Clube do Medo | Perigo Interno (Parte Única)

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Prólogo

Em 1929, uma verdadeira bomba explode nas finanças de Wall Stret, os empresários estão desesperados para vender suas ações, mesmo que seja a preços baixos, o American Way of Life definitivamente acabou e a realidade está se mostrando nua e crua. Apenas cinco meses após a crise se alastrar pelos EUA e pelo mundo, Frederico recebe a notificação de que a empresa em que trabalhava faliu e agora está à beira da miséria. Porém seu maior medo não é o que está por vir e sim à reação de sua esposa. Ele a amava mais que tudo, porém o que ela queria mesmo era ser uma social light.

De repente, estava parado em frente a sua casa de cercado branco. Não queria entrar e encarar aquela fera. Angelina tinha um rosto ávido, mas seu coração era murcho. Gelado. Ela não tinha escrúpulos.

– Por que está de volta tão cedo? – Perguntou em tom irritado, nada daquela curiosidade e contentamento de uma esposa ao ver o marido chegando à casa são e salvo. Apesar dos perigos.

– Eu fui demitido. – Ele respondeu amargamente.

– Você é um incompetente mesmo! Não consegue nem ao menos se manter na droga de um emprego.

– Não foi culpa minha, a fábrica faliu.

– E daí? Isso significa que nós estamos na miséria, vamos ter que nos juntar ao bando de indigentes numa fila por um prato de sopa?

– Eu não posso fazer mais nada, você quer que eu roube?

– Não seria uma má ideia. As mulheres dos mafiosos são sempre glamorosas com cobras percorrendo seus pescoços.

– Você não está falando sério, não é mesmo?

– Como nunca falei em toda a minha vida, seremos um casal do crime. A minha genialidade e a sua ação casam perfeitamente.

– Você só pode estar enlouquecendo.

– Não me chame de louca! – Falou em tom ameaçador. – Se você pensa que eu nasci para viver nessa miséria, saiba que estás muito enganado. Se prepare, que começaremos a planejar nossas ações a partir de agora.

– HAHAHA! Qual banco nós assaltaremos? – Questionou, sarcástico.

– Um banco não, mas uma loja sim. Vamos aproveitar enquanto ainda temos um carro e um teto.

1

            A ideia de tornar-se uma ladra, para Angelina, era tão fascinante quanto ser a primeira dama dos EUA. Planos e mais planos surgiam a sua cabeça, ela precisaria agora assaltar toda a cidade de Nova York para executar a todos. A primeira loja a ser assaltada seria a Coffe Break, no centro da cidade. Era uma cafeteria aberta vinte e quatro horas por dia, que lotava suas mesas matinal e vespertinamente. A estratégia era executar um assalto à mão armada ás 3 da madrugada e fugir. Simples, nada poderia dar errado.

            – Então é isso. – Lina finalizou após contar a estratégia para Fred. – É só você libertar o machão que há dentro de você e dizer duas palavras: “Passa a grana” apontando a arma para o caixa e pegar o dinheiro. Eu estarei te esperando no carro para voltarmos a nosso aconchego.

            – Não sei, não, heim. – Pigarreou desconfiado. – É simples demais para dar certo.

            – Meu querido, apenas engrosse a voz e aponte aquela arma – apontou para a gaveta – que aquela estúpida vai lhe dar todo o dinheiro.

            – Está bem. – Concordou temerosamente.

 

            A noite chegou sorrateiramente. Angelina sugeriu que os dois se deitassem mais cedo, para não estarem cansados na hora H. Mas ela bem sabia que nenhum dos dois conseguiria pregar os olhos. Durante muito tempo viveram o sonho dourado dos EUA, agora que foram acordados para a realidade, o caminho errado soava mais fácil do que superar a crise.

            – Hora de irmos. – Ela sussurrou friamente, quando os pêndulos do relógio apontaram para 02h29min. Fred ouvira atentamente o que dissera, mesmo tendo sido apenas um sibilo baixo, pois assim como ela, ele não dormira.

            – Tem certeza que quer mesmo fazer isso? – Ralhou – Nossas reservas de dinheiro dão para passar mais um mês…

            – E as nossas dividas? Esqueceste! – Angelina se irritou. – Você não terminou de pagar essa casa, nem aquele maldito carro.

             – Está bem, mas tomara que nós não nos arrependamos.

 

02h46min: Eles chegaram em frente da cafeteria. Como de esperado, ela estava vazia, havia apenas um rapazote sentado no caixa e com os olhos se fechando. Fred cruzou a porta e a campainha tocara, o rapaz despertara instantaneamente.

            – O que deseja senhor? – Perguntou calmamente.

Frederico sentia seus batimentos cardíacos mais fortes. A arma no bolso interno da sua jaqueta parecia queimar seu peito. “É só você libertar o machão que há dentro de você e dizer duas palavras: ‘Passa a Grana’ apontando a arma para o caixa e pegar o dinheiro.” As palavras de sua esposa se repetiam na mente dele. Ela fazia tudo parecer tão fácil… Pensara em finalmente desistir, mas ele não poderia enfrentar a ira de Angelina. “Você é um incompetente mesmo!”, pensava numa segunda decepção. Não. Ele a amava demais para decepcioná-la.

            – Passa a grana. – Surpreendentemente a sua voz saíra firme e perfeitamente segura. Em seguida sacara a arma de sua jaqueta e a mantivera apontada para o jovem e frágil garoto que logo comera a choramingar.

            – Si-sim senhor. – Assentira e começara a tirar o dinheiro do caixa. Em seguida entregara tudo a Fred enquanto este saia.

Angelina esperava pelo marido no carro. Acompanhara todo o ocorrido observando pelas paredes envidraçadas e parecia que ele estava se saindo bem. Quando finalmente ele voltara com o dinheiro, ela sentira-se a rainha do crime. Lina apenas deu um sorriso malicioso e deu a partida no carro.

            Quando já estavam próximos ao bairro em que moravam, um carro se aproximava. Era uma patrulha policial.

 

2

           

Fred teve um acesso de pânico. Angelina o encarou com mais desprezo do que o costumeiro. Ela realmente sentia nojo do homem com quem se casara.

– Eu te falei que não ia dar certo! – Choramingou.

– Pare de agir como uma mulherzinha. – Ela o repreendeu.

– Será que você não percebe, é o fim!

– Claro, que não. Vamos sair da cidade. Quanto você conseguiu naquele café?

– Cerca de 300 dólares.

– Ótimo. – Assentiu – Vamos passar alguns dias fora da cidade!

 Frederico suspirou; Angelina acelerou o carro, fez alguns contornos, dobrou ruas, chegou à estrada e continuou indo em linha reta. Quando o sol ainda era uma fina linha emergindo no horizonte ela disse:

– Acho que despistamos os tiras.

– E agora?

– No primeiro motel que aparecer a gente para.

– Quando vamos voltar? Os vizinhos vão dar falta de nós.

– Daqui a uma semana nós voltamos. Enquanto isso, precisamos ficar quietos.

Após alguns minutos uma espelunca com um letreiro queimado mostrando o nome MOTEL apareceu e, mesmo não agradando a nenhum dos dois, eles pararam.

– Nós vamos passar uma semana aqui? – Fred perguntou incrédulo.

– Vai bancar a mulherzinha agora? – Angelina satirizou. – Eu que sou uma dama do crime não estou reclamando, por que você reclama?

– Por que eu não sou maluco. – Ele rebateu. – Eu só embarquei nessa por você, por que eu não aguento mais você reclamando de tudo.

– Não me venha com esse papo de maridinho apaixonado agora. Somos fugitivos da volante!

Eles entraram no estabelecimento, havia apenas um senhor maltrapido, com aparência horrível. Ao redor daquela “recepção” havia muitas cruzes, imagens de santos e símbolos do catolicismo.

– Bom dia, senhor? – Frederico se aproximou dele.

– Bom dia. O que deseja? Por acaso veio cobrar impostos?

– Na verdade, não. Eu minha esposa viemos alugar um quarto?

– Então são hospedes! – Exclamou irradiante. – Venha comigo, venha. Eu vou lhes mostrar seu quarto.

– Mas nós nem acertamos os…

– PSIU! – Angelina se manifestou, mandando-o permanecer calado.

O lugar era sinistro. Parecia que não havia sido limpo há semanas, mais parecia com um cenário dos filmes de Hollywood, isso causava calafrios no casal. O velho os conduziu pela escada velha e maltratada pelo tempo e os deixou em uma porta com o número 6. 

– Vocês ficarão aqui. – Anunciou com um sorriso amarelo.

– Nós não vamos acertar os valores? – Indagou Fred.

– Não se preocupe, nós podemos ver isso no final.

– Ok. – Angelina pôs um fim.

– Boa estádia.

– Obrigado, eu acho. – Disse Frederico, sem jeito.

 

3

Um grito!

            Logo após entrarem na pocilga imunda que o velho ofereceu como quarto, Fred e Angelina deram um jeito de ajeitar aquele lugar. Arrancando algumas teias de aranha e sacudindo a poeira da cama e dos móveis. Ao fim da pequena arrumação deram um jeito de sair para comer e, por já estarem exaustos de todos os acontecimentos – assalto, viagem, arrumação e almoço -, caíram de bruços na cama.

03h00min. Um grito! Fred despertou na hora, olhou para o relógio digital no pulso e viu que já eram três da madrugada, virou para o lado.

– Lina, você está bem?

– N… acho que… s… sim. – A voz dela estava embargada por um tom diferente, estranho, estava mais dócil, contudo havia uma nota fraquejante nas frases gaguejadas, como se estivesse perdendo as forças.

Mas Fred não se importou e voltou a dormir, minutos depois ouviu outro grito, mas desta vez ele era continuo. Angelina se retorcia na cama, as pálpebras dela se reviraram e seu corpo fazia flexões inacreditáveis. Frederico ficou desesperado e correu para a recepção.

– Por favor, senhor!  Ajude-me. – Ele choramingou.

– O que houve? – O velho perguntou preocupado.

– É a minha mulher, ela tá tendo um ataque lá em cima, ela não para de gritar e seu corpo está se retorcendo. – Fred apressou-se a explicar e os dois subiram as escadas rapidamente, o senhor na frente de Fred.

O homem correu rapidamente, mas um dos degraus quebrou enquanto Fred subia. Seu corpo afundou no assoalho e ele gritou. O recepcionista voltou, mas ele foi irrevogável.

– Não se preocupe comigo! Vá ajudar minha mulher.

E o velho assim foi. Frederico se desesperou naquele lugar. As lascas de madeira perfuravam-lhe as vestes e arranhava seu corpo. Logo, logo sangue começaria a jorrar dos ferimentos e ele precisava fazer alguma coisa.

Então começou a impulsionar o corpo para cima, o material rachado parecia cortar sua pele à medida que subia, porém ele sabia que era cortar a pele ou ser esquartejado em uma escada e resolveu ficar com a primeira opção. Quando finalmente se desvencilhou, foi para o seu quarto rapidamente ver o que estava acontecendo. Ao chegar à soleira da porta se deparou com uma cena ultrajante: sua mulher se contorcendo no chão e o velho recepcionista lhe sussurrando palavras.

Pai nosso que estás no céu, santificado seja o vosso nome, venha à nós o vosso reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e não nos deixei cair em tentação, mas livrai-nos do mal, amém! – Rezava – Em nome do senhor Jesus, parta desse corpo; Saia demônio; deixe esta pobre mulher.

– Pobre? – O corpo de Angelina começou a falar com um timbre estranhamente grave. – A alma dela é suja como esse lugar. O coração dela é murcho, esta mulher possui uma mente podre. Ela quer sofrer, ela gosta do mal que lhe causamos.

– Em nome do senhor, em nome do nosso senhor Jesus Cristo deixe este corpo e não volte jamais. Parta e nunca retorne. Demônio, filho de Satanás, parta: Eu Ordeno!

– Me estupre. – Uma voz fininha saia pela boca de Lina e seu corpo se levantou para atirar-se a cama. – Você é um velho tarado e gostoso, me estupre!

 – Creio em Deus pai todo poderoso criador do céu e da Terra, que em Jesus Cristo, nosso senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado…

– Por favor, pare! Eu sou só uma vagabunda imunda. Não grite comigo não faça assim. – Ela agora imitava uma menininha inocente com a voz chorosa. – Me bate, me bate muito. Eu sou uma puta. Me bate. – Desta vez era uma voz totalmente alterada, o rosto se inclinando para dar uma volta de 180º.

– Em nome do senhor, em nome de Jesus. Parta demônio! – A voz do velho agora era totalmente autoaltiva.

E o corpo possesso caiu desfalecido na cama. O velho olhou para a porta e viu Fred totalmente aterrorizado.

– Ah, você está aí. – Percebeu. – Eu sinto muito que você tenha que ver isso, mas não é a primeira vez que isto acontece nesse lugar.

Fred não conseguiu dizer nada.

– Tem certeza que quer ficar aqui? – Ele perguntou para o homem parado a porta, ainda fitando o corpo jogado à cama.

– T-tenho. – Fred respondeu com lágrimas saltando aos olhos. – Ela é minha mulher, eu sei que no fundo Angelina está aí dentro e eu vou trazê-la de volta.

– Está bem. – O senhor concordou. – Mas assim que ela acordar me avise.

Frederico apenas assentiu com a cabeça, incapaz de dizer mais nada.

 

4

 

Fred passou o resto da noite fazendo cafunés na cabeça que pertencia a sua mulher. Tinha medo de quando ela acordar ainda haver um demônio lá dentro, mas também poderia ser um ataque esquizofrênico. Quando o sol já havia se levantado, os olhos dela se abriram a primeira coisa que disse foi:

– Feche as cortinas, por favor!

Então Frederico correu para deixar o ambiente totalmente escuro.

– Você está melhor, Lina? – Perguntou com a voz maleável.

– Lina? HAHAHA’ Eu não sou a Lina.

– Quem é você?

– Jamais revelarei meu nome, no entanto você sabe que sou a criatura que vai levar o espírito dessa mulher.

– Deixe a minha mulher em paz.

– Eu posso até partir, mas você terá que fazer um acordo comigo. O que acha?

– Eu farei! Qual é o acordo?

– Você vai ficar caladinho enquanto eu lhe conto algumas historinhas verídicas sobre sua mulherzinha, se ao fim, você a perdoar eu a deixo, mas se você não conseguir perdoá-la… Eu mato-a com uma vara no ânus.

– Eu sei que ela jamais faria nada de tão grave.

– Apenas escute.

 

Era uma vez, uma menina muito retirada, que vivia no aconchego da sua casa e não se relacionava com as outras crianças. Logo essa menina foi crescendo e se tornou uma adolescente problemática, se envolveu com o pior tipo de gente e acabou caindo na onda das drogas. Sua mãe descobriu e a expulsou de casa, mas ela continuou nas ruas a se drogar. Quando caiu na realidade e viu que não dava pra viver desolada nas ruas procurou um bordel e começou a se prostituir. Lá, teve menos contato com os narcóticos e depois de algum tempo percebeu que o melhor a se fazer seria arranjar um trouxa para se casar. Eis que surge Fred, um ingênuo. E esta mulher o engana, mesmo casada, mantém relacionamentos extraconjugais, é amante de um gangster e de um governador.

 

– Você terá a audácia de perdoá-la? Uma mulher com passado sujo, manchado com marcas indeléveis. – Questionou. – Uma mulher imunda que nunca o respeitou, nunca o deixou agir por si. Você a perdoará?

 

5

 

Aquela situação era extremamente complexa. Ter uma vida em suas mãos não é algo que não pese na consciência. Ainda mais quando uma enxurrada de novas informações é lhe confessada e você precisa pensar em algo antes mesmo de processar tudo aquilo que lhe foi contado. Mas Fred sempre teve sua resposta formada, não adiantaria lhe dizer nada.

– Eu a perdoo. – Respondeu em tom firme – Eu não a condeno pelos erros do passado. Deixe o corpo da minha mulher.

– NUNCA! – O espírito respondeu. – Seu viadinho. Você gosta de ser traído? De dormir como uma vagabunda dia após dia? Eu pensava que estaria a lhe prestar um favor, mas você é de uma cegueira que nunca vi na minha vida.

– Você nunca vai entender por que eu tomei essa decisão. Eu a amo demais para suportar a dor de vê-la morrer. Eu não me importo que ela me maltrate, me humilhe e me traía contanto que no fim de cada noite seja ao meu lado que ela durma. – Explicou cheio de sensacionalismo na voz. – Você nunca entenderá a natureza desse sentimento. Eu amo a mulher cujo corpo você insiste em possuir e não há nada que possa mudar isto.

– NÃO! NÃO! NÃO! – Ele gritava. – Você é que não entende. Esta alma não merece nada de bom que alguém possa lhe oferecer.

– Espírito invejoso, parta em nome de Jesus! – Frederico ordenou. – Jesus veio ao mundo para propagar a paz e o amor, e onde há amor não haverá intrigas. Deixe este mundo!

– NÃAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAO…

Aquele grito foi o mais estridente. As janelas de vidro se quebraram com a pressão do espírito deixando o corpo. E Angelina caiu desfalecida.

FIM

NOTA DO AUTOR: ‘Perigo Interno’ foi um conto sob encomenda que me levou à duas noites de julho em claro e litros de lágrimas, sem exagero.  Eu não acredito em possessão, por mais que tenha formação católica, há cláusulas da doutrina da igreja que me recuso a acreditar, como a violação do nosso livre-arbítrio por um espírito. E é por essa minha descrença que considero ‘Perigo Interno’ um dos meus maiores desafios – e olhe que eu já escrevi um romance erótico! Enfim, só espero que tenham apreciado essa minha mistura de história, romance, terror e drama. E não deixe de conferir mair um conto do Jhonnatan Carneiro na próxima semana!!!

João Paulo Alves

PRÓXIMA SEMANA NO CLUBE DO MEDO:

O CORREDOR DA MORTE

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