Clube do Medo | O Corredor da Morte (PARTE FINAL)

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PARTE 1 AQUI

PARTE 2 AQUI

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Realmente eu não sabia em como morreria, mas morrer sentado na fagulha velha parecia uma forma irónica de partir.

Das cinzas para cinzas, do pó para o pó.

Duas vezes ao dia, todas as semanas, o guarda Calie vem nos punir com várias chicotadas, pensaram que estamos em tempos modernos? Pois é, estamos, mas mesmo assim, às vezes, ganhamos algumas chicotadas por apenas fazer nada. Mas as chicotadas ficam mais frequentes quando o dia da execução do condenado se aproxima. Ou como eu diria, O dia do juízo Final.

Devo admitir que contar essa história para vocês parece ser um bom passatempo, às vezes até me esqueço de que a qualquer momento posso morrer, não pela Fagulha Velha, mas de fome. Comemos migalhas todos os dias, ou praticamente restos.

Ainda fico pensando, em como os outros presos de Molfon estão agora, como estão lidando com as coisas, sem a mim para arranjar, coitados. Meu Deus, quem me dera se não fosse eu!

 

A ferida em minhas costas estava dando escaras, e muito pus, se não morresse na cadeira Elétrica, morreria com as minhas feridas. Certo dia, vi um bicho saindo dela. Mas deixe isso pra lá! Vocês não devem saber de tudo o que acontece comigo. Certo dia, Barney, continuava a dizer que era inocente e, sinceramente, já estava começando a acreditar nele. Mas, é claro que eu não tinha certeza se ele realmente se ele era. Até que um dia, no corredor da morte, a verdade veio com um guarda.

O nome do guarda era Gentil, com um maço de cigarro ele me contava as peripécias que acontecia em Molfon. E nesse dia, ele me contou tudo sobre um novo prisioneiro que chegou. Fiquei impressionado, e tive a certeza que Andrew Barney, era inocente.

Tudo aconteceu assim…

 

FLASH!

 

INTRO/CASA DE BARNEY/QUARTO/NOITE

Barney caminhava vagarosamente pela sala de sua casa, iluminada pelos abajures em cada canto da casa. Em sua mão esquerda segurava uma enorme garrafa de vodka, e na outra mão um revolver RT 44 calibre restrito com cano comprido e 242mm, 6 tiros e mira ajustável e pesava em torno de 1315g.

Em off o som dos gemidos da esposa de Barney ecoava. Barney se contraiu, olhou para um portarretrato que estava em cima de uma escrivaninha velha e decaída. No quadro um casal formado por uma mulher sorridente e com longos cabelos louros, ao lado Barney também sorridente.

Barney, fitou profundamente o porta-retrato, uma lágrima desceu dos olhos e escorreu até o terno, o porta retrato caiu no tapete estufado. Barney caminhou mais alguns metros, chegou até a porta do quarto e lá viu sua amada transando com um jovem rapaz com aproximadamente beirando a casa dos 19 anos. Desviou o seu olhar para a RT 44, pegou na maçaneta e a girou… Depois a largou, não teve coragem de prosseguir, saiu correndo deixando a arma cair sobre o tapete aveludado.

Após sua saída, um outro homem, que observava a sequência deste o começo, no entanto estava escondido atrás da cortina da sala, pegou a arma que Barney deixou cair no tapete com um pano, para não deixar as suas digitais nela..

Ainda no jardim, Barney ouviu tiros. Se assustou, Quem teria disparado os tiros?, no entanto quando ele voltou para a mansão se deparou com os corpos de sua mulher e amante, e sua arma estava caída no mesmo lugar. Barney com os olhos lacrimejados, percebeu que aquele era o princípio do fim.

Em off, o som de sirenes ecoava a quarteirões dali.

E foi assim, como tudo aconteceu.

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Rapidamente fui contar para Barney, é claro que ele ficou paranóico, tinha a chance de sair dali. Queria por que queria falar com o diretor de Molfon, mas não conseguiu. Sua condenação já fora declarada, não tinha mais nada a fazer. E seria executado daqui a 4 dias.

 

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2 dias para a execução.

 

Andrew passou seus últimos dias calado, isolado, sequer trocava uma palavra comigo. Mas a noticia que Andrew era inocente começou a se espalhar por toda a prisão, e os presos exclamavam: Deus do céu! Barney é mesmo inocente!

E creio que sim, que ele era o único inocente de todos nós aqui.

Mas nesse mesmo dia, um guarda veio até a minha cela, e me conduziu a sala do diretor.

-Ora, ora! – Pronunciou Betaldiner, severo como de praxe.

E continuei ali, em pé, e sem olhar diretamente em seus olhos cor de fogo.

-Sente-se! Ande! Sente-se!

E assim eu fiz.

-Vejo que fez uma amizade nesse meio tempo, não foi?

-Sim – falei, inseguro.

-Olha, fiquei sabendo que seu amigo descobriu a verdade, certo?

-Acho que sim.

-Fale direito comigo, inseto!

-Sim senhor, ele descobriu.

-Pois bem, hoje você será liberado do corredor da morte, não só dele, como de Molfon. Será inocentado de todos os crimes, contanto que não fale mais nada a Andrew.

-Porque isso, senhor?

-Simples, certo dia, fui até o banco, do qual Andrew Barney, era gerente, minha vida estava a míngua, pedi um empréstimo, mas o desgraçado não me concedeu, me ignorou, me tratou como se eu fosse um verme. Agora ele deve pagar, o que ele fez comigo.

No entanto, fiquei a deriva, não falei nada. Com uma raiva tremenda Betaldiner jogou o copo de água em um quadro, que estava escrito.

“A JUSTIÇA CHEGA PARA TODOS”

Quando voltei para minha cela, peguei algumas coisas minhas, em cima de minha cama, achei um envelope, era um encomenda que tinha pedido a algum tempo, peguei o envelope, e o abri.

 

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Peguei minha bagagem, mas antes fui até a cela de Andrew me despedir. O olhei nos olhos, e ele retribuiu o olhar. Levei minha mão até a sua, e nos cumprimentamos.

-Te espero ver algum dia, velho amigo.

E então ele percebeu que eu tinha deixado algo em sua mão.

 

Ao longe senti o cheiro de liberdade. Os portões se abriram.

Eu estava livre! Livre!

 

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15 minutos para a execução.

Sentando em sua cama, Andrew observava na palma de sua mão um objecto.

-Pronto, Andrew? – Perguntou Calie educado.

Ele disse que sim com a cabeça.

E em seguida, Calie começou a raspar a cabeça de Andrew, e naquele súbito momento começou a chorar, calado, em silêncio.

 

Depois, ele vestiu um uniforme branco. E então o prenderam e o começaram a levá-lo para o corredor da morte.

-Posso tomar água antes? – Pediu Andrew.

Calie o permitiu. Afinal só era um copo de água.

E então ele tomou.

 

Quando chegou a ver a cadeira elétrica, seu corpo estremeceu. Em seguida o amararam. Molharam uma esponja e colocou em sua cabeça. E sem seguida um capuz cobrindo-lhe o rosto.

Todos os condenados, e o director de Molfon foi presencias a execução.

E, em seguida, Calie prosseguiu dizendo.

– Andrew Barney, a eletricidade passara pelo seu corpo, até que você morra, de acordo com a lei estadual. Que assim seja.

Barney, respirou fundo.

-Antes, quero dizer algo para o Diretor!

E todos na sala se contrairam, inclusive o director Betaldiner.

-Não tive culpa do ocorrido, eu era apenas o gerente, estava cumprindo ordens. Mesmo assim, me desculpa.

-Já chega! Ligar a 2! – Ordenou Betaldiner.

E assim se fez. Andrew gemeu, não demorou muito. E a execução já estava feita.

Andrew estava morto!

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Alguns dos guardas pegaram o corpo de Andrew, e colocou em uma maca, e o levaram para um local escuro. O guarda então abriu uma espécie de alçapão, e jogou o corpo lá. O corpo de Barney se colidiu contra outros corpos. Alguns minutos ali. A mão de Baney corta o saco preto que o prendia.

Estava vivo! Andrew estava vivo!

E então ele começou a correr, correr, correr. Parecia que sabia para onde iria. Como poderia sobreviver á 2000 vts?

 

2 DIAS DEPOIS.

Com uma roupa elegante, Barney foi ate uma delegacia e explicou as milícias e como Molfon tratava os condenados e aonde eles jogavam os corpos.

Os policiais no entanto, não mediram esforços, e foram prender Betaldiner. Mas, eu ouvi dizer que quando os policiais chegaram lá Betaldiner tinha se  suicidado.

Agora eu penso, o que deve ter passado na mente dele, além da bala? Pois é. Essa era a redenção de Molfon.

E outra, disseram que Calie chorou feito uma mulherzinha quando o prenderam. Ninguém, nunca mais ficou sabendo de onde estava Barney em nem de mim.

Alguns tempos depois Andrew e eu nos encontramos novamente. E nosso encontro foi em um lugar lindo do qual todos nós ex penitenciários, por assim dizer, desejamos.

Estávamos na sombra do braço do Cristo Redentor, Rio de Janeiro.

Nos abraçamos, e mostrei a ele a família que tinha no Rio. E depois fomos conversar em como tudo realmente aconteceu.

-Parece que tudo deu certo – confirmei.

-É, deu certo sim.

-E como foi? Conte-me

 

FLASH!

 

MOLFON/CORREDOR DA MORTE/TARDE

O fato que vem a seguir é narrador por Andrew.

 

Blue pegou um envelope e o abriu, dentro dele, continha uma cápsula. Em seguida foi até a minha cela, e me cumprimentou, deixando comigo essa cápsula e um pequeno papel escrito.

“Não sei se isso vai dar certo, mas não custa nada tentar. Essa cápsula que esta em sua mão é feito com aquela borracha que você me pediu, lembra? Pois bem, tome ela, quando estiver na hora da sua execução, ela fará com que a eletricidade diminua em contato com o seu corpo. Seu coração vai parar de bater, mas vai voltar em 15 minutos, vão te jogar junto com outros corpos em uma floresta, quando acordar corra, o mais rápido, há uma roupa para você na 89ª árvore a sua esquerda, vista-a e conte tudo o que há de mais perverso em Molfon. Se tudo der certo até aí, me encontre, estou no Rio de Janeiro, nos braços do cristo.

Espero que esteja bem meu amigo.

BLUE!

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-Perfeito! – Falei.

-E agora, aonde vamos?

Pensei e depois disse.

-Para qualquer lugar, que não seja no inferno.

 

E o sol de repente, pegou tons carmesins, dando origem a uma aurora boreal.

Fim!

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