Medo da Verdade | Capítulo 12 [ÚLTIMO CAPÍTULO]

Medo da Verdade

EXT. PRAIA DE COPACABANA – NOITE

MÁRCIO caminhava em direção ao mar, em dado ponto ele caiu de joelhos na areia. ESTELA se aproximou dele.

ESTELA:
MÁRCIO, meu amor, eu te perdôo!

Ele não falou nada. ESTELA pôs a mão em seu ombro, mas ele sequer reagira.

ESTELA (DESESPERADA):
MÁRCIO? MÁRCIO? Fala comigo!

Quando ela viu que algo muito estranho acontecia com ele, gritou por socorro.

ESTELA (GRITANDO):
SOCORRO! MÁRCIO, fala comigo!

Ninguém aparece para ajudá-la e ela, com uma força retirada de todo o seu ser conseguiu erguer o corpo dele e arrastado até o táxi dela que ficara engarrafado no trânsito. Ela entrara e colocara o corpo de MÁRCIO de mal jeito no banco de trás.

ESTELA (AO MOTORISTA):
Por favor, me ajude, acomode-o aqui.
MOTORISTA:
É pra já.

Ele deixou o carro em ponto morto e saiu para ajeitar o corpo de MÁRCIO. Depois voltou e viu ESTELA já sentada no banco da frente.

MOTORISTA:
Para onde vamos?
ESTELA:
Vamos ao hospital.

ESTELA olhou para trás e não viu um MÁRCIO de 85 anos deitado e sim um MÁRCIO de quarenta, atacado por um veneno de cobra no banco traseiro do seu carro.

CORTA PARA:

INT. HOSPITAL BOM JESUS/RECEPÇÃO – NOITE

ESTELA descera sozinha do táxi, fora atrás de um enfermeiro que viera que com um maca e colocara MÁRCIO nela.

ENFERMEIRO:
Senhora, a frequência respiratória dele não está boa, ele era fumante ativo?
ESTELA:
Eu não sei dizer, nós… nós acabamos de nos conhecer!
ENFERMEIRO:
E não tem nenhum parente por perto?
ESTELA:
Tem sim, mas eu não tenho telefone.
ENFERMEIRO:
Tome o meu.

Ele pegou um celular do bolso e entregou a ESTELA.

ENFERMEIRO:
Eu vou colocar a máscara de oxigênio nele enquanto a senhora preenche a ficha. Qualquer coisa fale com a recepcionista, meu nome é Júnior.
ESTELA:
Está bem.

JÚNIOR saiu e ESTELA ligou para NICOLAS.

ESTELA (AO TELEFONE):
Nicolas, sou eu ESTELA.
NICOLAS (V.O):
Mãe, onde a senhora está, HELENA tá feito uma doida atrás da senhora.
ESTELA (AO TELEFONE):
Eu estou no hospital.
NICOLAS (V.O):
Hospital?! O que houve com a senhora?
ESTELA (AO TELEFONE):
Não foi comigo, foi com o MÁRCIO, pai do Theodoro.
NICOLAS (V.O):
E você estavam juntos?
ESTELA (AO TELEFONE):
Eu não posso demorar muito, chame o Theodoro e venham aqui agora. Senão é capaz dele morrer!

CORTA PARA:

INT. HOSPITAL BOM JESUS/RECEPÇÃO – NOITE

NICOLAS e THEODORO chegam à recepção e veem ESTELA sentada, aguardando por eles.

NICOLAS:
Mãe.
ESTELA:
Ah, Nicolas, ainda bem que você chegou. Theodoro, eu preciso que você vá preencher a ficha do seu pai urgente para o atendimento ser efetivado.
THEODORO:
Ok, mas onde ele está?
ESTELA:
Está com um enfermeiro na emergência, esperando a liberação.
THEODORO:
Está bem.

THEODORO sai. NICOLAS olha para ESTELA como se falasse com os olhos.

ESTELA:
Deixe me adivinhar, você quer saber como eu vim parar aqui?
NICOLAS:
Isso mesmo.
ESTELA:
É uma história longa, por isso vou resumir ao máximo. Antes de eu me casar com seu pai, eu e o MÁRCIO tivemos um romance e eu não poderia imaginar que 50 anos depois o reencontraria.
NICOLAS:
Quais são as chances de isso acontecer? Uma em um milhão!
ESTELA:
Exatamente e, se isto aconteceu comigo, eu não vou deixar a chance passar.
NICOLAS:
Então a senhora e ele vão… namorar de novo?
ESTELA:
Penso que sim.
NICOLAS:
Mas mãe, olha a idade da senhora…
ESTELA:
Naquela casa de repouso é que eu não fico!
NICOLAS:
Não é melhor pensar mais… vocês mudaram muito ao longo dos anos.
ESTELA:
Meus sentimentos por ele continuam os mesmo.
NICOLAS:
Já que a senhora não vai tirar essa ideia da cabeça, é melhor eu apoiá-la.

THEODORO volta.

ESTELA:
Então?
THEODORO:
Já preenchi tudo, mas visitas só amanhã.
ESTELA:
Mas eles não têm nem ideia do que seja?
THEODORO:
Na melhor das hipóteses, uma crise asmática, na pior seria um ataque tísico.

CORTA PARA:

INT. HOSPITAL BOM JESUS/SANTUÁRIOS – NOITE

ESTELA entra no Santuário e se ajoelha em frente à imagem de nossa senhora.

ESTELA (PENSAMENTO):
Nossa Senhora, sei que nunca fui a pessoa mais crente em Deus e em ti no mundo, mas eu sei que a vós sabeis que nunca duvidei de vossa existência. Eu pequei muito na minha vida, e o Marcio também, no entanto eu imploro que não deixe que Marcio parta, nem que tenha que tocar minha vida sem a dele.”Javé, meu coração não é ambicioso, nem meus olhos altaneiros. Não ando atrás de grandezas, nem de maravilhas que me ultrapassam. Não! Eu fiz calar e repousar meus desejos, como criança desmamada no colo da mãe. Israel coloque a esperança em Javé, desde agora e para sempre. (Salmo 131)

CORTA PARA:

O dia amanhecia no Rio de Janeiro. No Hospital Bom Jesus, ESTELA, NICOLAS e THEODORO dormiam encostados nas cadeiras a espera das primeiras notícias.

INT. HOSPITAL BOM JESUS/RECEPÇÃO – DIA

ESTELA desperta lentamente, à medida que vai obtendo o focos das coisas percebe NICOLAS chegando com uma bandeja cheia de comidas para café da manhã e THEODORO conversando com um MÉDICO.

ESTELA:
NICK, o que o MÉDICO está falando ao THEODORO?
NICOLAS:
Que o MÁRCIO já tá bem, THEO acabou de vê-lo e parece mais disposto. Parece que foi só a crise asmáticas.
ESTELA:
Graças a Deus.
NICOLAS:
Sim, graças a ele. Mas agora que já sabemos que o MÁRCIO está bem, é hora de pensar na senhora. Está aqui uma bandeja de café da manhã para a senhora.
ESTELA:
Mas eu não quero.
NICOLAS:
Ontem eu bem vi que a senhora não comeu nada.

THEODORO se aproxima deles.

THEODORO:
Dona ESTELA, se quiser já pode ir ver o meu pai.
ESTELA:
Depois eu como, NICK.
NICOLAS:
Não senhora, coma e depois vá.

ESTELA toma o café e come um pouco de pão com geléia.

ESTELA:
Pronto, agora vou vê-lo.

CORTA PARA:

INT. HOSPITAL BOM JESUS/QUARTO DE MÁRCIO – DIA

ESTELA abre a porta com cuidado e entra no cômodo. MÁRCIO desperta assim que ela chega.

MÁRCIO:
ESTELA, é você?
ESTELA:
Sou eu sim, meu amor.
MÁRCIO:
Eu já estava convencido que nunca te ouvira me chamar assim.
ESTELA:
Você me deu um susto tão grande.
MÁRCIO:
O que importa é que eu já estou bem, não é mesmo?
ESTELA:
O importante é que já podemos ficar juntos, sem nenhum impecílio.
MÁRCIO:
É isso é o que importa.

ESTELA inclina o corpo de dá um beijo na testa de MÁRCIO.

8 MESES DEPOIS

INT. MANSÃO DE ESTELA E MÁRCIO – NOITE

ESTELA e MÁRCIO estavam dando um baile naquele dia para comemorar a compra da mansão dos dois, uma vez que não iriam se casar. Os amigos e os amigos de amigos estavam todos lá, além da família.
ESTELA e MÁRCIO desceram as escadas, cada qual em uma delas e quando ambos chegaram no piso deram as mãos e fizeram as honras.

ESTELA:
Sejam bem-vindos, meus amigos, à nossa casa.
MÁRCIO:
Esperamos realmente que vocês aproveitem esta festa que resolvemos dar para comemorar a felicidade em nossas vidas!
ESTELA:
E eu quero ainda propor um brinde. Um brinde ao perdão e aos finais felizes.

ESTELA, MÁRCIO, HELENA, NICOLAS, THEODORO, RENATO, MARCOS e todos na festa erguem suas taças com champanhe para fazer o
brinde.

TODOS:
Um brinde!

FADE OUT


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