Clube do Medo | O Corredor da Morte (Parte 1)

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PRÓLOGO

 

INTRO/ CASA DE BARNEY/ NOITE

Barney caminhanhava vagarosamente pela sala de sua casa, internamente iluminada pelos abajures dispostos a cada canto. Em sua mão esquerda segurava uma enorme garrafa de vodka, e, na direita, um revolver RT 44, calibre restrito, com cano comprido e 242mm, 6 tiros e mira ajustável, pesando em torno de 1.315g.

Em off o som dos gemidos da esposa de Barney ecoava. Barney se contraiu, olhou para um porta retrato que estava em cima de uma escrivaninha velha e decaída. No quadro um casal, uma mulher sorridente e com longos cabelos louros, ao lado de um Barney também sorridente.

Barney, fitou profundamente o porta-retrato, uma lágrima desceu dos olhos e escorreu até o terno, o porta retrato caiu no tapete estufado. Ele caminhou mais alguns metros, chegou até a porta do quarto e, lá, viu sua amada transando com um jovem rapaz  que beirava a casa dos 19 anos. Desviou o seu olhar para a RT 44, tocou a maçaneta e a girou (…).

1

Em toda penitenciária de segurança máxima há sempre um cara como eu. Aquele que pode arranjar maços de cigarros, alguns livros capa dura, fotos de mulheres nuas, e até mesmo acesso a internet, se assim você quiser. Mas tudo o que estiver ao alcance.

Mas isso começou em 1935, quando a prisão de Molfon ainda estava lá, em Carolina do Sul, e é claro a cadeira elétrica também estava lá.

Lembro da primeira vez em que entrei em Molfon, fui acusado de estupro qualificado – Deus do céu, existe isso? – pois bem, se existe ou não, fui julgado de qualquer forma. Entretanto, nesse meio tempo vi coisas que até Deus duvida. Coisas que, se eu não contar para alguém, creio que eles não me deixarao em paz.

Mas, afinal, Molfon nunca esteve em paz. Muito menos a Cadeira Elétrica.

O corredor da morte é o nome mais tenebroso na penitenciária. Os presos costumavam brincar, e fazer piadas iriônicas sobre ela, eles falavam em como os testículos dos presos iriam virar ovos fritos, e davam nome a cadeira Elétrica, chamavam-na de Fagulha Velha. Quero deixar claro que essa não é uma estória da qual vocês tem que sentir dó, pelo contrário quero que sintam medo. Porque eu senti, aquelas coisas me perturbando, aqueles gritos de tormento. Por isso vou ter que contar, vou ter que desabafar.

E esse dia chegou.

O corredor da Morte, aguarda a sua visita.

 

Se vocês não se importarem quero falar para vocês, mas sobre o Corredor da Morte. Como já disse estou aqui há muito tempo e vi coisas terríveis, em 1935, a condenação pela Elétrica, ainda era legal nos Estados Unidos. Todos temiam, uma vez lá, nunca, jamais, nunquinha, voltariam. Molfon era conhecida por ser a prisão mais temida do Estado, os presos faziam questão de morrer ao invés de ir pra lá. Foram tempos difíceis.

 

Hoje tenho 54 anos, do muito que já vivi, tenho direito absoluto na prisão, mas não foram bem assim no começo. Quando entrei em Molfon, eu ficava pensando em quantos estrupadores, assassinos, malfeitores, e inocentes já sentaram na Fagulha Velha. E aqueles gritos? Aquelas almas? Para onde iriam? Estariam vagueado por lá? Deus, não quero nem pensar.

A cadeira Elétrica é talvez algo que nós tomamos como concedido para hoje em dia como o mais rápido 
caminho e a mais humana forma de executar um ser humano. Nos primeiros dias, no entanto, os defensores do uso da eletricidade como um meio de morte, teve que provar que era realmente a maneira mais proficiente de execução. Mas é claro eu isso só foi nos primeiros anos. Apartir de 1976, quando um homem chamado Kammelet não morreu, como era esperado. Kammelet ficou 17 segundos ainda vivo, e vendo a pele queimada saindo de seu corpo, no ar o cheiro de carne queimada, fétida. Depois desse caso, os governantes começaram a pensar menos na cadeira Elétrica, e ficando mesmo com o enforcamento. Mas isso foi provisório, depois que não teve mais incidentes, a Fagulha Velha voltou a dar o ar de sua graça.

Bem, aonde quero chegar é que não sou nenhum telepata, ou um John Constantine, muito menos George A. Romero. Contudo o que quero explicar a vocês é que, como estou a tantos anos aqui, fiz amizades com quase todos os detentos no corredor da morte. Em 1930 conheci um cara chamado Andrew Barney, o cara ficava na defensiva, quase não falava nada, entendem?

Barney foi acusado de matar a esposa e o amante, os dois foram encontrados transando loucamente, e Barney viu tudo, mas tenhamos que admitir, a vagabunda da esposa de Barney era linda.

Andrew foi condenado à prisão perpétua pelas duas mortes. E ele ainda insiste em dizer que é inocente. Acho que ele vai se dar bem aqui em Molfon, porque todos nós somos inocentes, não é mesmo?

 

Ops! Esqueci de me apresentar! Que falha minha, me chamo Green, exatamente, Green conhecido por só receber verde nas folhas de libertação de prisioneiro, isso é para saber se eu estou apto a ir para o outro mundo, o mundo da liberdade.

Agora já que vocês sabem do corredor da morte, da cadeira Elétrica, de Andrew Barney e de mim, acho que a hora da gente ir contar esta estória chegou, então vamos, entre até a minha sela, é logo ali no final do corredor.

2

Molfon já teve vários diretores, em 1878 o diretor Stefan Woo, foi o causador da maior rebelião, deixando os presos sem ar, e sem água tudo isso porque um idiota comeu um bombom que ele havia deixando em cima do balcão, mas o interessante nisso, sabe o que é? É que o tal idiota que comeu o bombom, morreu dois minutos depois, aquilo era tudo um plano de Stefan.

A ascensão de Stefan ocorreu de 1878 á 1890, dizem que ele morreu de causas naturais, mas todos os presos sabiam que não, não mesmo.

 

Depois de Stefan veio outros, e outros, e chegamos ao horrendo Betaldiner Snotfield, sim é um nome difícil de se pronunciar, e também difícil de se compreender. O desgraçado foi o responsável por mandar Barney para cá, creio eu que Snotfield tem algo para ele. Mas isso a gente vai saber depois.

 

As luzes de Molfon, se apagaram momentaneamente, hora de dormir. Quando se esta preso, a noite demora a passar, não só a noite como o tempo. Um minuto no inferno é o equivalente a um ano em Molfon. E, naquele dia, os presos começaram a sacanear com os novatos.

 

-Ei gorducho! Que traseiro enorme você tem! Sabia que, aqui em Molfon têm as Bichas que gostam muito de gordinhos…

E todos os presos do pavilhão começaram a rir.

-Amanhã a gente vai te apresentar elas viu?

E o tal gordo não aguentou a pressão e começou a gritar.

-Aqui! Me tirem daqui! Esse não é o meu lugar! Eu sou inocente!

Na verdade, todos nós somos inocentes, lembra?

– Mas que porra é essa? – Era a voz do guarda mais temível de Molfon, Calie.

Nada chefe! – Esbravejou um dos presos.

Me tire daqui! Eu quero a minha mãe!

O Gorducho deveria calar a merda da sua boca.

– Cala essa merda de boca, ou eu serei obrigado a enfiar o meu cassetete nesse seu traseiro gordo!

 

Mas o cara não calou, coitado. Calie tirou as chaves do bolso abriu a cela e puxou o gordo pela gola do uniforme penitenciário, em seguida o jogou no chão e começou a dar-lhes pontapés, socos, Deus do céu! Calie fez o que disse que iria fazer. Pegou o cassetete e enfiou naquele lugar, bem no traseiro do pobre coitado.

Aonde o sol não bate.

Lembro-me que os presos não aguentaram ver aquela cena de estupro, depois do trabalho feito os guardas deixaram o corpo lá, espatifado, frio, morto.

Mas o que me surpreendeu foi que, Andrew Barney, não disse nada, não deu nenhum pio.

 

3

 

No dia seguinte, depois daquela cena horrenda, perguntei para um dos enfermeiros de plantão na noite passada se ele tinha notícias do gordo.

– O médico já tinha ido embora, coitado. Quando o doutor chegou hoje cedo, já não se podia fazer mais nada.

Contei para ele quem eram os responsáveis de deixar o tal gordo naquele estado. Barney estava do nosso lado no refeitório, e soube também da notícia.

-Qual era o nome dele? – Perguntou Barney, na defensiva.

-E o que isso importa? O cara já morreu! – esbravejou um sujeito ao meu lado.

-O cara morreu sem um nome – disse Barney.

 

E realmente, o cara gordo morreu sem um nome. Aquele assunto logo, logo foi esquecido, dando passagem para outros mais importantes como, a fuga de um prisioneiro pelo esgoto.

 

4

Naquele dia mais tarde, Calie recolheu todos os presos condenados a Cadeira Elétrica para o corredor da morte. Os primeiros dias te deixam livre – por assim dizer – contudo para mostrar a gente o lado bom e o ruim de que poderíamos ter em Molfon. Os guardas enfim recolheram em torno de 15 condenados, e dois deles eramos eu, e Andrew Barney.

2 comentários em “Clube do Medo | O Corredor da Morte (Parte 1)

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