELA assentiu e o MÉDICO, juntamente ao ENFERMEIRO levaram MÁRCIO por um imenso corredor enquanto ESTELA esperava sentada. Passou-se um tempo desde que DR. JUAREZ saíra e, após o que pareceu uma eternidade ele mandou chamar ESTELA.

INT. SALA DO DR. JUAREZ – DIA

Quando ESTELA entrou na sala, ela encontrou o médico sentado na sua mesa lendo uns exames. Ela se acomodou em uma cadeira e esperou até que ele falasse algo.

DR. JUAREZ:
Bom, senhora, nós conseguimos controlar o quadro do Sr. Márcio, mas ele não pode sofrer nenhum tipo de emoção muito forte, como decepções, preocupações, relações sexuais…
ESTELA:
O que o acometeu?
DR. JUAREZ:
Ah, você não sabe? Ele foi picado por uma cobra, por sorte nós tínhamos um pequeno estoque de soro antiofídico e ele parece estar melhorando.
ESTELA:
Graças a Deus.
DR. JUAREZ:
Eu vou precisar que ele fique em observação até o inicio da noite, depois disso ele já estará liberado.
ESTELA:
Obrigada, doutor.
DR. JUAREZ:
Há ainda alguma coisa que eu possa responder?
ESTELA:
Na verdade… sim. Quando poderei visitá-lo?
DR. JUAREZ:
Agora, se desejar, antes que os sedativos façam efeito e ele durma até a hora de partir.
ESTELA:
O senhor poderia me levar até onde ele está?
DR. JUAREZ:
Claro, venha comigo.

ESTELA seguiu o médico até uma sala onde MÁRCIO estava internado numa cama.

INT. HOSPITAL SANTA MARIA/INTERNADOS – DIA

ESTELA se aproximou de MÁRCIO e afagou-lhe o rosto suavemente até ele despertar.

MÁRCIO:
ESTELA?
ESTELA:
Ei, eu estou bem aqui.
MÁRCIO:
Ainda bem que você estava lá do meu lado. Não sei o que teria sido de mim.
DR. JUAREZ:
Nisso eu vou ter que concordar, se tivesse demorado mais um pouquinho o veneno teria chegado ao coração.
MÁRCIO:
Veneno? Que veneno?
DR. JUAREZ:
O DA COBRA QUE TE PICOU!
MÁRCIO:
Veneno de cobra…

Uma recordação veio à cabeça de MÁRCIO e ele olhou para ESTELA enquanto lembrava.

MÁRCIO:
Aí, pega tudo que for de arma, pistola, faca e joga aqui no chão, pra mim enterrar tudo ainda hoje.
ESTELA:
Eu não uso armas, tenho pouco manejo pra isso, meu forte é o uso dos venenos.

“Uso dos venenos” ela dissera…

MÁRCIO:
Doutor, será que você poderia nos deixar a sós por um tempo?
DR. JUAREZ:
Sim, claro.

Ele saiu da sala e MÁRCIO enrijeceu o maxilar para falar com ESTELA.

MÁRCIO:
Como você ainda teve coragem? Eu te
salvei daquela pantera.
ESTELA:
Coragem para quê?
MÁRCIO:
Pra tentar me matar, sua vagabunda assassina.
ESTELA:
Eu não tentei fazer nada, MÁRCIO.
MÁRCIO:
Quer saber? Some logo daqui, some da minha vida.
ESTELA:
Não me pede isso.
MÁRCIO (GRITANDO):
ASSASSINA! SOCORRO! ASSASSINA!

ESTELA ficou sem reação e depois se viu correndo pelo corredor do hospital aos prantos em direção ao carro. Ela entrou no automóvel e começou a limpar as lágrimas enquanto dirigia de volta à São Paulo.

CORTA PARA:


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