As Nordestinas | A Sonhadora de Maceió (part. 1)

Brasil. Nordeste. Cidade que tapa o alagadiço, em tupi: Maçayó, ou Maceió, cidade onde a nossa heroína de hoje se encontra. Sendo a 17ª capital mais populosa do país, Maceió abriga cerca de 940 mil habitantes, com um clima que varia entre 21 e 29 graus, não tão quente como dos outros estados. Cidade que encanta os olhos com suas paisagens naturais e humanizadas, é também um colírio quando se vê passando pela Praça do Centenário, uma deusa como nossa heroína de hoje: A Sonhadora de Maceió.

No Colégio São Francisco de Sales, em Maceió, Mariana saía correndo pelos pátios da escola a procura de sua amiga Eduarda.

Mariana – Duda! Aff, achei você.

Eduarda – O que houve?

Mariana – Amanhã tem clássico do Galo, borá?

Eduarda – Não, amiga, esqueceu que eu vou fazer a Olimpíada de Biologia?

Mariana – Deixa de ser CDF, vamos comigo, eu vou ver o Israel, aquele gato…

Três meninas apareceram então após ouvir a conversa delas, eram as indesejadas: Ingrid, Susana e Heloísa.

Susana – Coitada, fica sonhando com o Israel, ele nem sabe que você existe garota, se toca.

Ingrid – Concordo plenamente.

Heloísa – Aham!

Mariana – Olha, pra sua informação ele sabe que eu existo sim, é tanto que nós vamos tirar altas fotos amanhã no vestiário do Galo.

Ingrid – Duvi D, O, DO.

Mariana – Quer apostar?

Ingrid – Sim, mas o quê?

Mariana – Pintar o cabelo de azul, quem perder pinta o cabelo de azul.

Ingrid – Fechado.

 

As Indesejadas saíram e deixaram apenas Mariana e Eduarda no meio do corredor vazio.

Eduarda – Você vai ficar linda de azul, pode crer.

Mariana – O que é que eu faço? Meu cabelo é muito lindo pra mim descolorir e pintar.

Eduarda – Qual você prefere: turquesa ou anil?

Mariana – Eu não vou perder essa aposta, mas não vou mesmo.

Eduarda – Então, boa sorte, eu vou estudar pra minha olimpíada.

Mariana – Olimpíada? Meu cabelo corre risco de perder sua identidade visual e você tá pensando em Olimpíada? Essa prova já era… vamos pra minha casa.

 

Na casa de Mariana, mais precisamente no quarto dela, Eduarda e ela se encontravam olhando uma para cara da outra.

Mariana – Me dê algum conselho, me diz o que eu faço.

Eduarda – Além de comer as unhas? Sonhar, torcer, rezar.

Mariana – Ãhn?

Eduarda – Miga, você sabe que esse Israel não tem ideia da sua existência pra você tá assim.

Mariana – Claro que ele sabe que eu existo, quem você acha que manda twitts de bom dia, boa tarde e boa noite para ele? Eita, esqueci o de Boa Noite, vou mandar agora.

Eduarda – Para de enlouquecer, sua louca. A gente tem que pensar numa estratégia pra você entrar naquele vestiário.

Mariana – Eu vou invadir o campo, decidi, agora vou mandar o tt para ele…

Eduarda – Quer saber? Fique aí sonhando com ele e quando eu chegar em casa eu vou selecionar uns tons de azul que ficariam bem em você. Fui…

Mariana nem sequer ouvia o que Duda dizia, encontrava-se ocupada demais olhando o papel de parede do notebook dela.

 

No dia seguinte, Mariana acordara muito tarde, quase no horário de almoço, fizera a refeição e em seguida resolvera confeccionar alguns cartazes de “Israel, eu te amo” para chamar atenção. Enquanto cortava alguns papeis vermelho no formato de coração, Duda ligou para ela.

Mariana – Oi, Duda.

Eduarda – Pensou em alguma coisa?

Mariana – Chegando lá eu dou um jeito.

Eduarda – Então, eu tava olhando uns tons de azul na internet e percebi que se você fizesse uma coisa mais discreta…

Mariana – Desencana, Duda, eu não vou pintar meu cabelo porra nenhuma. Amanhã vou postar fotos minhas com o Israel no face e todo mundo vai curtir.

Eduarda – Falando em face, você olhou ontem o seu mural?

Mariana – Não, por quê?

Eduarda – Nada, nada, É melhor nem olhar.

Mariana – Vou olhar agora, daqui a pouco te ligo.

 

Mariana ligou o notebook, conectou-se ao facebook e ao ver as notificações no seu mural viu que Ingrid havia publicado algo. Foi ver o que era. Era uma montagem, ela com o cabelo e algumas coisas mais.  Mariana ficou furiosa e viu que muitas pessoas da escola haviam curtido a foto e comentaram. Entre eles, Jonatas, um dos mais populares da escola, ao Ingrid gostava. Ele postara “tá massa”. Ingrid estava online no chat.

Mariana – Viu o que o Jonatas comentou na minha montagem?

Ingrid – Tá se passando, palerma, ele tava tirando onda da sua cara.

Mariana – E a inveja?

Ingrid – Ãhn?

Mariana – Pois é, vou deixar ela lhe fazendo companhia. Agora vou me arrumar para ir ao jogo. Beijo e enxugue o veneno.

 

Mariana tomara um banho gelado para espantar a preguiça, vestira um short jeans para deixar as pernas um pouco frescas e vestira o seu manto, ou uniforme do CRB. Ela pedira para seu pai deixá-la no estádio e ao chegar lá fora procurar um lugar legal no qual pudesse ver seu ídolo jogando.  Pouco a pouco o estádio começou a lotar. Do seu lado sentara-se um cara meio gordo que tomava cerveja e à esquerda um homem com o filhinho no colo.

Narrador – O jogo já vai começar, os capitães tiram no cara e coroa quem vai ficar com a bola, e é o CRB quem consegue. Os jogadores se posicionam e lá vai o Luís Paulo com a bola, ele dribla o adversário e dá o passe para o Preto…

O homem que estava com o filho ao lado de Mariana começou a puxar papo com ela.

Luciano – Você é fanática pelo Galo, é?

Mariana – Sim, mas sou mais ainda pelo Israel.

Luciano – Ele anda jogando mal ultimamente…

Mariana – Claro que não, ele é o melhor jogador do time.

Luciano – Queria nem rir…

Continua…

Nota do autor*: O começo do fim, pois é, caro leitor, olhe onde estamos. Há cerca de 10 semanas atrás quando foi ao ar, oficialmente, esta webserie eu não me senti muito confiante. Com ela enfrentei crises e com ela superei todas elas. Mas essa declaração ficará para amanhã, pois só amanhã e apenas amanhã eu poderei dar um veredicto sobre ela, fazendo com que esses mesmo dedos que vos escreve a palavra “FIM” e dando para você alguns esclarecimentos. 

Hoje é dia de As Nordestinas

Hoje e amanhã, com o episódio A Hipnotizada de Maceió, a webserie As Nordestinas chega ao fim .

A imagem da atriz Jessika Alves não tem relação com a obra

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Mariana é uma menina sonhadora e fanática por seu time de futebol do coração, o CRB, ou Galo, como prefere chamá-lo. Mais do que ao CRB, Mariana, é apaixonada pelo jogador titular Israel Ferrari e apostou com umas garotas da escola que iria tirar uma foto com ele no vestiário do Galo, porém isso não vai ser nada fácil. 

As Nordestinas | A Hipnotizada de São Luíz (part. 1)

Planeta Terra, América Latina, Brasil, Nordeste, Maranhão, São Luiz. A cidade que tem uma crise de identidade foi fundada por franceses, invadida por holandeses e colonizada por portugueses, hoje em dia ela é possuída por mais de um milhão de cidadãos e cidadãs maranhenses. Cidade que já atingiu máxima temperatura de 35ºC e mínima de 15º, abriga a nossa heroína de hoje: A Hipnotizada de São Luíz.

 

Juliana e Malu entraram no salão da apresentação calmamente, sentaram numa mesa ao canto e esperaram o tão aguardado hipnotizador Yardim.

Juliana – Sei não, miga, mas isso parece ser roubada.

Malu – Só se for para ti, por que vai ser um máximo.

Juliana – Máximo? Só se for para ele que vai ficar enrolando trouxas como nós.

Malu – Psiu! Vai começar.

Um homem alto, com cavanhaque feito e traje a rigor subiu ao palco.

Ziraldo – Boa noite, senhoras, senhores e senhoritas!

Todos – Boa noite.

Ziraldo – Nós, da companhia Magical Fantasy, com artistas de todo o mundo gostaríamos de apresentar e esta cidade linda de nome São Luíz do Maranhão, o incrível, absoluto, com fama e renome internacional, Yardim.

Uma nuvem de fumaça preencheu o palco, Ziraldo desapareceu. Outro homem, um pouco mais baixo, um tanto mais gordo apareceu em seu lugar, mas tinha a mesma expressão séria. Ele chamou um voluntário com um gesto. Um homem jovem subiu ao palco e sentou-se no lugar reservado ao voluntário.

Juliana – Ao menos um voluntário bonito…

Malu – Preste atenção.

Juliana – Para de olhar pra ele sem piscar, o hipnotizado é ele, não você.

Elas silenciaram, o homem cerrou os olhos do voluntário e flexionou a cabeça dele, de modo que fosse para trás.

Yardim – Quando esta sino tocar e tuas olhos se abrirem, tu farás tua vontade imediata.

Juliana começava a sentir uma sonolência e fechou os olhos. O mágico bateu o sino. Dois olhos se abriram naquela sala, o do voluntário e de Juliana.

Juliana – O que eu perdi?

Malu – O homem vai fazer a vontade imediata.

Juliana – Eu vou ao toalete.

O voluntário começou a gargalhar descontroladamente.

Yardim – Agora, fechar olhos, e quando a sino tocar nuevamene, tu irás sair da transe.

O sino tocou e o homem voltou ao seu normal. Enquanto isso, Juliana estava saindo do toalete quando ouviu a batida do sino. Um dos seguranças estava lá perto.

Juliana – Oi.

Segurança – Sim… senhora?

Juliana – Senhorita, solteira, descompromissada, livre e desimpedida e você?

Segurança – Casado, compromissado, preso e impedido.

Juliana – Também, um homem forte e atraente como você só poderia ter uma esposa te esperando em casa.

Segurança – Mais alguma coisa?

Juliana – Sim.

E ela se atirou no segurança, beijando-o a força.

Segurança – Para, senhora. Pare!

Juliana – Não.

O segurança levou-a a força para fora do estabelecimento.

Juliana – Chama minha amiga, o nome dela é Malu.

Pouco tempo depois o segurança retornou com Malu.

Segurança – Tá aqui sua amiga maluca, ela não ta sóbria, vou logo avisando.

Malu – O que você tem na cabeça? Atacou o segurança do salão.

Juliana – Vamos embora.

Malu – Não, eu quero terminar de ver o show.

Juliana – Mas nós vamos fazer o que EU quero!

 

No apartamento de Juliana, Malu encontrava-se furiosa com a amiga.

Malu – Ju, você definitivamente enlouqueceu!

Juliana – Claro que não, onde eu tenho culpa se o guarda é uma delicia.

Malu – Cadê sua compostura? Num minuto eu olho pro lado e te vejo dormindo, depois você vai agarrar um segurança.

Juliana – Eu estava com vontade!

Malu – Parece até que você foi hipnotizada…

Malu fez uma pausa da frase e olhou para Juliana.

Juliana – Eu conheço essa cara…

Malu – Você foi hipnotizada!

Juliana – Sem chance!

Malu – Meu Deus, temos que ir atrás daquele Yardim agora.

Juliana – Olha essa chuva lá fora, você tá louca?

Malu – Eu não quero conviver com o seu lado sexopata, por favor, VAMOS!

Juliana – Mas nós vamos fazer o que EU quero!

 

Elas entraram no carro e foram direto para o salão em que o show acontecia, mas um carro colidiu em outro um pouco a frente delas e o transito parou.

Malu – QUE DROGA!

Juliana – Eu disse que não era uma boa ideia.

Malu – Eu odeio quando alguém me fala: EU AVISEI.

Juliana – Eu não disse “Eu Avisei” eu falei “Eu disse”.

Malu – É a mesma coisa, por favor, não me estressa.

As duas ficaram caladas por um bom tempo, Malu se irritara e dera uma imensa buzinada.

Juliana – Amiga?

Malu – Que é?

Juliana – Essa chuva dá um frio né?

Malu – É.

Juliana – Dá uma vontade de alguém para aquecer.

Malu – É.

Juliana – Sabe que eu sempre tive uma fantasia dessas…

Malu – Alto ar. Tá enlouquecendo é?

Juliana – Não, mas eu vou enlouquecer daqui a pouco. Sabia que você tem uma boca linda?

Malu – Para, para, para! Vamos sair daqui agora.

Malu ligou o carro e saiu por uns buracos inimagináveis daquele engarrafamento.

Juliana – Mas nós vamos fazer o que EU quero!

Nota do Autor*: Para este episódio só espero que as pessoas consigam rir, pois, nesta semana, em meio a exames e conflitos pessoas eu não pude escrevê-lo nos dias “úteis” e foi na manhã deste mesmo dia que pude me dedicar a ele. Até a manhã, com o final dessa  aventura irresistivel, você não pode deixar de conferir!

As Nordestinas | A Forrozeira de Caruaru (part. 2)

Anteriormente em A Forrozeira de Caruaru..

  • A banda de Jaqueline acabou:

Antonieta – Esse negócio de banda já era pra mim.

Jaqueline – Mas por quê?

Rita – Nós planejamos essa bandas desde os 15 anos, há 7 anos atrás. Já é tempo de desistirmos.

Jaqueline – Ok, vão embora. Deixem-me isolada, mas eu vou dançar em uma banda famosa e, um dia, estarei eu no Faustão, sabe onde? Dança dos Famosos.

  • Vitor tem uma ideia para Jaqueline dançar no São João:

Vitor – Cansei dessa sua deprê e tive uma ideia de genia.

Jaqueline – Me diz, me conta!

Vitor – Amanhã é abertura do São João e adivinha qual é a banda principal?

Jaqueline – Wesley Safadão e Garota Safada.

  • Vitor falha na tentativa.

Vitor – Será que não dá pra encaixá-la nas “sonho de valsa”?

Yuri – Poxa, cara. Infelizmente não. Tá muito em cima da hora.

A imagem das atrizes na abertura não têm relação com a obra.

Vitor – Você viu que eu fiz o que pude.

Jaqueline – Agora é a minha vez de tentar.

E ela saiu correndo ao encontro do empresário.

Jaqueline – Oi, Yuri.

Yuri Oi, gata.

Jaqueline – Nem deu tempo da gente se falar direito.

Yuri – É o Vitinho, fala demais.

Jaqueline – Oh, eu que o diga.

Yuri – Mas e aí?

Jaqueline – Sabe que eu te achei um cara superinteressante? Bem sabido, bonitão, tudo de bom.

Yuri – Brigadão.

Jaqueline – Então tem certeza que não dá pra me colocar nem em uma musica?

Aí ela foi colocando as mãos sobre o peitoral malhado dele e Yuri já ia seder, se Vitor não chegasse.

Vitor – Bafão, Jaques. Vem cá.

E ele praticamente arrastou a amiga para fora do hotel.

Jaqueline – Que raiva, Vitor. Eu quase consigo.

Vitor – Você quase consegue levar ele pra cama, isso sim.

Jaqueline – Não acredito que você destruiu minha chance por causa de ciúmes?

Vitor – E daí, tem outros meios.

Jaqueline – Quais?

Vitor – Matamos uma dançarina se for possível.

Jaqueline – Agora fui eu quem teve uma ideia.

 

No dia seguinte, Jaqueline acordara superanimada para com a festa, chegara até cantando na mesa da cozinha.

Fatinha – Tá feliz! Nem parece que quebrou tudo ontem.

Jaqueline – Ah, mãe. Hoje é dia de festa, abertura do São João.

Fatinha – Vai ser uma loucura, tá cheio de turistas. Eu vou é vender minhas coisas.

Jaqueline – Tá mãe, vai com Deus.

Quando a mãe saiu, Jaqueline repassou as coreografias da Garota Safada e depois ligou pro Vitor.

Jaqueline – Vem cá, migo.

Vitor – To chegando.

Tempos depois, Vitor chegou com uma mala enorme.

Vitor Olha o que eu trouxe.

Jaqueline – Mentira!

Vitor abriu a mala então mostrando seu conteúdo para a amiga.

 

Horas depois já estava tudo pronto, Jaqueline arrumada, Vitor saindo de casa para o pátio de eventos e as preparações a mil. No estacionamento do pátio eles se encontraram.

Vitor – Tá linda! Arrasei na make.

Jaqueline – Pior que arrasou mesmo, bora pra ação.

Vitor – É o seguinte, essa pulseirinha quer dizer que você vai ter direito a ir ao camarote como convidado do prefeito, o acesso é na parte de trás da estrutura. A segunda parte do plano é…

E ele contou o resto do plano a ela. Logo depois cada um foi para um canto e após alguns minutos ela estava na entrada dos camarins.

Segurança – Acesso?

Jaqueline – Convidada do prefeito. [E mostrou a pulseira].

Segurança – Pode entrar.

Havia várias salas, uma montada para cada banda da noite e a última sala tinha uma plaquinha dizendo: Garota Safada. Jaqueline lá entrou.

Empresário – Olá, quem seria você?

Jaqueline – Eu sou diretora da associação de dança e arte da cidade e vim fazer uma visitinha às dançarinas, pode ser?

Empresário – Claro, ela estão naquela sala se arrumando.

Jaqueline foi para a saleta e se deparou com um corpo de quinze mulheres se produzindo para o show.

Jaqueline – Olá, meninas.

Jéssica – Olá.

Jaqueline – Eu sou Clarisse, diretora da associação de dança e arte da cidade e vim fazer uma visitinha a vocês.

Vanessa – Obrigada.

Jaqueline – Eu sei que dançar durante um show é demasiado cansativo e para isso é necessário que vocês bebam bastante liquido para que não tenham complicações no quadro de saúde. Eu gostaria de conversar em particular com a líder de vocês, quem seria?

Jéssica – Nós não temos uma líder, mas eu me voluntario.

Jaqueline – Então vamos.

As duas foram para um sofá e conversaram um pouco, depois Jéssica voltou para perto das colegas enquanto Jaqueline trazia uma bandeja com copos cheios de água.

Jaqueline – Água para as estrelas do show.

Cada uma pegou um copo e Jaqueline aguardava pela que havia tomado o sonífero misturado com água.

Kelly – Tá um calor aqui, né?

Jaqueline – Vamos tomar um ar lá na janela?

Kelly – Vamos.

 

Na janela, Jaqueline segurou os ombros de Kelly e a mesma desmaiou.

Jaqueline – Socorro, gente. Ela desmaiou.

Jéssica – Quem desmaiou?

Jaqueline – A Kelly, a gente tava conversando e ela desfaleceu.

Jéssica – E agora? Não dá pra fazer os passos com o time incompleto.

Jaqueline – Se quiserem, eu me voluntario para substituí-la.

Vanessa – Mas você nem sabe os passos.

Jaqueline – Eu sou superfã da banda e sempre ensaio os passos de vocês.

Jéssica – Então vamos repassar a de Vamo Apostar, pra ver se você sabe mesmo.

Jaqueline, Vanessa e Jéssica fizeram a coreografia pelo som do iPhone de uma delas.

Jéssica – Até que você é boa.

Jaqueline – Tá de pé?

Jéssica – Agora é com o Wesley.

Jaqueline – Wesley?

Jéssica – Ali ele.

Wesley – Tá contratada.

Jaqueline – Posso te dar um abraço?

Wesley E eu dispenso abraço de mulher bonita?

Os dois se abraçaram e depois Yuri chegou.

Yuri Terminem de se aprontar por que o show vai começar.

Jaqueline correu para o camarim, vestiu a roupa, se olhou no espelho e disse ao seu reflexo.

Jaqueline – Essa é a minha chance, ninguém vai tirar isso de mim.

 

O locutor anunciou a chegada da banda, primeiro o baterista tocou um solo de “Caruaru, a capital do forró”, aí Wesley chegou, a multidão gritou e ele disse:

Wesley – O Brasil inteiro canta: Sorriso Maroto.

A melodia de Assim Você Mata o Papai e quando ele começou a cantar as dançarinas entraram com Jaqueline no meio delas. Ao fim da música, a banda parou e o cantor anunciou.

Wesley – Eu vou fazer essa interrupção agora apenas para apresentar a vocês a nossa nova dançarina, ela é desta terra, Jaqueline dos Anjos.

Jaqueline saiu do meio das colegas, foi para o lado de Wesley e se curvou diante o público.

Nota do Autor*: Oi, gente. Espero que vocês tenham realmente gostado desse episódio e meio que as pressas eu preparei uma chamada para o próximo episódio, por isso não se espantem com a edição, ok? Até semana que vem…


 João Paulo Alves

As Nordestinas | A Forrozeira de Caruaru (part. 1)

Capital do Forró, no Nordeste, é CARUARU! A cidade do interior com maior número de habitantes, foi nomeada em homenagem a uma espécie de lagarto também conhecido como Teju. Suas Festas Juninas duram 30 dias e foram reconhecidas pelo Guiness Book como a maior festa de São João do mundo, e é neste cenário que vive a heroína de hoje: A Forrozeira de Caruaru.

 As atrizes na abertura não têm relação com a obra.

 

Jaqueline, a heroína do dia, estava na casa das amigas ensaiando novos passos de forró para a futura banda “Mel de Abelha”.

Jaqueline – Vamos lá meninas, um, dois, três e…

Ela ligou o rádio na versão forró do sucesso “Assim você mata o papai”. E elas começaram a ensaiar os passo.

Jaqueline – Pra lá, pra cá… Frente, trás, esquerda, trás, direita, frente.

Cássia – Jaque, eu não entendo por que temos que ensaiar os passos sem ter uma banda.

Rita – Concordo.

Jaqueline – Gente, só falta achar UM cantor.

Antonieta – O mais importante.

Jaqueline – Claro que não, quem anima somos nós.

Cássia – Cansei. Eu tenho prova amanhã na faculdade, vou estudar.

Antonieta – Esse negócio de banda já era pra mim.

Jaqueline – Mas por quê?

Rita – Nós planejamos essa bandas desde os 15 anos, há 7 anos atrás. Já é tempo de desistirmos.

Jaqueline – Ok, vão embora. Deixem-me isolada, mas eu vou dançar em uma banda famosa e, um dia, estarei eu no Fastão, sabe onde? Dança dos Famosos.

Cássia – Sem drama, amiga, boa sorte na Dança da Galera.

Jaqueline – É dança dos FAMOSOS.

 

Jaqueline entrou em casa batendo a porta e soltando fumaça dos ouvidos. A mãe, que estava na cozinha foi chamar atenção da filha.

Fatinha – O que tá acontecendo aqui, mulesta?

Jaqueline – As meninas, a Rita de Cássia 1, a Rita de Cássia 2 e a Maria Antonieta desistiram da banda.

Fatinha – Fizeram bem.

Severino – O que tá acontecendo aqui?

Fatinha – Sua filha tá fumaçano só por que as amigas desistiram de formar a banda.

Severino – Jaqueline, você cuida de estudar e passar numa faculdade ou vai trabalhar na Quitanda mais eu.

Jaqueline – Mas, pai. Meu sonho é ser dançarina de forró.

Severino – Filha minha faz o que eu mando e ponto final.

Jaqueline – Droga, droga. NINGUÉM ME ENTENDE.

E ela foi para o quarto batendo a porta com toda força.

Fatinha – Essa menina ainda vai quebrar essa casa.

Severino – Eu só espero que ela quebre a cara antes dessa casa.

 

Jaqueline batia compulsivamente no travesseiro, não tinha mais ninguém com quem contar. O telefone tocou.

Vitor – Jaques, sua bitch. Cê tá aonde?

Jaqueline – Ai, Vitinho. Eu to em casa.

Vitor – Mas não tinha ensaio, eu preparei uns passos arrasadores.

Jaqueline – Ih, pois vai ficar só na preparação por que as meninas desistiram.

Vitor – Como assim? To passada.

Jaqueline – Pois é, agora sou Jaqueline dos Anjos, ex-Mel de Abelha.

Vitor – Ex? Não brinca, foi quase ex-Mel de Abelha.

Jaqueline – Que espécie de amigo você é?

Vitor – Daquela que te esculacha e depois te chama pra uma buchada. Bora?

Jaqueline – Com certeza!

 

Na buchada da Arminda, Jaqueline e Vitor conversavam sobre o fim da quase banda.

Jaqueline – Meu sonho! Sabe do que to falando? To abrindo mão de um sonho.

Vitor – Amiga, tem tantas bandas no mundo.

Jaqueline – Você sabe que minha mete é ser um dos sonhos de valsa do Safadão, mas minha própria banda serve também.

Vitor – Cansei dessa sua deprê e tive uma ideia de genia.

Jaqueline – Me diz, me conta!

Vitor – Amanhã é abertura do São João e adivinha qual é a banda principal?

Jaqueline – Wesley Safadão e Garota Safada.

Vitor – Isso mesmo, você vai arrasar lá.

Jaqueline – Mas como eu vou dançar lá?

Vitor – Eu vou conversar com um amigo meu.

Jaqueline – Amigo, é?

Vitor – Por enquanto.

Jaqueline – Hummm, perigoso.

Jaqueline foi com Vitor para o Hotel King Palace esperar o ônibus da banda chegar, passaram-se horas e nada.

Jaqueline – Quer saber? Esse ônibus ou chega amanhã ou tá vindo de ré.

Vitor – Nada a ver, por que se ele tiver vindo de ré ele chega amanhã.

Jaqueline – Ah, você entendeu.

Vitor – Sinceramente? Entendi.

Jaqueline – Ah, bate cabelo, o busão tá chegando.

Vitor – Que busão, aquilo é o safadobus.

Jaqueline – Emoção, vou ver o Wesley.

Vitor – Tu acha que ele vem no bus?

Jaqueline – Sim.

Vitor – Ela numa Landhouver nos fundos do hotel.

Jaqueline – E o que a gente tá fazendo aqui?

Vitor – Esperando o meu amigo, que está no ônibus.

 

O transporte parou, saíram técnicos, músicos, dançarinas e a cantora, mas nada de Wesley ou o amigo. Até que um homem desceu, alto, forte e roupas de grife. O alarme de Jaqueline começou a tocar.

Vitor – Ali meu amigo!

Jaqueline – Aquela perdição?

Vitor – Você nem arraste a asinha.

Jaqueline – Aff, paquera de amigo pra mim é mulher.

Vitor – Aqui, Yuri.

Yuri – Vitor, que bom ver você.

Vitor – Você vem pra Caruaru e nem sequer liga.

Yuri – São João de Caruaru tem presença do Wesley confirmada pelos próximos dez anos e você sabe disso.

Vitor – Mas não custa nada avisar.

Yuri – Mas me conte o que o fez ficar plantado na entrada do hotel?

Vitor – É minha amiga, Jaqueline.

E ele apresentou Jaqueline a Yuri.

Yuri – Linda.

Vitor – Então, ela é a melhor dançarina jamais vista.

Yuri – Entendo.

Vitor – Será que não dá pra encaixá-la nas “sonho de valsa”?

Yuri – Poxa, cara. Infelizmente não. Tá muito em cima da hora.

Vitor – Mas ela sabe todas as coreografias, que quebra esse galho.

Yuri – Nem dá, tenho que ir agora. Bom te ver.

Então Yuri saiu e deixou os caruaruenses sozinhos.

Vitor – Você viu que eu fiz o que pude.

Jaqueline – Agora é a minha vez de tentar.

E ela saiu correndo ao encontro do empresário.

Nota do Autor*: Olá mais uma vez, queridos leitores, a heroína de hoje é a minha conterrânea então eu tentei caprichar muito nela, embora minha vida esteja muito corrida e em breve eu anunciarei novidades para vocês que admiram meu trabalho. Abraço e até a segunda parte da saga dessa heroína.

As Nordestinas | A Hiperativa de Fortaleza (part. 2)

Anteriormente em A Hiperativa de Fortaleza:

  • Flávia terminou um relacionamento na primeira noite de amor:

Flávia – Ah, ah, ah, ah, ah…. [A voz dela estava mais aguda]

Lucas – Desse jeito não dá.

Flávia – Não paraaaaaaaaaaaaaaa…

  • Maria a aconselha a fazer aulas de dança:

Flávia – E o que eu vou fazer? Tomar remédio?

Maria – Acho que umas aulas de dança melhorariam a situação.

  • Flávia conhece uma professora de dança que na verdade é um professor:

Madame Lady – Safadinha. Me conta uma coisa?

Flávia – Pode perguntar.

Madame Lady – Você fez plástica né? Por que sua cirurgia foi muito bem feita. Me diz quem foi o cirurgião…

  • Mas ela consegue outro estúdio para aprender:

Sandra – Começamos segunda então querida, te espero.

Flávia – Brigada, dona Sandra.

As imagens das atrizes não têm relação com a obra.

À noite, Flávia e Maria estavam prontas para soltar a farra. No barzinho Cerveja & CIA, o mais movimentado da cidade elas sentaram no bar e aguardaram alguém aparecer com um drink.

Fábio – Boa noite.

Flávia – Ótima, quer dizer, boa.

Fábio – E você? [Disse se dirigindo a Maria]

Flávia – Ela não tá te ouvindo, é minha amiga muda, Maria de Fátima.

Fábio – Ah!

Flávia – Vamos dar uma voltinha?

Fábio – Mas e a sua amiga?

Flávia Ela sabe se cuidar.

Eles foram dar um passeio numa praça lá perto e uma mensagem chegou no celular de Flávia, era de Maria: “VOCÊ ME PAGA, BITCH”. Flávia apenas guardou o celular na bolsa e continuou a conversa.

Flávia – Então… minha amiga não é muda. Ela é casada, o que é pior.

Fábio – E por que você disse que ela é muda?

Flávia – O marido dela é muito ciumento, se ele sonhasse com ela dirigindo a palavra para algum homem seria capaz de se materializar na hora.

Fábio apenas riu do jeito bem humorado da acompanhante.

 

O sol amanhecia na segunda feira de Fortaleza, quente que só lá mesmo. Flávia iria faltar o trabalho naquele dia, por causa de um evento que aconteceria no começo da tarde e seu chefe liberou-a durante a manhã. Mal tomara café, mas fora direto para o estúdio de polidance.

Sandra – Flávia, chegou cedo, tudo bem?

Flávia – To ótima, superanimada.

Sandra To vendo, vamos lá?

Flávia – Vamos sim.

Não havia muitas pessoas lá, apenas quatro alunas, afora nossa heroína.

Sandra – Polidance é sensualidade e flexibilidade, então quanto mais vocês trabalharem a elasticidade do corpo, melhor será o resultado final. Portanto vamos fazer alguns exercícios.

A primeira aula se baseou apenas em exercícios de flexão do corpo, que foram capazes de deixar Flávia exausta. Maria logo ligara para sua amiga, a fim de saber como ocorreu a aula.

Maria – Eaí, como foi?

Flávia – To morta. Eu pensava que a gente só iria chegar lá e rodar no pau, aí ela manda a gente fazer flexão.

Maria – Eu sabia que não ia ser fácil, mas não queria te desestimular.

Flávia – Sei…

 

No segundo dia, a sessão foi mais complicada. Sandra queria explorar a sensualidade de suas alunas, queria que elas mostrassem seu “sex appel”.

Sandra – Ok, meninas, hoje nós só vamos nos alongar e mostrar um pouco da nossa sensualidade, vamo lá.

Flávia se sentia um pouco retirada, para ela, requebrar era coisa de rapariga e não estava nem um pouco solta.

Sandra – Garotas, parece que temos uma reclusa aqui.

Flávia corou.

Sandra – Docinho, sabe o que fazemos com as tímidas?

Flávia – Não.

Sandra – Nós tiramos a timidez.

Flávia – Como?

Sandra – Eu estava esperando você perguntar. Chama o Ricardão.

Flávia – Ricardão? Que Ricardão?

Então um homem alto, forte, corpo malhado e apenas de cueca e botas entrou na sala. Flávia ficou de boca aberta. Sandra sorriu e as outras garotas se sentaram.

Ricardão – Não se preocupe, gata, nada vai dar certo.

Então ele começou a dançar com a batida eletrônica que saia do som estéreo e pouco a pouco todo mundo foi relaxando, inclusive Flávia. No final do dia, porém, quem a telefonou foi Fábio.

Flávia – Fábio? Oi.

Fábio – Tudo bem?

Flávia – Tudo ótimo.

Fábio – E aí, quando, a gente vai sair?

Flávia – Que tal sexta-feira?

Fábio – Onde?

Flávia – Vem no meu AP, eu vou fazer uma comidinha especial, edifício Mar das Antilhas, número 402.

Fábio – Até lá então.

Flávia – Tchau.

 

Nos dias que se seguiram, Flávia se dedicou ao máximo ao oficio do polidance. Ensaiando no estúdio e em casa, treinando sua sensualidade e flexibilidade, sexta-feira fora marcado a última aula, durante a manhã.

Sandra – Preparada para o último ensaio?

Alessandra – Já vai sair, Flávia?

Flávia – Alê, a experiência foi muito boa, mas hoje é o dia da minha “missão”.

Alessandra – Entendo, hoje é o dia D.

Flávia – Exatamente.

Sandra – Chega de papo, quero todo mundo se esfregando nesse pau, por que não é brincadeira não.

Ao fim da aula, Flávia foi ter uma conversa com sua instrutora.

Flávia – Sandra, você acha que fui bem?

Sandra – Olha, eu já treinei muitas mulheres, mas você se dedicou com uma extremidade que eu jamais vi.

Flávia – Isso é um elogio?

Sandra – Sim, você treinou bem sua técnica, porém eu acho que o que você veio procurar aqui vai além de uma dança sensual, você busca o alto controle de um alterego.

Flávia – Como você sabe?

Sandra – Eu tenho um olhar diferente.

Flávia – Mas você acha que eu vou conseguir me controlar?

Sandra – Eu não tenho certeza, contudo, deposito minhas esperanças em você.

Flávia – Muito obrigada.

 

Em seu apartamento, antes do trabalho, Flávia matutou em sua mente o que sua instrutora de polidance dissera. “… porém eu acho que o que você veio procurar aqui vai além de uma dança sensual, você busca o alto controle de um alterego.” Porém, porém, porém… Era essa a palavra que mais a assustava.

 

Na hora do jantar, Flávia colocara uma roupa sexy e elegante, sandálias altas e seus melhores acessórios. A capainha logo tocara.

Flávia – Deve ser ele.

Ela se dirigira a porta calmamente e antes de girar a maçaneta respirou longamente.

Flávia – Olá.

Fábio – Eu te trouxe isto. [E sacou um buquê de flores de uma das mãos, na outra havia vinho].

Flávia – Que gentileza, entre.

Fábio entrou, sentou no sofá enquanto Flávia colocava as flores em um vaso.

Flávia – Você quer jantar agora?

Fábio – Vamos conversar um pouco, né?

Flávia – Vamos então.

Fábio – Eu encontrei a sua amiga, Maria de Fátima, essa semana. Ela me falou que vocês mal se viram…

Flávia – É que eu fiz umas aulas de dança nos meus horários vagos.

Fábio – Sério, dança de quê?

Flávia – É uma dança sensual.

Fábio – Eu quero tchu ou tcha?

Os dois riram e cantara o trechinho da música: “É uma dança sensual, eu disse faz o tchu, tcha, tcha”.

Flávia – Não é essa dança, não.

Fábio – Então dá uma palinha, aí?

Flávia – Não sei…

Fábio – Pode relaxar.

Flávia ligou o aparelho de som e uma música Arábica tocou. Ela começou a dançar, mas seus olhos guardavam o receio de não conseguir se controlar e sair gritando feito uma louca.

Flávia – Vem.

Fábio – Não sei…

Flávia – Vem…

Então ele foi e os dois dançavam em sintonia, até que começou uma batida eletrônica e os dois, isso mesmo, os dois começaram a dançar loucamente.

Flávia – Eu quero sexo. [Gritou]

Fábio – Então vem…

Flávia – Não sei…

Fábio – Vem…

 

E o destino mais uma vez surpreende nossa heroína. Ela só queria se controlar para alguém e de repente acharam uma pessoa ainda mais descontrolado que ela. Só uma nordestina mesmo…

Nota do autor*: Só para não perder o costume: “espero que tenham gostado” de Flávia e quero que todos estejam vidrados próxima semana, na vez da minha conterrânea, olha só o que vem por aí:

As Nordestinas | A Hiperativa de Fortaleza (part. 1)

Fortaleza, Terra da Luz, Nordeste, Brasil. A cidade com maior densidade demográfica do Nordeste chegou a ser a capital mais procurada pelos turistas em 2004, sendo a sede do Banco do Nordeste, da Companhia Ferroviária Brasileira e ainda abriga o maior parque aquático do Brasil, o Beach Park. É a terra do ex-presidente Castello Branco, de Rachel Queiroz e de José de Alencar. Força, valor e coragem. Este é o lema da cidade sede da nossa aventura de hoje, as confusões d’A Hiperativa de Fortaleza.

A imagem das atrizes a cima não têm relação com a obra.

No apartamento de Flávia, ela assistia a alguns filmes com seu namorado, Lucas. Já era tarde e, ao que tudo indicava, ele iria dormir por lá mesmo. Lucas foi passando as mãos pelas pernas de Flávia, subindo até sua blusa, arrancando aquela peça de roupa.

Flávia – Não, Lucas, agora não.

Lucas – A gente já tá namorando há um tempo, já tá na hora.

Flávia – É que… que…

Lucas – Que, o quê? Que eu não te excito?

Flávia – É que eu me descontrolo na hora… você sabe: Na hora H.

Lucas – É assim mesmo que eu gosto.

Flávia – Você não tem ideia de como isso é.

Lucas – Eu vou arriscar.

Sentindo-se pressionada, Flávia cedeu e relaxou a respiração. Os abraços foram ficando mais intensos, ela estava agora apenas vestindo roupas íntimas.

Lucas – Faz um stripe tease, amor?

Flávia – Não me pede isso…

Lucas – Vai. [Ele falou ao canto do ouvido dela e deu uma mordiscada bem na pontinha].

Flávia – Ai…

Flávia saiu do colo dele, então, e foi para o meio da sala. Começou a dar reboladas leves, mas seu olhar era apreensivo. Ela tirou o sutiã e o equilibrou na ponta dos dedos enquanto rodava.

Flávia – Você quer?

Lucas – Quero sim, joga.

E ela jogou. Em dois segundos Flávia tirou a calcinha, jogou para o lado e pulou em cima dele.

Lucas – Meu amor, o que é isso?

Flávia – Ai, meu Deus. Vai, vai, vai, vai!

Lucas – Calma.

Flávia – Ah, ah, ah, ah, ah…. [A voz dela estava mais aguda]

Lucas – Desse jeito não dá.

Flávia – Não paraaaaaaaaaaaaaaa…

 

No outro dia, Flávia se encontrava arrasada, em estado de choque. Ligara para sua amiga, Maria, e ela logo chegara para consolá-la.

Flávia – Maria, você não acredita no que aquele cretino fez.

Maria – O quê, bêfefe?

Flávia – Ele queria muito transar comigo, sabe? Aí quando eu finalmente me entreguei ele simplesmente disse que não dava mais e foi embora.

Maria – Isso foi o que todos os outros fizeram.

Flávia – Você é uma péssima amiga, eu to superarrasada, e você fica me colocando mais pra baixo.

Maria – Amiga, vamos entrar em consenso, você fica trilouca quando tem um pinto dentro de você e precisa se controlar.

Flávia – E o que eu vou fazer? Tomar remédio?

Maria – Acho que umas aulas de dança melhorariam a situação.

Flávia – Você quer que eu pague mico?

Maria – Eu quero que você pare de terminar com um namorado todo mês e me deixe dormir numa noite de sexta para sábado.

Flávia – Quer saber?

Maria – Não…

Flávia – Eu vou achar um cara legal, que me curta e vou fazer essas aulas de polidance para acabar de vez com isso.

Maria – Quem é você e o que fez com a minha melhor amiga?

 

Flávia saiu de casa determinada a dar a volta por cima e acabar de vez com sua fama de ninfomaníaca esquizofrênica. O primeiro estúdio que viu foi o de uma instrutora de polidance chamada Madame Lady (vai entender esse povo –‘).

Madame Lady – Olá querida?

Madame Lady era um travesti. O corpo tinha contornos perfeitamente femininos, mas o rosto largo entregava o seu verdadeiro sexo.

Flávia – Oi, a senhora que é Madame Lady?

Madame Lady – A própria Madame Lady Kate Sthefany Isabel Goma de Mascar e Raio Laser, prazer!

Flávia – O prazer é todo meu.

Madame Lady – E o que trouxe até aqui  gata?

Flávia – Eu vim fazer aulas de polidance.

Madame Lady – Você trabalha em alguma boate?

Flávia – Não, eu só quero seduzir o meu namorado.

Madame Lady – Safadinha. Me conta uma coisa?

Flávia – Pode perguntar.

Madame Lady – Você fez plástica né? Por que sua cirurgia foi muito bem feita. Me diz quem foi o cirurgião…

Flávia – Eu sou uma mulher.

Madame Lady – É o que todos, quer dizer todas, dizem.

Flávia – Eu não vou ficar aqui nem mais um segundo.

 

Nossa heroína continuou sua busca e na outra rua encontrou um estúdio controlado por uma mulher de verdade e várias outras MULHERES inclusive frequentavam o lugar. Seu nome era Sandra.

Sandra – Seja bem vinda, querida, o que deseja?

Flávia – Eu queria fazer umas aulas…

Sandra – Para esquentar a relação, né? Desse jeito as boates vão falir… Venha comigo, querida.

Sandra levou Flávia para conhecer o lugar, havia apenas três salas, todas com paredes revestidas de espelhos e barras de metais fixadas em vários pontos.

Sandra – Gostou do local?

Flávia – Tá aprovadíssimo.

Sandra – Começamos segunda então querida, te espero.

Flávia – Brigada, dona Sandra.

No apartamento de Maria, ela não parava de rir nem um minuto. Flávia chegou ao ponto de sentir constrangida com as gargalhadas da amiga.

Maria – Quer dizer que você entrou num estudo de uma travesti com o nome maior que o da princesa Isabel?

Flávia – Isso não tem graça.

Maria passou mais uns minutos rindo para ganhar fôlego e responder.

Maria – Claro que tem graça, é hilário.

Flávia – E você acredita que ela pensou que eu fosse transex? Foi o cúmulo…

Maria – Transex… (gargalhadas trilhoucas) essa mulher deve ser uma resenha.

Flávia – Para com isso, parece até uma criança.

Maria – Está bem, vamos falar de coisa séria. Menina, e a bolsa de valores? Uma loucura…

Flávia – Não precisa exagerar na dose. Vamos sair hoje né?

Maria – Com certeza, você precisa achar um novo gato.

Flávia – Eu não to desesperada.

Maria – Claro que não está, você só faz aula de polidance com um travesti.

Flávia – Para!

Nota do autor*: Tentei abusar de todo o meu humor nesse episódio e ainda pitei um pouco de safadeza, por isso o horário nova, de 23hrs, espero que estejam gostando e não percam a busca de Flávia pelo autocontrole e um novo homem.

As Nordestinas | A Indecisa de Natal (part. 2)

Anteriormente em A Indecisa de Natal…

  • Marina não consegue arranjar um namorado por que tem uma mania de superproteção ao meio ambiente.

Marina – Seu ingrato! Como é que a Terra te dá tudo o que você precisa para sobreviver e você ainda a destrói. Vá embora, eu preciso de um homem e não de um moleque incompreensivo.

Rodrigo – Eu vou embora mesmo, sua doida!

  • Priscila, amiga de Marina, resolve escrevê-la em programa de namoros na televisão local.

Marina – De me expor daquela forma, me candidatando a um programa de relacionamentos! Vão pensar que eu sou uma mulher extremamente carente.

Priscila – Claro que não! Aquilo foi para o seu bem, eu jamais deixaria você passar meses sem transar. Iria acabar parecendo uma velha.

  • A equipe do programa “00: encontro com quem eu quero” escolhe Marina como participante.

Televisão – Na verdade, não. Nós somos da produção do 00: Encontro com quem eu quero! E nós a escolhemos para ser a participante nesse fim de semana.

Marina – Mas eu não me inscrevi.

As imagens das atrizes na abertura não têm relação com a obra.

Nos estúdios do programa de relacionamentos mais badalado do Nordeste Brasileiro já estava tudo pronto. Marina ficaria numa cadeira de costas para os participantes, para que eles não a vissem, mas ela os veria no telão. Marina estava posicionada em sua poltrona, faltava apenas o diretor colocar o programa no ar.

Marcio – Boa Tarde Natal! Está começando mais um 00: Encontro com quem eu quero. E hoje quem vai se encontrar com quem quer é um mulherão, de 26 anos, que trabalha mais que marido de parideira e se viu sem tempo para um relacionamento. Segunda a descrição ela quer “subir pelas paredes”! UI! E lá está ela, sentadinha e prontinha, esperando apenas os capengas que ainda não entraram. Entre aí Herique, Rodrigo, Matheus, Carlos, Eduardo, Paulo, Rafael e Bruno.

Os rapazes entraram e a mulherada na plateia ficou igual à sirene de ambulância no transito de SP, piscando mais que tudo no mundo.

Marcio – Calma gente, o Justin Bieber não voltou ao Brasil. É só a nossa plateia! [RISOS] Então Mah, como você já deve saber, tu não irás ver nenhum deles até restarem apenas dois, mas você vai ouvir, vai tocar, vai delirar e muito mais. Na nossa primeira prova, a Marina vai fazer uma pergunta e todos os caras responderem, na última resposta, ela vai eliminar um deles. Qual a questão?

Marina – O que você acha das pessoas que lutam por causas ambientais?

Marcio – Vocês ouviram bem, é para dar a sua opinião sobre os reacionários. Então, por orde alfabética, Bruno?

Bruno – Eu acho bem bacana, sabe, ficara lá gritando e tals.

Carlos – É muito excitante, eu nunca fiz um protesto nessas causas, mas durante a faculdade fiz muita coisa do tipo e somente quem já o fez pode compreender.

Eduardo – Muito resenha por que nosso estado está se destacando pela grande área verde e isso está pedindo uma atenção maior que nem sempre é dada.

Henrique – Pra falar a verdade eu nunca parei para pensar sobre isso. Porém eu entendo essas pessoas que realmente agarram a possibilidade de salvar o nosso planeta.

Matheus – Bem, eu me formei em Geografia e Educação Ambiental e durante a graduação eu participei ativamente de alguns manifestos e achei muito interessante.

Paulo – São pessoas bem interessantes, eu tive a oportunidade de conhecer alguns e quando você conversa com eles pode ver o outro lado das coisas.

Rafael – Eu sempre tive vontade de participar dessas coisas, mas eu nunca soube realmente como que rinha que fazer pra entrar.

Rodrigo – Eu não tinha nada contra, mas conheci uma maníaca que me fez ficar traumatizado.

 

Marcio – E aí, quem vai ganhar o tchau e por quê?

Marina – O Bruno, por que eu achei a resposta dele muito vaga.

Marcio – Tchauzinho, Bruno.

 

Marcio – Na nossa segunda prova eles tiveram que responder a mais uma questão, só que desta vez elaborada pela produção e ela foi: “Qual a fantasia sexual que excitaria mais Marina entre quatro paredes?” De acordo com a resposta deles estão vindo o nosso médico, bombeiro, policial, tarzã, cowboy, mecânico e marinheiro.

Sete gogoboys apareceram no programa vestindo as respectivas fantasias e plateia vibrou mais uma vez.

Marcio – Marina, sem saber qual é a fantasia de quem, qual é a que não te excitaria de jeito nenhum?

Marina – Hmm, tá difícil, mas eu acho que é a de médico.

Marcio – Então vamos dar um Ra-re-ri-ro-rua para o Paulo.

 

As outras provas foram um pouco mais complicadas. Na terceira, o eliminado foi Eduaro, Na quarta, o Henrique, na quinta, o Rafael, na sexta o Carlos e finalmente só sobraram Matheus e Rodrigo.

Marcio – Agora que nós só temos dois finalistas, vamos finalmente deixar a Marina vê-los, mas só ela. Por favor, Juliana, coloque a venda nos dois rapazes. Marina vire sua poltrona calmamente e olhe para os dois. Essa é a prova do olhar, mas só depois do comercial vamos ver quem vai se encontrar com Marina às 0 horas.

O intervalo foi ao ar e Marina correu para onde Priscila estava.

Priscila – Migs, eles são gatinhos.

Marina – Tem um problema.

Priscila – O que?

Marina – Não tem o Rodrigo? Eu saí com ele no mês passado e ele jogou um côco na areia.

Priscila – Mas o Matheus também é gato.

Marina – Você não o reconheceu? Ele é o Kid Bengala Braco!

Priscila – O pegador de Natal?

Marina – O próprio.

Priscila – Meu Deus, eu não sei se rio ou se choro.

Produção – O programa volta em 3, 2,1.

 

Marina voltou ao seu lugar, onde Marcio se aproximava dela.

Marcio – Está pronta?

Marina – Sim.

Marcio – Bem, eles estão com a venda no rosto e ainda não te viram. Você precisa apenas beijar um dos dois e em seguida tirar a venda. Calma, meninos, vocês não irão se decepcionar.

Marina vai até Rodrigo, permanece um tempo parada na frente dele. Ela suspira e vê que não vale a pena, o escolhido será Matheus. Vai até ele e o beija, ternamente. Quando a venda é tirada, Matheus apenas sorri para ela e pisca o olho. Marina sente um arrepio na esquina.

 

O novo casal de Natal – Marina e Matheus – esta no apartamento da ecóloga e as indagações já estavam começando.

Matheus – A gente tá saindo há um tempo já, você não acha que já tá na hora de passar de fase?

Marina – Eu também acho isso, mas…

Matheus – Mas o quê?

Marina – Eu tenho medo.

Matheus – Você é virgem?

Marina – Não.

Matheus – Então sou eu, você não sente tesão por mim?

Marina – Sinto, só que eu tenho medo do estrago que você vai fazer!

Matheus – Então você tem medo do Kid Branco?

Marina – Sim.

Matheus – Eu tenho algo a lhe mostrar.

Ele então tirou o sinto e desabotoou a calça. Marina sentiu um frio na barriga e deixou crescer os olhos.

Marina – Eu pensava que era bem maior que isso.

Matheus – Tá dizendo que é pequeno?

Marina – Não, só que não é nem 30 cm.

Matheus – Não acredite em tudo o que o povo diz.

 

Ah, o amor! Seja ele com 18 ou 30 centímetros. O que importa é que todos subam pelas paredes com esse sentimento que penetra tão fundo dentro de nós.

Nota do autor*: Neste momento só quero agradecer a quem veio me acompanhando durante essa primeira fase da web, é uma imensa alegria ter conseguido chegar no meio da web serie sem complicações, recebendo elogios e até uns puxões de orelha. Para marcar o inicio da segunda fase da webserie eu escalei A Hiperativa de Fortaleza que é uma mulher extremamente divertida  e acho que vocès vão gostar. Confira a chamada: