Club entrevista o psicólogo Alexandre Bez (Parte 1) – A influência da televisão na nossa sociedade

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O CLUB hoje vai se focar em descobrir a resposta da seguinte questão: Qual é a influência da televisão na sociedade? Qual o papel que ela pode desempenhar numa pessoa? Será que ela pode induzir á algo? Para isso vamos conversar com o Dr. Alexandre Bez.

Club entrevista o Dr. Alexandre Bez

Dr. Alexandre Bez é especialista em relacionamentos, psicólogo e escritor.

– VIDA E CARREIRA

O psicólogo Alexandre Bez é especialista em ansiedades e em síndrome do pânico pela Universidade da Califórnia (UCLA) e em relacionamento pela Universidade de Miami na Florida. Dr Alexandre também escritor suas obras até então foram “Inveja: O Inimigo Oculto”, “O que era doce, virou amargo” e já trabalha em novos livros.

Além dessa formação, o Dr. já marcou presença em diversos programas de televisão e de rádio. Sem contar de análises e artigos que foram pulicados em vários portais de saúde e bem estar e ocasionalmente cedido ao club outras análises. A entrevista ficou um pouco longa – foi dividida em duas partes – mas tenho certeza que vocês vão gostar! Acompanhem:

– BATENDO UM PAPO SOBRE TV

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CLUB – Como psicólogo você acha que a TV realmente consegue induzir a sociedade a algo que ela não tenha em mente?
BEZ – A TV é um importante meio de comunicação. Ela exerce um poder absurdo nas pessoas, de todas as classes sociais. Poderíamos resumir da seguinte forma: “A TV forma, desinforma e informa”.

CLUB – O que dizer da tal “manipulação” exercida por determinadas emissoras de TV. Ela realmente existe no Brasil?
BEZ – Sim, infelizmente existe no Brasil. Se tiver qualquer tipo de interesse através de sua programação, ele irá deslanchar. Pois, a ferramenta que um veículo televisivo possui de manipulação é extensa e vasta, fazendo com que seu propósito seja alcançado. Aí discorre a responsabilidade dos diretores/ produtores e jornalistas, em realizar programas sérios e não tendenciosos. Lembrando que, em 1989, certa emissora de TV “ajudou” a alavancar a candidatura de Collor, e que em 1990 a mesma emissora “colaborou” ao destrona-lo. A mesma coisa acontece com a propaganda na TV. Por isso, é tão caro anunciar em determinados horários nobres, o retorno é praticamente garantido. Assim como usar o marketing em novelas e filmes, a marca simplesmente dispara.


CLUB – Em relação às novelas, o que dizer dos vilões como Carminha, de Avenida Brasil, e Félix, de Amor à Vida. Porque as pessoas gostam tanto deles? Há certa identificação com esses vilões?
BEZ – Em primeiro lugar, pela dramaturgia. Já viu mocinho ganhar algum prêmio? É relativamente fácil desempenhar esse papel. Já a interpretação do vilão requer astúcia, empenho e um desempenho convincente na atuação. O fator psicoemocional de se encantar ou não são vários. Alguns gostam pela própria identificação consigo, ou seja, a pessoa possui a mesma característica de personalidade que a vilã/vilão, podendo ser psicopatia ou a maldade pura sem algum transtorno psiquiátrico que a rege.

Outros desenvolvem uma atração por esse tipo porque se sentem protegidos com figuras como estas por perto, querendo inclusive manter um relacionamento afetivo com alguém dessa natureza. Existe a ilusão, motivada por um pensamento delirante, achando que se namorar alguém de “alta periculosidade” estará seguro. Outros desejam um castigo aos vilões pela alta capacidade do desempenho irrefreável da maldade, mas agem assim porque também se encantam com eles. Existe certa curiosidade em saber até onde o vilão conseguirá chegar.  Já algumas pessoas fazem uma associação com os políticos do Brasil, ou seja, cometem crimes, roubam, mentem deslavadamente e não acontecem nada, exatamente igual àqueles vilões que possuem finais felizes.


CLUB – Na novela Amor à Vida o ciúme entre irmãos é bastante retratado. Em um artigo publicado você alerta para este mal, mostrando que os pais devem ficar sempre atentos. Quais os males que ele pode causar na família?
BEZ – O ciúme entre irmãos é muito antigo. Para quem acredita,  temos a história entre Caim e Abel para ilustrar. Mas, independente disso, cabe aos pais “dosar” a demonstração da preferência entre um e outro. Nunca me esqueço em um congresso que estive há muito tempo atrás nos EUA, onde o palestrante afirmou que os pais amam 100% seus filhos, e um deles 101%. É aí que reside o problema, pois, concordo com ele. Mas, a demonstração de afeto e carinho deve conter a mesma dose de amor a todos, sem deixar evidente de que há preferência por um dos irmãos. As brigas ocorrem por esse motivo mesmo. Outras, pela atitude e comportamento rebelde de algum dos filhos. Quando o filho necessita de mais atenção, por estar doente ou por ter alguma limitação, deve ser bem explicado ao outro filho o porquê a atenção é maior para o irmão. Os motivos são vários, mas a sabedoria de demonstrar igualdade sentimental tem que ser soberana, para não causar mais traumas e ciúmes. Caso não haja ponderação, pode-se desencadear uma série de ações negativas no filho que “entender” não ser amado o suficiente, que podem gerar ações maléficas.

 

CLUB – A partir de que ponto esse ciúme descontrolado pode resultar numa tragédia?
BEZ – Quando a frustração, assim como o sentimento de inferioridade, for perene ao aparato mental e o indivíduo não suportar mais a situação. E essa situação pode ocorrer através do nascimento de um irmão (ã). Pois, a cada dois ou três anos percebe-se preferência pelo nascimento do caçula. Se não houver intervenção rápida, no sentido de mostrar carinho e amor ao filho mais velho, ele perceberá o novo irmão como se fosse um inimigo, o que pode resultar em problemas futuros tais como: desavenças, brigas, transtornos domésticos, junto a um comportamento negativo, desenfreado, sem medir as consequências. Dependendo da estrutura de personalidade da pessoa envolvida, assim como de seu “rompimento”, as ações podem envolver altos atos de delinquência. Agora, havendo amor, carinho e igualdade, pode também pintar o ciúme, ganancia e interesse desses, que os levam a não estar dispostos a dividir nada.

 

CLUB – Os personagens das novelas são capazes de mudar comportamentos de quem os assiste ou isso não existe?
BEZ – As personagens das novelas têm poder total e absoluto para ditar modas, reger comportamentos, eliciar atitudes e determinar tendências. Não existe Brasil sem novela. Ela entra em nossas casa, nossas vidas, e faz parte de nosso cotidiano. O Brasil é líder mundial nesse segmento e temos que nos orgulhar disso. A novela não oferece apenas o entretenimento, mas também promovem informações e esclarecimentos de uma gama Diversificada e extensa de assuntos, que traz mensagens importantes e informando a população de algum assunto.

 

CLUB  – As novelas são um retrato da sociedade ou elas tentam criar determinados costumes e regras na sociedade?
BEZ – Ambos. Irá depender dos assuntos abordados e da visão e intenção do autor.

 

CLUB – O relacionamento com um destino trágico é o tema de foco do programa “Paixões Perigosas” de Adriane Galisteu na Discovery. A partir de quando o ciúme precisa receber maior atenção das pessoas?
BEZ – O ciúme normal é benéfico, é algo que faz parte de qualquer relacionamento amoroso. Sua falta total pode indicar um narcisismo perene aquela constituição de personalidade, ou ainda a escassez de sentimento numa relação. Quando há combinação de agressividade + ciúmes + possessividade + personalidade psicótica, o resultado é fatal. A dica é prestar atenção no comportamento de seu companheiro. Se ele achar que é seu dono, e se manifestar desse modo, caia fora! Preste atenção também em sua agressividade verbal, ela pode migar efêmeramente à física. Em qualquer caso, caia fora! Ele já está te dando dicas de como ele é no fundo. O ciúme doentio (patológico) impede a livre circulação da pessoa em sua rotina normal e afeta diretamente o pragmatismo diário desta pessoa. Quando há a constatação que sua vida está sendo controlada, e q você está tolhida, é o sinal de prestar atenção e averiguar qual é a melhor saída a se tomar. Preste atenção nas dicas que acabei de dar.

Na segunda parte da entrevista, vamos conversar sobre os diversos tipos de relacionamentos e seus conflitos emocionais. Vamos também destacar as obras do escritor e seus novos projetos.

**Agradeço todo apoio ao amigo e redator Leandro Conceio nesta entrevista

Henrique Oliveira

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