Clube do Medo | O Corredor da Morte (parte 2)

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PARTE 01 AQUI

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Quantas vezes já tive pesadelos terríveis com a Fagulha Velha, aquela traiçoeira e perversa cadeira elétrica. Vendo aqueles condenados fritando. Uma coisa eu sei, a Fagulha Velha era cruel, imaginem, mais de 2.000 volts passando pelo seu corpo? Teria chance de sobreviver? Não, creio que não, ao menos se existisse algo, mas não, não mesmo!

 

O corredor da morte! A cadeira Elétrica, e um condenado inocente.

Com esses pensamentos, tive um pesadelo.

 

Hááááá – Gritos agonizantes.

Socorro!

Estou queimando!

 

O condenado se contorcia tentando se soltar, uma esponja mochada com uma solução especial escorria pela testa.

-Queima, Queima, Queima…

Sussurrava o terrível guarda Calie.

-Desligar a 2!

E um outro guarda obedeceu a ordem girando uma manivela, que desligou a energia que ligava a cadeira Elétrica. Três dos guardas retiraram os cintos que prendiam o executado, e por último retirou o capuz negro.

Deus do Céu!

E o morto queimado que estava sentado naquela cadeira, era eu.

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Despertei assustado, aquelas vozes começava a me perturbar, sussurros e grunhidos estanhos, e aquele pesadelo: eu, na cadeira Elétrica, queimando. Eu poderia ignorar as chances de morrer, mas uma hora ou outra isso haveria de ocorrer, e da forma mais horrenda possível. Senti na boca o gosto de queimado, mas só era um pesadelo.

Um pesadelo que iria se concretizar.

 

Andrew Barney veio falar comigo pela primeira vez, antes é claro de irmos para o corredor da morte, em meados do verão, praticamente 3 dias depois de sua estada em Molfon. Percebi por sua aparência, que era na outra vida um homem poderoso, mas nem o dinheiro compraria a sua liberdade. Ele chegou ao meu lado, e disse com a sua voz meio rouca e áspera.

-Fiquei sabendo que você é o cara que consegue as coisas, não é?

Olhei para ele, dos pés á cabeça, e depois o olhei nos olhos.

-Tudo que estiver ao meu alcance.

Ele deu um sorriso em falso, mostrando os dentes brilhantes de outrora.

-Queria que você conseguisse para mim, uma borracha.

-Borracha? – Perguntei achando o pedido estranho.

-Sim – ele confirmou.

-O que vai fazer com uma borracha em Molfon? – Ele me olhou, e continuei – apagar a burrada que você fez?

-Pensei que era só pedir, te pagar, e você arrumar o pedido, não se intrometer com o que iriamos fazer – Ele disse em um tom de ironia, mas suave.

-Olha, geralmente costuma fazer isso, mas, quando algo estranhamente é pedido, creio que eu tenha que saber para o que isso venha a servir, entende?

-Sim… Claro… – respirou fundo e prosseguiu – como disse vou tentar apagar a burrada que eu “Fiz”

As últimas frases soaram com o ar de isolamento, tristeza. Franzi o censo, ele ergueu as sobrancelhas.

-Tudo bem, isso lhe custara 8 maços de cigarro, e mais 100 dólares, pra virar cliente.

Ele deu novamente um sorriso de canto.

-Mas 8?

-A mercadoria passa pela alfandiga.

-Só ser for alfandiga mesmo, mas aceito os seus acordos – ele levou a mão para me cumprimentar – Blue, engraçado nome.

E quando se virou para ir embora, eu o chamei sua atenção.

-Afinal, porque fez aquilo?

Porque matou a sua esposa?

-Não ouviu nos noticiários? – Ouve uma pausa – Sou inocente.

 

Sim, claro, todos nós somos inocentes, e naquele mesmo instante me simpatizei com Andrew, o condenado a fagulha velha.

 

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15 DIAS PARA A EXECUÇÃO.

Demorei certo tempo para conseguir a mercadoria insana que Andrew me pedira tempos atrás. Agora oficialmente estamos no corredor da morte, uma vez lá, nunca mais saímos. Mas era lindo, exatamente era lindo o chão, liso com o piso de linóleo e brilhava com as poucas luzes que ainda reflectia no assoalho. Era longo, havia selas de todos os lados, no máximo 20, de 10 de cada lado. No final do corredor um quarto – provavelmente – a sala de execução, a mais temida.

A minha sela ficava ao lado de Andrew, assim, por sorte poderíamos conversar. Sim conversar. Naquele mesmo dia, descobri pelo cano do esgoto da minha privada que Andrew poderia escutar. Agora pensem, falar com outro cara pelo ralo de onde passa a minha merda e de outros condenados. Isso era realmente nojento e repulsivo, mas era a penitenciária de Molfon.

Com a boca e o nariz na passagem de merda, chamei Andrew.

E por ai começamos a conversar, jogávamos dama, conversávamos sobre Angelina Jolie nua, quadrinhos, enfim, tínhamos algo para fazer até o dia da execução de ambas as partes.

 Lembro-me, que amanhã, será o dia da execução de um dos condenados, e como é de praxe todos nos iriamos assistir.

 

8

Eis que chega o dia de um dos condenados dizer adeus a esse mundo hipócrita. Ou pelo menos é assim que achávamos que ele era.

Naquela manhã, os guardas fizeram todos os procedimentos para a execução, rasparam a cabeça de John Vight, que foi acusado por estuprar e matar duas meninas dentre 11 anos de idade.

Faltava apenas 15 minutos para a execução, que estava programada para ás 12:00 em ponto. Prenderam John na cadeira, e no final o guarda se aproximou na frente de John e disse as seguintes palavras de sempre:

John Vight, á eletricidade passara pelo seu corpo até que você morra, de acordo com a lei estadual. Quais as suas últimas palavras?

-Estou indo para o inferno BB!

E após isso, os guardas não hesitaram, era meio-dia em ponto.

-Ligar á 2!

E todos os presos assistiram a morte horrenda de John Vight. O cheiro de queimado, aquele cheiro horrível.

Aquele ranger de dentes.

 

Depois de toda peleja, retiram o corpo, e o jogaram em uma maca e o levaram para um outro corredor, escuro e tenebroso.

A pergunta que não calava era, Quantas pessoas morreram ali? Quantas almas condenadas lamentaram? Quantos inocentes queimaram ali?

E em breve seria a vez de Andrew Barney.

E naquela noite tive um pesadelo.

 

9

FLASH!

 

A penitenciária estava escura, nenhuma luz ecoava, nenhum guarda, nada só a escuridão.

Espere! Havia uma luz, uma pequena centelha, que vinha do lado de dentro de uma porta blindada. Molfon era mais assustadora do lado de fora, não hesitei, e fui caminhado pelo gramado, até chegar nessa porta, da qual poderiam salvar de qualquer forma da escuridão.

Calada, fria e sombria.

Meus passos começavam a ficar mais largos, tentando sair logo daquele lugar. Quando me aproximei até a porta, ela abriu sem ao menos se toca-la, respirei fundo, agora estava em minhas mãos.

O lado de fora de Molfon ou O lado de dentro?

Fiz a minha escolha, entrei. E em seguida levei um susto, a porta atrás de mim, se fechou abruptamente, fazendo o som da batida sair em forma de ecos. Depois do susto me virei novamente para o corredor, mas as luzes que iluminava o corredor foram se apagando, uma seguida da outra, momentaneamente.

Como trilha, só o som da minha respiração ofegante. No breu.

E nesse momento, fui concebido com um vento subitamente apavorante acompanhado com um frio do atlântico. Mas durou poucos segundos, a ventania sessou, levando consigo o terrível frio. Ainda no escuro, optei por continuar a caminhar, não sabia para onde ir, então levei minhas mãos, até a parede, para ter uma noção de onde ir, deslisando suavemente minhas mãos pela parede, percebi que a densidade da parede mudou até certo ponto, senti como se tocasse em algo gelado, apalpei mais ainda.

Peixe. Gelo. As Geleiras do polo norte. Defunto!

Oh Deus! Defunto!

Sim, acabara de tocar um defunto. Retirei minhas mãos do ser. Tentei -me acalmar, precisava sair dali, encarei novamente por deslisar minhas mãos pela parede, mas novamente fui surpreendido por vários defuntos, um atrás do outro, engoli em seco, franzi o cenho. Mas continuei. Então, senti uma fechadura, acabara de chegar em outra porta. Senti a maçaneta, a toquei, e a girei.

Luz!

A luz, voltara. Demorei certo tempo, para que meus olhos se acostumasse com o aspecto, mas ainda com a retina embaçada, vi ao meu arredor corpos ensanguentados.

Pavor! O pior pavor!

Necrotério. Provavelmente eu deveria estar em um necrotério. Estava frio, muito. Os corpos estavam espalhados por todos os lados. E no meio dessa multidão de mortos, lá estava a cadeira Elétrica, e sobre ela assentado um outro corpo, com um capuz negro envolta de sua cabeça. Me aproximei, um silêncio tomou conta do local.

Frio. Pavor. Tensão. Silencio.

Toquei na mão fria do morto. A mão se mexeu, levei as minhas mãos para retirar o capuz da cabeça do homem, do qual ainda o sangue corria. Então.

Fechei os olhos de tanto medo. E antes de retirar o capuz.

A luz novamente se apagou. O frio cessou.

 

10

Acordei assustado, me debatendo sobre a cama. Demorei certo tempo para voltar a consciência. Quando voltei fui logo contar o mais terrível pesadelo que tive em tempos. Contei a ele tudo, e é claro que ele ficou com um leve receio, afinal esse era um pesadelo do qual ninguém queria ter.

5 dias para a execução.

PRÓXIMA SEMANA NO CLUBE DO MEDO:

– Andrew Barney, a eletricidade passara pelo seu corpo, até que você morra, de acordo com a lei estadual. Que assim seja.

Barney, respirou fundo.

-Antes, quero dizer algo para o Diretor!

E todos na sala se contraiu, inclusive o director Betaldiner.

-Não tive culpa do ocorrido, eu era apenas o gerente, estava cumprindo ordens. Mesmo assim, me desculpa.

-Já chega! Ligar a 2! – Ordenou Betaldiner.

Um comentário em “Clube do Medo | O Corredor da Morte (parte 2)

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