Medo da Verdade | Sétimo Capítulo

Medo da Verdade

INT. CASA DE ESTELA/QUARTO – DIA

Já se passaram quatro dias desde que chegara à São Paulo, e ESTELA continuava enfurnada no quarto. Quando saia era para comer algo na cozinha, mas vomitava tudo. Ela chorara o suficiente para encher o reservatório da sua casa. Mas naquele dia o telefone tocara. Arrastando-se, ESTELA forçara-se a atender.

ESTELA (GROGUE):
Alô?
ROMANO (V.O):
ESTELA, que bom que atendeu. Está tudo bem?
ESTELA:
Sim, quer dizer, mais ou menos.
ROMANO (V.O):
Será que estaria bem o suficiente para um jantar esta noite?
ESTELA:
Romano, não precisa, eu posso preparar um relatório da missão e te mandar amanhã de manhã.
ROMANO (V.O):
Eu não quero falar sobre a missão, sei que você fez o seu trabalho bem feito. Só gostaria da sua companhia em um jantar.
ESTELA:
Seu desejo é uma ordem.
ROMANO (V.O):
Te pego às oito na sua casa?
ESTELA:
Como queira.

ESTELA instantaneamente olhara para o relógio, eram dezesseis horas, o que significava que ela tinha quatro horas para dar um jeito na casa e em si antes que o Romano chegasse. Ela arregaçou as mangas e foi ao trabalho. Ela limpara a cozinha, aspirara o pó da sala, arrumara a cama no quarto, não desfizera a mala e fora para o banheiro. Ensaboou-se até a pela ficar em carne viva, lavou os cabelos com uma hidratação, colocara um lindo vestido vermelho que lhe cobria até o joelho, passara um pouco de pó no rosto e batom na boca e as sandálias de salto alto complementaram o visual. Pontualmente, às vinte horas a campainha tocou.

CORTA PARA:


INT. CASA DE ESTELA/SALA – NOITE

ESTELA abrira a porta e se deparara com um Romano vestido a rigor, com um terno perfeitamente costurado, sapatos italianos e um buquet de rosas vermelhas às mãos.

ROMANO (ERGUENDO O RAMALHETE):
ESTELA, está linda assim como essas rosas que agora são suas.
ESTELA:
Não precisava, Romano.
ROMANO:
Me chame de ALEXANDRE, por favor.
ESTELA:
Por que não entra enquanto eu coloco essas rosas num vaso, ALEXANDRE.
ROMANO:
Como queira.

Ele entrara e sentara-se no sofá.

ESTELA:
Quer beber alguma coisa?
ROMANO:
Que tal se deixássemos essa parte para o fim da noite? O metre deve estar aguardando no meu iate.
ESTELA:
Onde é que nós vamos jantar?
ROMANO:
No meu iate. Me acompanha?

Ela se aproximou e o deu o braço para guiá-la.

CORTA PARA:

INT. IATE DE ROMANO – NOITE

ROMANO ajudara ESTELA a subir no barco e, antes de ir para a mesa, eles se acomodaram na popa.

ESTELA:
A lua está linda hoje.
ROMANO:
Assim como os seus olhos.

ROMANO se aproximou de ESTELA pelas costas dela e a abraçou.

ESTELA:
Alexandre, assim eu fico sem graça.
ROMANO:
Eu só queria dançar com você.
ESTELA:
Dançar que música?
ROMANO:
Não seja por isso.

ALEXANDRE bateu uma palma na outra uma orquestra composta por sete músicos surgiu sabe-se lá de onde e começou a tocar uma música romântica.

ESTELA:
Você é uma figura.

Eles começaram a dançar com os rostos colados, a música era lenta, as estrelas e a lua serviam de paisagem para aquele momento. De repente o toque da música começou a ficar mais baixo e ROMANO se afastou de ESTELA.

ESTELA:
O que houve?

ALEXANDRE apenas pigarreou um pouco, se ajoelhou e tirou um pequeno embrulho do bolso.

ESTELA:
Por favor, ALEXANDRE, não faça isso.
ROMANO:
ESTELA, eu sei que até meia hora atrás nossa relação era inteiramente profissional, todavia eu não consigo achar outra pessoa que possa me compreender tão bem como você então eu vou te fazer aquela pergunta que toda mulher deseja ouvir ao menos uma vez na vida: quer casar comigo?
ESTELA:
Sim, sim, sim!

Ela não sabia o por quê e nem de onde tirara forças para falar aquilo, mas o fez e agora isso era tudo.

2 ANOS DEPOIS

INT. ESCRITÓRIO DE ROMANO – DIA

Batidas emanavam da porta do escritório, ROMANO permitira a entrada e quem irrompera não era a ESTELA de 1960 e sim uma nova mulher, não pelo fato das madeixas estarem mais curtas ou estar usando uma aliança com uma pedra de esmeralda na mão esquerda, mas por ser realmente outra. Agora era ESTELA ROMANO.

ROMANO:
Meu amor, que surpresa vê-la aqui.
ESTELA:
Eu não teria vindo se não fosse realmente importante.
ROMANO:
Posso saber o que é?
ESTELA:
Sim.
ROMANO:
Pode me contar.
ESTELA:
Eu sei que o que vou pedir não vai ser fácil, mas é preciso. Assim que nos casamos eu abandonei minha profissão para cuidar da casa e, mais tarde, de nossos filhos, e agora acho que é a sua vez.
ROMANO:
Por que eu pararia de trabalhar? Por acaso não estou te dando atenção suficiente?
ESTELA:
Isso nunca, eu só quero me sentir segura e sentir que nosso filho estará seguro.
ROMANO:
Nosso filho?
ESTELA:
Eu estou grávida, ALEXANDRE.
ROMANO:
Mas, de qualquer forma, eu não posso deixar de trabalhar. Temos que nos sustentar.
ESTELA:
Querido, se seu dinheiro não fosse ilegal seria, de longe, o mais rico desse país. Temos dinheiro para viver numa ótima casa, ter um ótimo carro, fazer viagens internacionais e dar a melhor educação para este e os outros filhos que virão.
ROMANO:
Eu sei, porém…
ESTELA:
É pela segurança da sua família, este ramo é muito perigoso, querido.
ROMANO:
O que é que você não me pede chorando que eu não faço sorrindo?
ESTELA:
É por isso que eu te amo.

ESTELA levantou e foi para o lado dele, ROMANO pode afagar a sua barriga e sentir a presença de seu primeiro filho.

CORTA PARA:


Obrigado pelo comentário! Volte sempre! =)

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s