Clube do Medo | Sangue Fresco (Parte 2)

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PRIMEIRA PARTE AQUI

6 

Mesmo que Tom permanecesse a madrugada inteira a pensar. Ali, por boa vontade, estava Joana, arrumando os pertences de ambos. Sairiam para morrer, ou melhor, para uma aventura que, provavelmente, seria a última.

Depois de tudo pronto, dormiram um pouco, mas bem pouco, somente três horas, levantaram agitados, colocaram as bagagens no carro, e saíram. Deixando a mansão Collin. Para sempre.

Foram Interestadual. Mais tarde passaram pelo Novo México. E até que pegaram uma estrada vazia.

-Oh Oh meu Deus, Tom!

-O Que foi Joana, o que foi?

-Você não viu?

-Viu o que?

Um gato preto espetado na placa 666. Era o começo do terror. Joana estava assustada, eufórica  Que ser humano faria aquilo? Quem colocaria um gato morto, e espetado em uma placa?

-Chegamos.

E Joana se impressionou com o que o marido falou.

-Como assim?

-Estamos a poucos minutos de Glent Hill

-Como pode ter tanta certeza.

-Só Glent Hill tem esse costume de fazer tamanhas barbaridades.

-Deus do Céu!

Depois daquele susto, prosseguiram a viagem.

7 

O sol queimava.

Tom acelerava. Queria chegar logo, para voltar logo. Mas, pelo retrovisor, avistou um carro. Um carro que se aproximava rapidamente.

-Que estranho – Arfou Joana.

-Muito.

O carro diminuiu a velocidade. Sumiu. E Tom continuou, pisou no acelerador. Alguns minutos depois, o carro volta a aparecer pelo retrovisor, e desta vez estava os perseguindo. Tom gelou. O carro deu sinal para Tom estacionar. Mas antes olhou fixamente o veículo.

Era a policia.

-Droga.

-O quê?

-É a policia.

Tom estacionou. E um homem enorme, e assustador saiu do carro. O enorme chapeu chamava a atenção, mas a P220 pendurada na bainha superava o adereço. O policial andava fazendo pose.

Grande coisa, ser policial.

-Boa Tarde…?

-Tom – hesitou – Collin. Tom Collin

-Sr. Collin.

O homem enorme se apoiou na janela. A voz era grave e atormetandora.

-Identidade por favor.

-Algum problema, Senhor Policial?

-Por hora? Não.

Tom entregou a identidade. Joana olhava as perebas no rosto do homem.

-Tom Edward Collin, 38 anos, de Glent Hill – surpreendeu o Homem.

-Estamos indo a passeio para Glent Hill, senhor – trepidou Joana.

O homem, olhou para Joana, mas a ignorou, e voltou o seu olhar para o registro geral de Tom.

-Hum… Doador de Orgãos? – arfou o policial.

Joana e Tom se entreolharam, e observaram o Homem rir.

-Algum Problemma?

-Doador de Orgãos? – trepidou o Homem.

-Sim, porque?

-Isso soa engraçado, não?

deu outro berro. Tom ficou á Deriva.

Depois que se cansou, entregou a identidade e parou de rir rapidamente, mas também disse emendadndo as palavras.

-Abra o bagajeiro.

Tom obedeceu. O que poderia ter acontecido? E o que poderia acontecer? Bem, aquele homem poderia ser um impostor, poderia, ali matar Tom, e depois ir até o carro estuprar e matar Joana, e depois jogar os corpos no deserto para os urubus comerem.

Mas não.

Não houve isso.

Tom abriu o bagajeiro, o policial revistou, revistou e não encontrou nada ilegal.

-Acho que lhe devo pedidos de desculpas, meu caro.

-Por nada.

– É porque Glent Hill está muito abalada com algumas coisas que vêm acontecendo, entende?

-O que vem acontecendo? – perguntou Tom curioso.

Não estava com tanto medo agora.

– Ah… pessoas estão sumindo sem dar explicações, entende?

– Mas o que há em você ter que parar todos para olhar o bagajeiro?

– É porque na semana passada encontramos um homem, nesta mesma estrada, no mesmo lugar, enterrando alguns corpos de vítimas desaparecidas, entende?

Tom ficou pensativo.

Volte Tom, Volte para casa! Entende?

Tom entrou rapidamente no carro. E viu o homem cantarolando.

Doador de Orgãos, ha ha ha, isso soa engraçado!

Pisou fundo.

O pneu queimou.

8 

-Chegamos – disse Tom.

-Até que enfim!

Estacionou o carro em uma vaga em frente a uma lanchonete decaída. A cidade estava deserta, havia lixo em todos os lugares, além dos comércios abandonados. Parecia que tinha passado um furacão e devastado toda a civilização.

-Cadê todo mundo? – Perguntou Joana.

-Isso é estranho, muito estranho. Glent Hill, é conhecida por seus habitantes, mas cadê eles?

Sem rodeios, entraram na lanchonete. Estavam famintos.

O Grande problema da terra não é a corupção humana ou a degradação social. É o cheiro.

Tom e Joana se acomodaram na mesa da lanchonete, uma espelunca a beira de uma cidade praticamente abanonada, com paredes enegrecidas pela poluição dos caminhões que algum dia ali ficaram, e janelas embaçadas com a gordura das frigideiras. O chão estava coberto de marcas de óleo, escorregava a cada passo. No ar o odor de urina que escapava intermitentemente do banheiro sem portas. Sobre o balcão, salgados eram expostos em uma estufa gelada, atraindo insetos ao banquete da tarde.

-Que fedor.

Joana levou as mãos a boca e ao nariz, impedindo-os de inalar aquele cheiro.

Atrás da bancada, uma velha senhora, com um gorro na cabeça, e um uniforme velho; apareceu. Olhou os visitantes, e deu um sorriso com aqueles dentes amarelados e podres.

-Pois não?

A velha tirou do bolso uma caderneta e um lapiz ponteagudo.

-Voceê tem… sanduiches? – perguntou Joana.

-É claro! – disse a velha, contende em ver algum cliente.

-Me dê dois, por favor.

A velha anotou, tudinho.

-Há! poderia queimar os bacons?

Cogitou Joana. E a velha respondeu.

-Tudo bem, aqui em Glent Hill todos queimam, do pó ao pò, das cinzas as cinzas – e a velha os deixou a mercê.

Tom e Joana se entreolharam assustados.

Que velha louca!

Quando o lanche chegou, temeram que alguma coisa haveria ali, algum bicho, inseto, ou até mesmo… deixá pra lá.

-Como é que voce consegue comer isso? – Perguntou Joana a Tom.

-A gente se acostuma – e Tom abocanhou o sanduiche.

Depois de fartos, seguiram mais uma hora e meia, até o antigo sítio da familia Collin. A estrada, estava abandonada, e o poeirão subia.

-Esse lugar é estanho…

– Falei pra gente não vir.

-Desculpe. Só achei que isso seria bom pra gente.

-Não quero desenterrar o meu passado.

Joana olhou para a paisagem, mas não se admirou que não fosse prazerosa.

O sítio ainda era o mesmo. E a mata.

Aquela mata.

Continuava lá. Assustadora e surreal.

Contudo, Tom e Joana subiram as escadas, embora ela estivesse velha e fizesse chiados estranhos. O cheiro de madeira ficava no ar. Os objetos deixados pela a mãe de Tom, Judite, continuavam lá, empacotados. Ninguém havia mexido em nada.

Quando entraram no quarto principal, colocaram as malas no chão, ambos foram a janela ver de cima o local.

-Por incrível que pareça esse lugar é lindo.

-Era muito mais lindo antigamente – disse Tom – A vegetação morreu.

-Acho que tudo vai dar certo. Vamos ficar aqui por um tempo, talvez esses pesadelos que você tem passem.

-Eu espero que sim.

E os dois se abraçaram.

Um policial perturbado; Uma cidade abandonada; Uma velha delirante.

Tom não conseguiu dormir.

Um comentário em “Clube do Medo | Sangue Fresco (Parte 2)

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