Caminhos Singelos | Capítulo 35 [ÚLTIMO CAPÍTULO]

Plano Celestial

Miguel – É a sua missão, Pedro. Chegou a hora de decidir: Quer que Marina sobreviva e teça uma história de amor ao lado de Thiago ou prefere reencontrá-la aqui e poder cuidar dela você mesmo?

Pedro – Eu tenho que decidir agora?

Miguel – Se ela for viver, sim. A cada fração de segundo a saúde dela piora.

Pedro – Eu já tomei uma decisão.

Miguel – Qual é?

 

João Pessoa – Hospital Santa Luzia – Quarto de Marina

Depois que Andressa e Creusa puderam ver Marina na parte da manhã, Thiago pudera vê-la somente durante a tarde.

Thiago (EMOCIONADO) – Eu sei que você já passou por isso tudo, mas eu não vou saber o que fazer da minha vida se você não resistir. Logo quando eu pensava estar voltando a ser feliz, isso acontece.

Thiago apertou a mão dela.

Thiago – Eu te amo, Marina. Para todo o sempre, eu te amo.

O aparelho que monitorava os sinais vitais de Marina começou a detectar uma linha reta e a apitar. De súbito vários médicos entraram na sala e afastaram um Thiago estatelado do corpo. Eles usaram a técnica de reanimação nela, mas a linha continuava reta.

 

Plano Celestial

Miguel – Pedro, você está certo que é essa sua decisão?

Pedro – Sim.

Miguel – Então, que por toda luz que há no mundo, pela bondade que ainda há no ser humano, faça-se o seu desejo.

 

João Pessoa – Hospital Santa Luzia – Quarto de Marina

Os médicos foram persistentes e após várias tentativas conseguiram reanimá-la. O coração voltou a bombear sangue, o pulmão a receber o oxigênio, os rins a filtrar o sangue e todo o organismo estava novamente nos eixos agora.

Thiago – Ela tá viva?

Médico – Sim, mas foi por um milagre.

Thiago – Obrigado, Senhor!

 

Segunda-feira, as pessoas retomam suas rotinas nas cidades brasileiras. No aeroporto de Recife a movimentação também é agitada e alguns voos já estão de saída.

Creusa deixava Andressa no aeroporto para que ela voltasse ao Rio de Janeiro, contudo desta vez ela ia acompanhada.

Creusa – Seu voo já foi chamado, filha.

Andressa – Tchau, mãe.

Andressa abraçou a mãe.

Creusa – Deus te abençoe.

Rodrigo deu o braço a Andressa e os dois entraram juntos na sala de embarque.

Andressa – Cadê a Carolina? Eu não a vi o final de semana inteiro.

Rodrigo – Aquela ali quando resolve sumir, só o FBI pra achar. Mas o importante é que eu estou aqui com você, lá no Rio a gente esbarra nela.

Os dois se beijaram.

Fernando de Noronha – Hotel Luxus – Suíte das mil e uma noites

Carolina estava parcialmente nua na cama. Só não estava por completo, pois havia alguns doces espalhados em pontos específicos do corpo.

Marcelo – Não vale se mexer.

Carolina – Aí vai depender de você.

Marcelo foi adentrando calmamente na cama para não movimentar o corpo de Carolina e os doces caírem. Ele foi comendo um de cada vez, até chegar o que estava em cima dos lábios. Carolina se entregou ao beijo e deixou por enlaçar os dois corpos.

 

João Pessoa – Escola Machado de Assis

Otávio esperara o sinal bater para chamar Paulo e Maysa. Os três juntos, sentaram-se a um canto no jardim e Otávio falou o que sentia.

Otávio – Maysa, um final de semana inteiro já passou. Acho melhor você dizer logo com quem vai ficar. Se for o Paulo, eu vou entender.

Paulo – E se você escolher o Otávio, nós ainda vamos poder ser amigos.

Maysa – Eu não sei. Não dá pra escolher, só tenho dez anos. Não estou preparada para namorar ninguém.

Otávio – Mas eu tenho certeza que gosto de você!

Paulo – Acho melhor sermos nós três amigos, assim, quem sabe a Maysa não faz essa escolha depois, quando já for mais velha.

Maysa – É. É melhor.

Otávio – Amigos, então?

Otávio estendeu a mão e Paulo colocou-a por cima da dele, Maysa colocou por cima da de Paulo, Otávio sobre a de Maysa e Paulo sobre a de Otávio. Juntos eles jogaram os braços para o alto e gritara.

TODOS – AMIGOS!

João Pessoa – Apartamento de Thiago

Thiago estacionava o carro na garagem do edifício. Ele descera do automóvel e fora a outra porta para pegar Marina.

Thiago – Chegamos.

Marina – Ainda bem.

Ele a tirou do banco e a colocou nos braços.

Marina – Não precisa fazer isso.

Thiago – E se eu quiser?

Marina – Eu vou dizer que te amo.

Thiago – E eu vou reafirmar pela milésima vez que você é a mulher da minha vida.

Ele a beijou com a mesma em seus braços.

 

João Pessoa – Clínica Santa Clara

Era dia de terapia coletiva na Clínica Santa Clara, todos os pacientes se reuniram diante de um circulo nos jardins do lugar. Havia apenas uma médica ali, mas até ela própria contaria uma experiência de sua vida. Quem falava, naquele momento, era uma mulher chamada Helena.

Helena – Eu vivia um casamento perfeito, aos meus olhos, meu marido era tudo o que papai sempre sonhou para mim, mas aos poucos eu fui descobrindo os envolvimentos dele. Ele se insinuava para as empregadas, as babás dos meus filhos. Até que eu cheguei em casa mais cedo depois de um dia de trabalho e o encontrei na cama com a babá da época. Nossa, eu fique possessa, comecei a quebrar tudo, quase matei os dois. Por muitos dias eu fiquei trancada dentro do meu quarto, sem comer, sem dormir, chorando, ele me deixara acaba. Entrei em depressão, meus irmãos resolveram então me internar aqui e eu posso sentir que a cada dia que se passa eu vou ficando melhor.

Pela ordem, depois da história de Helena, era a vez de Clarisse partilhar uma experiência. Ela respirou fundo e começou a contar:

Clarisse – Eu ainda era criança, tinha só doze anos. Minha mãe fora visitar minha avó que estava doente e levara meus dois irmãos que eram menores. Eu fiquei com meu pai, mamãe havia prometido que só ficaria alguns dias, mas depois minha avó acabou falecendo e ela permaneceu por lá durante um mês e meio. Com meu pai, eu vivi um inferno. Ele não me deixava ir a escola, obrigava-me a cozinhar, arrumar toda a casa e depois ele me batia. Batia só por bater, por ter perdido dinheiro, por minha mãe não voltar, ele descontava tudo em mim. Acho que foi aí que eu comecei a alimentar tanto ódio em meu coração.

Plano Celestial

Pedro contemplava o jardim que conseguira plantar, com flores de diversas formas, de diversas cores, era uma beleza realmente vistosa, um colírio.

Miguel – Vejo que cuidou muito bem dessa terra.

Pedro – É muito bom olhar por nosso trabalho assim, pronto.

Miguel – Lembra que assim que você chegou eu falei que antes de reencarnar nós tínhamos de cumprir uma missão?

Pedro – Sim.

Miguel – Você cumpriu a sua naquele dia em que não foi egoísta, deixou que Marina seguisse o rumo dela. Deixou-a viver mais.

Pedro – Para mim, o sentido do amor é colocar a felicidade da pessoa amada a cima da sua. E eu tenho certeza que Marina não seria feliz sem antes viver sua história de amor ao lado de Thiago.

Miguel – Então, você já está pronto para reencarnar.

Pedro – Mas assim? Sem me preparar?

Miguel – Acredite, você já passou por demasiadas provações. Siga-me ao ministério do renascimento.

Os dois caminharam juntos pela cidade até a grande luz, onde, quando as pessoas entravam, tinham a oportunidade de voltar a Terra e recomeçar uma nova vida. Pedro deixou-se hipnotizar pelo brilho e absolvido foi por aquela fonte de energia.

Mais tarde, em alguma locação no continente africano, uma criança nascia para levar esperança àquele solo.

 

Caminhos Singelos | Capítulo 34 [PENÚLTIMO CAPÍTULO]

João Pessoa – Hospital Santa Luzia – Quarto de Marina

Thiago entrou no quarto e se deparou com Clarisse pressionando um travesseiro contra o rosto de Marina, tentando matá-la.

Thiago – Clarisse, para com isso!

Clarisse olhou para traz e soltou o travesseiro.

Clarisse – O que você tá fazendo aqui? Não era pra você estar aqui. Era para você vê-la morta.

Thiago – Você tá louca? Eu a amo.

Clarisse – Então me coloca na cadeia logo e viva com ela o seu “felizes para sempre”.

Thiago – Eu não vou te colocar na cadeia por que você é a mãe do meu filho, mas você vai me acompanhar para um lugar.

Thiago a pegou pelo braço e saiu arrastando-a para seu carro.

 

João Pessoa – Escola Machado de Assis

Otávio fora alegre à escola, na esperança de encontrar Maysa, porém não a encontrou em nenhum lugar, não estava, no pátio, nem na sala de aula. Resolver esperar para ver se ela chegaria, mas passaram-se todas as aulas antes do recreio e ela não fora.

Otávio (PENSANDO) – Já sei, vou à diretoria.

Dito e feito, ele fora conversar com a diretora.

Diretora – Olá, Otávio.

Otávio – Eu queria saber por que a Maysa não veio hoje,

Diretora – Você não soube? A mãe dela a tirou da escola.

Otávio – O quê?

Diretora – Isso mesmo, ela já pediu transferência, falta só o documento sair.

Otávio – Não pode ser. Isso não pode ser!

 

João Pessoa – Hospital Santa Luzia – Recepção

Andressa chegara ao hospital sozinha e se espantara ao ver que Thiago e Clarisse não estava lá. Ela se direciona para a recepção.

Andressa – Moça, você sabe onde está o casal que esperava aqui pela paciente Marina Lima e Silva?

Recepcionista – Eles acabaram de sair.

Andressa – Que estranho…

Ela voltara para a espera e permanecera sentada até sua mãe chegar ao local.

Creusa – Onde está minha filha?

Andressa – Bom dia.

Creusa – Bom, as onde está minha filha?

Andressa – Ela tá bem, eu é que to mau.

Creusa – Você tá aí, vivinha.

Andressa – Por dentro eu não to. To muito é morta.

Creusa – Sem dramas pro meu lado.

Andressa – Me perdoa, mãe. Me perdoa se eu fiz algo errado, mas foi o caminho que eu achei para mim.

Creusa – Eu não consigo te perdoar. Não sei se conseguiria carregar esse peso, essa vergonha, essa desgraça.

Andressa – Não é nenhuma desgraça, eu tenho um trabalho digno como qualquer outro, tenho uma empresa, eu produzo filmes adultos, vendo-os e me sustento. Não to fazendo nada ilegal.

Creusa – Tantas áreas… você é tão inteligente…

Andressa – Mãe, sabe quanto eu recebo por mês?

Creusa – Quanto?

Andressa – 5 dígitos.

Creusa arregalou os olhos.

 

João Pessoa – Clínica Santa Clara

Thiago levara Clarisse para um clinica psiquiátrica numa área um pouco afastada da cidade.

Clarisse – Você vai me internar? Numa clínica para loucos?

Thiago – Qualquer pessoa que tente matar um ser humano só tem duas saídas: a prisão ou o tratamento.

Clarisse – Não me deixe sozinha aqui, eu prometo que paro com isso, eu prometo.

Thiago – Parar de quê? De matar? Eu não vou deixar meu filho ser criado por uma desequilibrada.

Clarisse – Não me deixe aqui, Thiago, por favor! NÃO ME DEIXE!

Os enfermeiros viram a agitação de Clarisse e começaram a levá-la a força. Uma médica foi falar com Thiago.

Médica – Você tem certeza que deseja fazer isso?

Thiago – Infelizmente, tenho.

Médica – Você deve saber que se for constatado que ela não possui nenhum transtorno ou desvio nós a daremos alta.

Thiago – Eu tenho consciência disso.

Médica – Então, passar bem.

 

Recife – Trabalho de Marcelo

Marcelo fazia alguns balanços financeiros quando seu celular tocou, era um número desconhecido, porém o DDD era de João Pessoa e ele já imaginava quem era.

Marcelo – Alô?

Clarisse (Desesperada) – Marcelo? Por favor, me ajude.

Marcelo – O que aconteceu?

Clarisse – Foi o Thiago, ele me internou numa clínica para loucos.

Marcelo – O que você aprontou dessa vez?

Clarisse – Venha aqui, por favor, me ajude.

Marcelo – Está bem, eu já estou a caminho. Mas qual é o nome daí?

Clarisse – Clínica Santa Clara. Venha logo, por favor!

 

João Pessoa – Escola Machado de Assis

Otávio saíra da aula, desanimado, fora para o pátio frontal e se encolhera em um canto qualquer, a espera de sua tia Carolina.

Maysa – Otávio?

Otávio – Maysa?

Maysa – Não tá feliz em me ver?

Otávio – Mas a diretora disse que você vai sair da escola.

Maysa – Eu ia sair, só que eu falei com meu pai e ele conversou com a minha mãe, aí eu não vou sair mais.

Otávio – E o que você veio fazer aqui?

Maysa – Minha mãe vai dizer a diretora que eu vou ficar e eu aproveitei para te ver.

Otávio – Ah, você lembra de ontem?

Maysa – Claro, a briga, a confusão…

Otávio – Não, antes disso!

Maysa – O quê?

Otávio – Você ia dizer alguma coisa, antes do Paulo atrapalhar.

Maysa – Ah, sim. Eu não sei como dizer.

Otávio – São só três palavras.

Maysa – Eu fiquei confusa depois do que o Paulo disse.

Otávio – E quem você vai escolher?

Antes que Maysa pudesse responder Carolina foi ao encontro deles.

Carolina – Vamos, Tavinho. A gente ainda tem que passar em outro lugar.

Otávio – Tá bom. Tchau, Maysa.

Maysa – Tchau, Otávio.

Ela colocou uma mecha do cabelo para trás da orelha enquanto observava Otávio partir.

 

João Pessoa – Hospital Santa Luzia

Andressa estava sentada no sofá com sua mãe quando pegou na mão dela e se levantou.

Creusa – O que há?

Andressa – Eu preciso te apresentar uma pessoa.

Creusa – Quem?

Andressa – Apenas venha.

Ela a levou para onde Thiago estava.

Andressa – Thiago, essa a minha mãe, Creusa.

Thiago – Prazer em conhecê-la, Dona Creusa.

Andressa – Mãe, esse é o namorado da Marina.

Creusa – Então esse é o famoso?! Encantada.

Eles conversaram mais uma coisa e então Carolina chegou com Otávio.

Carolina – Oi, gente.

Thiago – Oi, Carol. E aí, Filhão?

Carolina – Cadê a Clarisse?

Thiago – Andressa, você olha o Tavinho pra mim conversar com a Carol um instante?

Andressa – Claro.

Os dois se afastaram um pouco de grupo e Thiago respirou fundo para explicar a situação à Carolina.

Carolina – Vamos, Thiago, diz logo o que está acontecendo.

Thiago – É sobre a sua irmã.

Carolina – E o que há com ela?

Thiago – Está internada em um clinica psiquiátrica.

Carolina – Você colocou minha irmã num hospício?

Thiago – Não, uma clinica psiquiátrica é diferente.

Carolina – Minha irmã é muito sã, não sei por que você fez isso, mas não deveria tê-lo feito sem me consultar.

Thiago – Acho melhor você procurá-la.

Carolina – É exatamente isso que irei fazer, onde ela está?

Thiago – Clínica Santa Clara.

Carolina – Perto dos jardins?

Thiago – Sim.

Carolina – Eu já passei por lá algumas vezes.

 

João Pessoa – Clínica Santa Clara – Recepção

Marcelo chegara a clínica e fora a recepção.

Marcelo – Boa tarde, eu gostaria de falar com a paciente Clarisse Albuquerque de Oliveira.

Recepcionista – Ela está no quarto, quer que a chame?

Marcelo – Não precisa, só me diz onde fica?

Recepcionista – Claro, saindo por aquela porta você vai atravessar um jardim e encontrar um chalé. Ela está no quarto Flor Cigana.

Marcelo – Obrigado.

Marcelo seguiu todas as instruções da recepcionista e se direcionou ao quarto de Clarisse. Ele bateu a porta e uma voz vinda de dentro permitiu sua entrada.

Clarisse – Ainda bem que veio.

Marcelo – Eu preferiria te reencontrar em outras circunstancias.

Clarisse – Me tira daqui, eu não to maluca.

Marcelo – Por que ele tentou te internar aqui?

Clarisse – Isso não importa, mas me ajude a fugir e a gente pode fazer uma longa viagem, dar uns amassos por esse Brasil…

Marcelo – Corta essa, Clarisse, nossa relação era carnal, nunca passou disso. Sexo!

Clarisse – Sexo é muito pouco, é sexo bom demais.

Marcelo – Eu não vou te ajudar a fugir.

Clarisse – O quê? Você também vai me virar as costas?

Marcelo – Eu não to te virando as costas. Mas não vou te tirar daqui.

Clarisse – Então vá embora. Some daqui!

 

João Pessoa – Clínica Santa Clara – Recepção

Carolina chegou a clínica extasiada e se dirigiu direto a recepcionista.

Carolina – Eu quero falar com Clarisse Albuquerque.

Recepcionista – Outra pessoa?

Carolina – Tem alguém com ela?

Recepcionista – Sim, um homem.

Carolina – Ah, deve ser o meu irmão. Pode me dizer onde eles estão?

Recepcionista – Sim, passando da porta, é só cruzar o jardim e entrar no chalé. O nome do quarto é Flor Cigana.

Carolina – Obrigada.

Carolina fez tudo que a moça dissera, mas ao chegar na porta do quarto percebeu que ela estava entreaberta e viu que não era Rodrigo quem estava lá. O homem caminhava em direção à saída, Carol se encostou a um canto da parede.

Marcelo – Quem é você?

Carolina – A irmã da Clarisse, eu tava só esperando você sair pra ir falar com ela.

Marcelo – Clarisse nunca me falou que tinha uma irmã tão bonita.

Carolina Ela também não me contou o pedaço de mal… aliás… a BR-16 de mal caminho que era o amante dela.

Marcelo – BR-16?

Carolina – Me beija logo.

Sem pensar duas vezes, Marcelo a beijou ali mesmo.

 

Plano Celestial

Pedro sentara-se nos jardins para pensar, mas nem teve tempo para o fazê-lo, pois logo Miguel interrompeu seus pensamentos.

Miguel – Refletindo?

Pedro – Lamentando definiria melhor.

Miguel – Marina é o nome do langor?

Pedro – Sim, ela vai sobreviver?

Miguel – Cabe a você decidir.

Pedro – Como assim?

Miguel – É a sua missão, Pedro. Chegou a hora de decidir: Quer que Marina sobreviva e teça uma história de amor ao lado de Thiago ou prefere reencontrá-la aqui e poder cuidar dela você mesmo?

“Caminhos Singelos”: Clarisse tenta matar Marina mais uma vez

Marina sobreviveu ao afogamento provocado por Clarisse, mas a vilã não pretende deixar barato e tenta matá-la mais uma vez, agora, com uma tática mais eficiente. Leia uma versão inédita da cena, escrita na visão de CLARISSE!

–x–

NARRADOR: CLARISSE

INT. QUARTO DE HOSPITAL – LEITO DE MARINA – JOÃO PESSOA – DIA

Marina teve sorte de escapar da primeira vez, mas desta vez ela não irá. A ideia do afogamento foi simplesmente perfeita! Mas parece que essa mulher tem alguma especie de “anjo” que a protege contra tudo e contra todos. Dois acidentes… ela não vai resistir a um terceiro. Entrei no quarto, me aproximei do corpo dela e ajeitei uma mecha do cabelo dela. 

Clarisse – Eu tenho tanta pena de você, Marina. Foi se meter no meu caminho, deveria ter morrido logo quando tentei de afogar, mas se você é tão persistente assim, eu prefiro acabar com isso de uma vez por todas. 

Peguei um travesseiro que estava debaixo da cabeça dela e o pressionei sobre o seu rosto sem o menor pudor. De acordo com o aparelho, a frequência cardíaca estava começando a cair, era só continuar por mais alguns instantes e pronto. Mas a porta abriu, virei meu corpo para ver quem era e me assustei. THIAGO!

CAMINHOS SINGELOS – CLUB +TV

SEGUNDA A SEXTA – 19HRS

Caminhos Singelos | Capítulo 33 [ÚLTIMA SEMANA]

Clarisse empurrava o corpo com cada vez mais força para fundo da piscina, enquanto, em uma tentativa vã, Marina se debatia, esperneava e ouvia seus gritos abafados pela água que lhe tirava o ar. Por um momento, um filme passou pela sua mente, desde brincadeiras com a irmã, até o casamento com Pedro, e a morte dele, lembrou-se dos beijos calorosos de Thiago e da rejeição da sua mãe para finalmente os olhos se cerrarem. Sem saber se um dia eles voltariam a se abrir.

Clarisse, sempre atenta, avistou um homem e soltou o corpo que começou a boiar e ela se afastou.

Clarisse (GRITA) – Socorre, alguém me ajude, ajude minha amiga!

O homem percebeu a agitação da megera e, sem pensar duas vezes, correu para a aérea da piscina e pulou para salvar a mulher. Primeiro foi até Clarisse, mas ela o rejeitou e fez sinal para ele pegar Marina.

Clarisse – Pegue-a, eu estou bem. Ela se afogou!

O homem desconhecido levou o corpo de Marina para a borda e realizou respiração boca à boca nela, tampando as narinas e inserindo ar no corpo dela. Enquanto isso Clarisse fingia estar traumatizada com a situação.

Homem – Ligue para uma ambulância, agora!

A vilã correu para onde estava o celular e ligou para o SAMU, logo em seguida voltou para ver com o home se saía. Mais uma vez ele tentou reavivá-la e desta vez ela começou a tossir a água que engolira.

 

Plano Celestial

Pedro de repente sentira uma tontura e caíra no chão, Miguel acompanhou a cena assustado.

Miguel (Tentando acordá-lo) – Pedro? Pedro? O que tá acontecendo com você? DIZ!

Mas ele continuava inerte, subitamente Francisco aparecera e pousara a mão no ombro de Miguel.

Francisco – É a mulher que você guarda, Miguel. Aquilo que previmos já está acontecendo.

Miguel – Mas por que ele está desfalecido?

Francisco – Quando ele falecera um laço muito forte entre eles teve que ser rompido, porém essa união parece ter sobrevivido até mesmo à morte.

Miguel – Isso significa que ela também está vindo?

Francisco – Não cabe a mim decidir isso.

Miguel – E cabe a quem?

Francisco – A ele. Quando acordar. Se acordar.

 

João Pessoa – Motel Boa Vista – Recepção

Andressa e Rodrigo estavam encerrando a estadia no motel quando o celular dela tocou. Era o número de Marina, decerto ela queria saber por que sumira o dia inteiro.

Andressa – Alô, mana.

Clarisse – Aqui não é a sua irmã, é a Clarisse.

Andressa – Ah, oi, Clarisse.

Clarisse – Andressa, a sua irmã não tá bem. Aconteceu algo com ela no clube.

Andressa – O quê? Fale logo, eu to ficando preocupada.

Clarisse – Nós estávamos tomando um banho na piscina e ela… ela…

Andressa – Ela o quê?

Clarisse – Ela se afogou.

Andressa – O quê? Cadê ela? Ela tá bem.

Clarisse – Nós estamos no hospital Santa Luzia. Venha para cá o mais rápido possível.

Andressa – Eu já to a caminho.

Andressa desligou o telefone, Rodrigo percebeu que ela estava demasiadamente agitada.

Rodrigo – O que houve?

Andressa – A minha irmã, aconteceu alguma coisa com ela. Está para o hospital Santa Luzia, você sabe onde é?

Rodrigo – Claro, eu te levo.

 

João Pessoa – Hospital

Clarisse estava aflita, temendo Marina sobreviver e contar tudo para seu ex-marido. Ela resolveu ligar para ele e contar a sua versão, primeiro.

Clarisse (ao telefone) – Thiago, você precisar vir ao hospital Santa Luzia urgentemente.

Thiago – O que aconteceu? Foi algo com o Tavinho?

Clarisse – Não, mas foi com a Marina. Você nem vai acreditar, ela se afogou!

Thiago – Ela o quê? To indo praí agora…

Clarisse desligou o celular e viu Andressa se aproximando dela com Rodrigo, surpreendentemente, ao seu lado.

Andressa – O que você fez com a minha irmã?

Andressa segurou nos braços de Clarisse e começou a balançá-la.

Andressa – Fala, sua louca, o que você fez com ela.

Clarisse – Eu não fiz nada, me largue.

Andressa – Então me conta essa história direito.

Clarisse – Tá eu conto. A gente tava nadando na piscina e parece que ele teve cãibra ou sei lá e começou a se afogar. Aí quando eu vi, eu comecei a gritar por ajuda por que não aguentava o peso dela e um homem, muito gentil, me ajudou.

Andressa E como ela tá?

Clarisse – Tá desacordada, mas parece que o perigo maior já passou. Ela não foi nem para a UTI.

 

Recife – Apartamento de Creusa

Creusa estava sentada à mesa, fazendo a oração de graças para ter uma refeição, porém o telefone tocou e ela sentiu-se atraída a atendê-lo.

Creusa – Será possível que nem comer eu vou conseguir hoje.

Ela tirou o telefone do gancho e o pôs no ouvido.

Creusa – Alô?

Andressa – Alô, Creusa, é a Andressa.

Creusa – Não conheço nenhuma Andressa, deve ter sido engano.

Andressa – Por favor, não desligue. É sobre a Marina.

Creusa – O que aconteceu à minha filha?

Andressa – Ela quase se afogou e está hospitalizada.

Creusa – Qual clinica?

Andressa – Não estamos em Recife, mas sim em João Pessoa.

Creusa – E o que diabos foram fazer aí?

Andressa – Não dá pra falar agora, eu to muito aflita. Só liguei para avisá-la.

Creusa – Amanhã, assim que amanhecer, eu estarei aí. Qual o nome do hospital?

Andressa – Santa Luzia.

Creusa – Passar bem.

Andressa – Digo o mesmo.

 

João Pessoa – Hospital Santa Luzia

Clarisse aproveitara que Andressa fora dar um telefonema para conversar com seu irmão.

Clarisse – Por que vocês chegaram juntos aqui?

Rodrigo – Quem diria né? Pra você ver como o mundo é pequeno.

Clarisse – Ainda não respondesse minha pergunta.

Rodrigo – A gente tá tendo um lance.

Clarisse – Um lance…

Enquanto falava, Clarisse, de relance, virara o rosto para o lado e pudera perceber Thiago chegando.

Clarisse – Thiago, ainda bem que você chegou. Eu já tava ficando desesperada.

Thiago – O que aconteceu com Marina?

Clarisse – Nós estávamos nadando e parece que ela teve cãibra, eu só vi quando ela tava se afogando… tava muito pesada… eu não consegui…

Thiago – Respira um pouco e me diz o que tá acontecendo.

Clarisse – Ela se afogou, eu simplesmente não consegui ajudar.

Thiago – Mas ela tá viva?

Clarisse – Sim.

Thiago Pronto.

Andressa vinha vindo em direção deles.

Thiago – Andressa, não quer ir dormir no meu apartamento?

Andressa – Não, vou ficar de plantão aqui a noite inteira.

Clarisse – NÃO! Você não pode, Andressa, coitada viajou hoje cedo. Vou pedir para Rodrigo te levar para minha casa, faço questão.

Andressa – Eu não vou conseguir pregar o olho esta noite.

Clarisse – Vamos fazer o seguinte, eu vou ficar aqui com o Thiago a noite inteira e amanhã de manhã você com o Rodrigo.

Andressa – Se vocês ficarem aqui eu vou mais tranquila.

Clarisse – Pode ir em paz.

 

João Pessoa – Apartamento de Clarisse

Andressa chegara tímida ao apartamento, mesmo acompanhada de Rodrigo. Cruzando a porta, deparou-se com Carolina no cômodo em frente aonde ela estava.

Carolina – O que você tá fazendo aqui?

Andressa – Espere aí, você é irmã do Rodrigo e da Clarisse?

Carolina – Sim… por quê?

Andressa – Eu sou irmã da Marina.

Carolina – Meu Deus, eu não vou te aguentar ficar sob o mesmo teto que você.

Rodrigo – O que vocês têm, heim?

Carolina – Essa vagabunda aí…

Andressa – Tá querendo levar outra surra é?

Carolina – Mas dessa vez eu vou revidar.

Rodrigo – Dá pra pararem.

Carolina – Não.

Andressa – Não faz sentindo a gente tá se batendo por causa daquela cafajeste, Carolina.

Carolina – É, a final de contas, ele não ficou nem comigo, nem contigo.

Andressa – Colegas?

Carolina – Ex-inimigas.

Rodrigo – Abraço triplo?

Andressa – Sem chances.

Andressa – Vamos lá.

E os três se abraçaram.

 

A música “Coisas Que Eu Sei – Danni Carlos” começa a tocar conforme o sol vai aparecendo na cidade de João Pessoa e o caos vai tomando conta da cidade

 

João Pessoa – Hospital Santa Luzia

Clarisse e Thiago mantiveram seus olhos abertos até o médico de Marina aparecer e dar mais informações sobre o quadro dela.

Clarisse – Diz como ela tá, doutor.

Médico – O quadro não é mais grave, toda a água foi retirada do sistema respiratória e já passa bem. Pode até receber visitas.

Clarisse – Eu quero vê-la.

Médico – Sinta-se à vontade.

Thiago – Por que quer vê-la?

Clarisse – Poxa, Thiago, eu via ela se afogando. Preciso dessa garantia para dormir em paz.

Thiago – Então tá, mas sai logo que eu quero ir.

 

João Pessoa – Hospital Santa Luzia – Quarto de Marina

Pedro e Miguel estavam no quarto de Marina, olhando-a toda encubada. Pedro não conseguia conter a emoção. Até que Clarisse chegou.

Pedro – Miguel, o que essa mulher tá fazendo aqui?

Miguel – Não sei.

Eles continuaram observando-a.

Clarisse – Eu tenho tanta pena de você, Marina. Foi se meter no meu caminho, deveria ter morrido logo quando tentei de afogar, mas se você é tão persistente assim, eu prefiro acabar com isso de uma vez por todas.

Clarisse pegou um dos travesseiros na cama e o pressionou sobre o rosto de Marina.

Pedro – Miguel, faz alguma coisa. Não deixa ela matar a Marina.

Miguel só observava a cena.

Pedro – Faz alguma coisa, pelo amor de Deus.

Pedro mal terminou a frase e Thiago entrou no quarto, ficou estático quando viu Clarisse tentar matar Marina. 

Caminhos Singelos | Capítulo 32

Otávio foi atrás de Paulo e o encontrou em cima de uma árvore na qual ele costumava brincar.

Otávio – Desce daí, Paulo!

Paulo – Pra quê? Pra você zombar da minha cara? Me dizer que ela gosta mais de você do que de mim?

Otávio – Não, eu nunca faria isso.

Paulo – Então tá bem.

Paulo desceu da árvore e olhou para Otávio por um instante.

Paulo – O que você quer afinal?

Otávio – Ser seu amigo.

Paulo – Corta essa, eu sempre zombei de ti, te coloquei pra baixo, por que você iria quer ser meu amigo?

Otávio – Eu não gosto de ter inimigos. Prefiro os amigos. Quer saber? Eu te perdoo.

Paulo – Eu não acredito.

Otávio – Me dá um abraço?

Paulo foi até Otávio e deu um abraço nele.

 

Clarisse, Giovana e Daniel discutiam na diretoria o destino de Paulo naquela escola quando a porta se abriu e Marina, Maysa, Paulo e Otávio entraram.

Diretoria – Nós ainda não chegamos a um acordo? Por que vieram?

Marina – Otávio e o Paulo, eles tem algo a dizer.

Diretora – Vamos, desembuchem.

Otávio – Eu não quero que o Paulo saia da escola.

Clarisse – Como assim filho, ele te desrespeitou.

Paulo – Mas eu pedi desculpas a ele.

Otávio – E eu o perdoei.

Maysa – Agora somos todos amigos.

Daniel – Estão vendo? Eles mesmos se resolveram, não haverá imposição.

Diretora – Bem… eu acho que vocês devem quer conversar com seus filhos e eu gostaria de falar com esta senhorita, Marina.

Todos concordaram, desocuparam o espaço e deixaram apenas Marina e a Diretora no cômodo.

 

Giovana levou Maysa para um corredor e começou a repreendê-la.

Giovana – Recreio?

Maysa – Mãe, ele que veio me procurar.

Giovana – Mas eu não quero saber. Já disse que não existe amizade entre homem e mulher eles sempre têm um interesse a mais. Quando estiver da minha idade você vai entender…

Maysa – Mãe, eu só tenho nove anos, eu não namoro, eu não beijo, eu não faço nada que a senhora faz. E enquanto eu gostar da companhia dele eu vou continuar conversando e sendo amiga dele.

Giovana – Vejam só, a filha se rebelou. Quer saber? Eu vou cortar o mau pela raiz.

Maysa – O que a senhora vai fazer?

Giovana – Vou te tirar da escola.

 

Escola Machado de Assis/ Diretoria – Marina conversava com a Diretora

 

Diretora – Eu queria saber como você conseguiu que eles fizessem as pazes.

Marina – Eu conversei com eles, perguntei como o problema começou e o Otávio decidiu que queria ser amigo dele.

Diretora – Você trabalha em alguma área da educação?

Marina – Sim, eu sou professora afastada.

Diretora – Afastada?

Marina Sim, eu sofri um acidente há dois meses e pedi afastamento para me recuperar.

Diretora – Então, já que você está afastada, o que acha que lecionar nesta escola próximo ano?

Marina – A senhora tá falando sério? É tudo que eu mais quero.

Diretora – Eu e todos da escola Machado de Assis a receberemos de braços abertos.

 

Clarisse e Otávio conversavam no pátio.

Clarisse – Por que você decidiu ser amiguinho de alguém que tanto te fez mal, Tavinho?

Otávio – Ele me disse por que não gostava de mim e eu percebi que não tinha culpa.

Clarisse – E por que ele implicava contigo?

Otávio – Ele também gosta da Maysa.

Clarisse – E ela gosta de qual dos dois?

Otávio – Eu não sei, nunca perguntei.

Clarisse – Vamos pra casa então, lá eu vou dar um passeio com a tia Marina e à noite eu, ela e seu pai vamos sair pra jantar e te contar uma coisa muito importante.

Otávio – Por que vocês não dizem logo?

Clarisse – Surpresa.

Enquanto caminhavam pelo pátio, eles avistaram Marina indo ao seu encontro.

Clarisse – O que ela queria conversar contigo?

Marina – Me oferecer um emprego nesta escola!

Clarisse – Parabéns, que coisa boa!

 

João Pessoa / Casa de Clarisse

 

Marina, Clarisse e Otávio chegaram ao apartamento que era de Thiago.

Carolina Clarisse, já chegou?

Clarisse – Sim, vim deixar o Tavinho aqui.

Carolina – Não vai me apresentar sua amiga?

Clarisse – Ah, claro, essa Marina. Marina, Carolina. Carolina, Marina.

Marina – Prazer em conhecê-la.

Carolina – O prazer é todo meu.

Clarisse – Carol, eu tava pensando da gente ir almoçar fora, cadê o Rodrigo?

Carolina – Saiu cedo, disse que ia tomar café e ainda não voltou. Sabe como é o nosso irmão, já deve ter arranjado um rabo de saia.

Clarisse (Entre risos) – Deve ser, mas agora vamos almoçar que eu to brocada de fome.

 

João Pessoa / Restaurante Lampião

 

Clarisse, Carolina, Marina e Otávio já estavam no final do jantar.

Clarisse – Você nem vai acreditar no que aconteceu com o Tavinho hoje, na escola.

Carolina – O quê? Meu sobrinho preferido andou aprontando alguma?

Clarisse – Você nem imagina, mas eu não vou estragar a história dele. Eu vou ao cinema com a Marina e depois nós vamos ao Clube tomar um sol de fim de tarde, por que vocês não fazem alguma coisa bem divertida enquanto o Tavinho conta a história?

Carolina – Claro. Você topa, Tavinho?

Otávio – Fechado!

 

O sol começava a se pôr – Pessoas voltavam do trabalho para suas, outras ainda iam trabalhar – Clarisse e Marina estavam no Clube da Sociedade se preparando para voltar para casa.

 

Marina – Anoiteceu, é melhor irmos logo antes de pegar uma hipotermia.

Clarisse – Essa água tá tão linda, né?

Marina – Tá mesmo.

Clarisse – Sabe o que a minha esteticista disse?

Marina (DESENTERESSADA) – Diz…

Clarisse – Que banho de piscina à noite relaxa os nervos do corpo.

Marina – Legal.

Clarisse – Vamos dar um mergulho?

Marina – Ah, não sei.

Clarisse – Vai, por favor, esse negócio de separação, briga do Tavinho, meu pai numa casa geriátrica tão me deixando nervosa.

Marina – Tá bem.

As duas se despiram e mergulharam nas águas geladas da piscinas.

Clarisse – A água tá deliciosa.

Marina – E gelada.

Clarisse – Vou nadar até o outro estremo, vem comigo?

Marina – Claro.

Clarisse e Marina nadaram lado a lado. Exatamente na metade da piscina, a parte mais funda e onde os pés delas não tocavam mais no chão, Clarisse se segurou nos ombros de Marina.

Clarisse (MENTINDO) – Ai, to com câimbra, me ajuda.

Marina – EU NÃO TO AGUENTANDO SEU PESO. SOLTA MEU OMBRO E EU TE AJUDO MELHOR.

Clarisse começou a rir e afundou a cabeça de Marina na água.

Clarisse – Você já era, Marina. Se apaixonou pelo homem errado.

 

Recife – Casa de Creusa

 

Creusa estava cozinhando um espaguete quando uma chama tomou conta da panela inteira e logo cessou.

Creusa – Jesus, Maria e José, protejam minha família. [Ela disse fazendo o sinal da cruz]

Caminhos Singelos | Capítulo 31 [ÚLTIMA SEMANA]

Otávio – Eu to pensando que você não gosta mais de mim.

Maysa – Não é isso, mas eu não quero desobedecer.

Otávio – Nem por nosso amor?

Maysa – Amor?

Otávio – Eu te amo, Maysa.

Maysa – Eu esperei tanto pra ouvir isso.

Otávio – Você não vai me dizer que também me ama?

Maysa – Eu…

Paulo (CORTA) – O que as duas estão conversando?

Otávio – Você pare de me encrencar!

Paulo – Criou coragem, bichinha?

Otávio – Ah, eu vou acabar com você e vai ser agora.

 

Clarisse e Marina desceram para o estacionamento do apartamento e entraram no carro da megera. Mas antes, Thiago e Marina deram um selinho. Clarisse deixara Andressa no centro da cidade e enquanto isso as outras duas fizeram um tour pela cidade.

 

Andressa entrara em algumas lojas, comprara pouca coisa e parara num Café para tomar um suco. Sentada no balcão um homem alto, moreno e bonito sentara ao seu lado.

Andressa – Um suco de abacaxi com hortelã, por favor.

Rodrigo – Eu quero o mesmo da moça.

Andressa – Olá.

Rodrigo – Oi, prazer, Rodrigo.

Andressa – Andressa, satisfação.

Rodrigo – Olha que a satisfação só vem depois do prazer.

Otávio mirava Paulo furiosamente. O olhar era de uma onça que fora cutucada durante o sono, Paulo estava indiferente, no entanto, Otávio partiu para cima dele.

Otávio – Agora eu acabo com você!

Otávio saltou sobre ele e o fez cair. Ficando em cima dele e puxando seus cabelos.

Maysa – Otávio, por favor, para!

Otávio – Agora ele vai aprender a parar de me encrencar.

Otávio continuou a bater no menino, este sem conseguir revidar começou a gritar. Um apito foi ouvido ao longe.

Maysa – Ai, a professora Carmen tá chegando. Vocês estão lascados.

 

Marina e Clarisse continuaram passeando pela cidade até que o telefone de Clarisse tocou e ela atendeu.

Clarisse – Desculpe, mas é da escola do meu filho.

Marina Fique à vontade.

Clarisse (Ao telefone) – Alô?

Diretora – Olá, é a Clarisse Oliveira Albuquerque, mãe de Otávio Oliveira Albuquerque?

Clarisse – Sim, é ela mesma.

Diretora – Eu preciso que você se dirija a escola do seu filho agora.

Clarisse – Mas o que houve de tão urgente?

Diretora – Seu filho este envolvido em uma briga com outro aluno.

Clarisse – Meu filho? Numa briga? Eu estou a caminho.

Diretora – Passar bem.

Clarisse desligou o aparelho, guardou-o na bolsa e respirou fundo.

Marina – O que houve com seu filho?

Clarisse – Parece que ele brigou com outro menino da escola e eu tenho que ir lá, agora.

Marina – Vá, quer dizer… vamos. Eu te acompanho.

Clarisse – Magina, você deve ter coisas a fazer. Eu não quero atrapalhar.

Marina – Vamos logo, eu sou professora, quem sabe isso não ajude?

 

Carolina fora até a casa geriátrica em que Milton estava internado para visitá-lo.

Carolina – Oi, Milton.

Milton – Olha só quem veio, a primeira que me jogou a pedra.

Carolina – Eu não atirei pedra nenhuma, você que já estava passando dos limites. Bater na Clarisse? Francamente…

Milton – Eu não bati nela…

Carolina – Por que o Thiago chegou à tempo para impedir.

Milton – Você precisa acreditar em mim, a sua irmã que é a falsa da história. Era ela quem estava me batendo, não eu.

Carolina A Clarisse? Ela jamais machucaria uma mosca.

Milton – Quer que eu mostre os hematomas?

Carolina – E como eu vou saber se não foi uma briga de bar qualquer aí?

Milton – Ah, se não quer acreditar em mim eu não vou forçar, mas não também não quero ter que ficar aqui sendo acusado injustamente, Fora daqui!

Carolina – Não precisa falar duas vezes.

 

Marina e Clarisse chegaram a escola e foram direto para a sala da diretora. Lá puderam encontrar Otávio, Paulo e Maysa sentados em cadeiras ao canto da sala.

Clarisse – O que houve com o meu filho?

Diretora – Senhora, eu sugiro que fique mais calma.

Clarisse – Calma? Como eu posso ficar calma? Meu filho é um anjo, ele jamais brigaria.

Diretora – Então você deveria observar melhor o comportamento dele, pois ele próprio já confessou que agrediu o colega, Paulo.

Clarisse – É verdade filho?

Otávio apenas assentiu que sim com a cabeça.

Clarisse – Mas deve haver um motivo, um bom motivo…

De repente, a porta se abriu e outra mulher entrou na sala.

Diretora – Dona Giovana.

Clarisse – Ela é mãe do tal Paulo?

Giovana – Não. Eu sou Giovana Falcão, mãe de Maysa Falcão.

Clarisse olhou para ela e torceu o nariz.

Clarisse – Diretora, e onde estão os pais desse menino?

Diretora – Eles ainda não chegaram.

Clarisse – Então será que eu poderia conversar em particular com a Giovana?

Diretora – Se ela quiser.

Giovana – Não sei o que você tem a falar comigo, mas mesmo assim eu aceito. Vamos lá pra fora.

As duas foram para o pátio da escola, que estava vazio àquele horário, e Clarisse iniciou a conversa.

Clarisse – Eu sou a mãe do Otávio.

Giovana – E…

Clarisse – E eu sou que você proibiu sua filha de falar com meu filho.

Giovana Proibi, e proibirei uma, duas, três… até um milhão de vezes.

Clarisse – Pois fique sabendo que meu filho adora sua filha demais pra ficar sem poder se relacionar com ela.

Giovana – Minha filha é uma moça pura, eu não quero nenhum menino tire a inocência dela.

Clarisse – Meu filho faz esse tipo, ele é respeitoso, educado…

Giovana – Então me diga por que um menino tão cheio de qualidades assim se meteria em uma briga?

Clarisse – Eu não sei se você te alguma experiência mal sucedida com algum homem, mas você não pode simplesmente tirar o brilho dos olhos do meu filho. Isso eu não permitirei!

Giovana – Minha vida não é da sua conta e da minha filha cuido eu!

Giovana então saiu daquele lugar, deixando Clarisse plantada na praça. Com ódio nos olhos.

 

Mais uma vez Clarisse retornou a sala da diretora, no entanto, desta vez, os pais de Paulo já estavam naquela sala.

Diretora – Será que já podemos começar?

Clarisse – Sim.

Diretora – Agora que já estamos todos aqui eu gostaria que cada aluno conte sua versão da briga. Paulo, por favor, pode começar.

Paulo – Eu tava brincando de boa no parquinho quando o Otávio me atacou. Eu não sei o que ele tem comigo, mas eu não fiz nada para ele.

Otávio – É mentira. Ele é um mentiroso.

Daniel – Eu tenho absoluta certeza que não foi meu filho quem começou essa briga.

Diretora – Quieto, Otávio, vamos ouvir a sua versão agora.

Clarisse olhou bem nos olhos do filho.

Otávio – Eu estava conversando com a Maysa quando o Paulo chegou cheio das brincadeiras comigo e eu não tolerei.

Giovana – Maysa, você estava conversando com ele?

Maysa apenas assentiu cabisbaixa.

Diretora – Como assim não tolerou? O que ele fez?

Otávio – Ele me chamou de menina.

Daniel – Você fez o quê, Paulo?

Paulo – É mentira, pai! Não acredita nele.

Diretora – Vamos impor um pouco de ordem aqui? Agora vamos ouvir a verão da menina Maysa para saber quem está falando a verdade.

Maysa levantou a cabeça e olhou para a mãe, depois para Otávio.

 

Andressa e Rodrigo já estavam em um motel àquela hora da manhã, mesmo tendo acabado de se conhecerem.

Andressa – Isso não é certo, a gente mal se conhece.

Rodrigo – Pra quê perder tempo com isso. O desconhecido é tão mais gostoso.

Andressa – Isso é verdade, eu adoro o desconhecido.

Rodrigo – Não vai tirar a roupa?

Andressa – Claro.

Ela começou a tirar a blusa para Rodrigo.

 

Diretora – Vamos impor um pouco de ordem aqui? Agora vamos ouvir a verão da menina Maysa para saber quem está falando a verdade.

Maysa levantou a cabeça e olhou para a mãe, depois para Otávio.

Maysa – O Otávio me procurou para saber por que nós não estávamos mais nos falando e o Paulo chegou logo depois fazendo brincadeiras sem graça.

Diretora – Que tipo de brincadeira?

Maysa – Ele… ele disse que o Otávio era uma menina.

Daniel – Paulo? Você fez isso?

Paulo – Não pai, por favor, acredite em mim!

Diretora – As versões do Otávio e Maysa são congruentes e o que o senhor Paulo está sendo acusado de ter feito configura bullying. Ele terá que ser suspenso.

Clarisse – Suspenso, apenas? Ou você expulsa esse delinquente, diretora, ou eu vou tirar meu filho dessa escola agora.

Daniel – Não exagere.

Clarisse – Eu sou mãe, eu jamais deixaria meu filho crescer num ambiente onde ele não é responsável.

Marina (Interrompe) – Diretora, eu não acho conveniente que as crianças fiquem aqui nesta discussão, será que eu não poderia levá-los para fora e conversar com eles?

Diretora – Claro, é até melhor.

 

Marina levou os três para o pátio e os fez sentar lado a lado em um dos banquinhos enquanto ela permanecia em pé na frente deles.

Marina – Então… longe de tudo aquele. Do ambiente pesado da diretoria, eu gostaria de saber de onde surgiu essa rixa entre vocês Paulo e Otávio e por que Marina está nisso?

Otávio – Eu não sei, ele sempre implicou comigo.

Marina – Paulo?

Paulo – A verdade é que eu nunca gostei do Otávio por que ele sempre se deu melhor com a Maysa do que eu.

Marina – Apenas por isso?

Paulo – Não é só isso, ela é a menina mais bonita da classe, é inteligente, eu sempre gostei dela. Essa é a verdade!

O menino se levantou e saiu correndo.

Marina – Fiquem aí, eu vou atrás dele.

Otávio – Não, acho que sou eu quem tem de ir lá.


Caminhos Singelos | Capítulo 30 [ÚLTIMAS SEMANAS]

Thiago foi para a área de serviço e a campainha tocou.

Marina – Eu atendo.

Marina foi à porta ver quem era e quando a abriu se deparou com Clarisse.

Marina – Olá?

Clarisse – Oi, eu bati no apartamento certo?

Marina – Com quem você quer falar?

Clarisse – Meu marido, Thiago.

Marina – Ah, é aqui mesmo. Pode entrar.

Clarisse entrou no apartamento e  encontrou Thiago voltando a sala.

Thiago – Clarisse?

Clarisse – Bom dia, Thiago.

Thiago – Veio fazer o quê aqui?

Clarisse – Conversar.

Thiago Se for sobre o divorcio, pode deixar que meus advogados vão cuidar de tudo.

Clarisse – Não é isso, eu vim conversar sobre o nosso filho.

Thiago – Aconteceu alguma coisa com o Tavinho?

Clarisse – Ele está bem fisicamente, porém ele tem andado muito abalado esses dias.

Thiago – O que houve?

Clarisse – Se importa se falarmos em particular?

Marina – Não, claro que não. Andressa vamos lá a baixo pegar as sacolas no carro e depois voltaremos.

Thiago – Não precisa, eu desço com Clarisse.

Thiago e Clarisse desceram as escadas e pararam na recepção do prédio.

Thiago – Agora me diz o que tá acontecendo.

Clarisse – O nosso filho anda muito abatido ultimamente. Aí hoje quando fui deixá-lo na escola ele me falou o motivo.

Thiago – E…

Clarisse – Parece que a mãe daquela menina que ele gosta proibiu que eles dois se falassem.

Thiago – Só por isso?

Clarisse – O que tá acontecendo com você? Não liga mais pra nossa família? Nós podemos ter nos separado, mas há assuntos que precisamos lidar juntos.

Thiago – Mas esse não é o caso de você vir até aqui, poderia ter ligado…

Clarisse – Qual é o problema? É aquela mulher, a tal moça que você tá gostando?

Thiago – Sim.

Clarisse – E você acha que eu vou fazer o quê? Armar um escândalo?

Thiago – Eu não quis dizer…

Clarisse (CORTA) – Eu jamais faria uma coisa dessas, se você decidiu se separar, eu vou aceitar.

Thiago – Ainda bem, então.

Clarisse – E pra te provar isso, eu vou subir agora para aquele apartamento e tomar um cafezinho com ela.

Thiago – Não precisa.

Mas era tarde demais, Clarisse já subia as escadas determinada a se tornar amiga da rival.

 

No plano celestial, Pedro começara a cuidar de alguns jardins da cidade para se distrair, porém nada lhe tirava da cabeça a imagem de Marina com outro homem.

Miguel – Pedro, não quer ver Marina hoje?

Pedro – Estou tentando tirá-la da minha cabeça um pouco.

Miguel – Ela está passando por um momento em que precisa da sua proteção.

Pedro – Esse é o seu dever.

Miguel – Pedro, a sua missão está chegando.

Pedro – Missão? Que conversa é essa?

Miguel – Todos nós passaremos por uma provação antes de poder reencarnar e a sua está bem próxima.

Pedro – O que eu vou ter que fazer?

Miguel – Na hora certa todos nós saberemos. Você vem comigo?

Pedro – Vou sim. Quero saber logo o que se passa.

Pedro tocou na mão de Miguel e a essência deles se desfez em luz. Aparecendo na sala de estar do apartamento de Thiago.

 

Era intervalo na escola Machado de Assis. Maysa estava com algumas colegas e Otávio foi atrás dela.

Otávio – Maysa, eu preciso falar com você.

As meninas que estavam próximas à Maysa logo se afastaram e os deixaram a sós.

Maysa – Pode falar.

Otávio – Nós não podemos ficar distantes, sem se falar…

Maysa – Mas me mãe proibiu.

Otávio – Eu já falei com a minha mãe e ela disse que vai conversar com a sua.

Maysa – Não vai ser nada fácil convencê-la.

Otávio – Ao menos acredite.

Maysa Minha mãe não tem um gênio bom.

Otávio – Eu to pensando que você não gosta mais de mim.

Maysa – Não é isso, mas eu não quero desobedecer.

Otávio – Nem por nosso amor?

Maysa – Amor?

Otávio – Eu te amo, Maysa.

 

Clarisse sentou-se numa poltrona e, como se aquela situação fosse perfeitamente normal, começou a conversar com Marina.

Clarisse – Então, à quanto tempo se conhecem?

Marina – Faz pouco tempo, só que…

Clarisse – Não precisa se retesar, eu quero ser sua amiga. Não faço tipo esposa vingativa.

Marina – Ainda bem, por que o eu menos quero é arranjar problemas.

Clarisse – Uma moça tão linda ficou solteira tanto tempo assim?

Marina – Na verdade eu me casei uma vez.

Clarisse – E vocês se separaram.

Marina – Nós sofremos um acidente de carro e ele não resistiu.

Clarisse – Minhas condolências.

Marina – Obrigada.

Thiago (INTERROMPE) – Meninas, o papo tá bom, mas eu tenho que trabalhar, vocês se importam se eu sair?

Clarisse – Claro que não.

Marina – Pode ir, am… Thiago.

Clarisse – Que tal se a gente saísse agora?

Marina – Para aonde?

Clarisse – Não sei, eu posso te mostrar João Pessoa inteira.

Marina – Vamos, Andressa?

Andressa – Eu vou às compras, mana, mas pode ir com ela. No fim do dia a gente se encontra.

Marina – Está bem.

Pedro observava toda a cena junto a Miguel.

Pedro – Eu não gosto nada dessa mulher, ela me parece muito cínica.

Miguel – E tem razão em pensá-lo. Boa coisa esta Clarisse não quer. 

Caminhos Singelos | Capítulo 29 [ÚLTIMAS SEMANAS]

Creusa – Aí, já tá falando igual à vagabunda da sua irmã.

Marina – Eu sabia que você não iria aprovar, com esses costumes pré-históricos…

Creusa – É assim que a nova geração chama os valores? Pois então eu sou uma pré-histórica. Não quero você se enrabichando com homem nenhum.

Marina – Cansei, to indo embora, perdi minha fome.

Creusa – Você não vai antes de me dizer quem é ele.

Marina – Eu tenho 27 anos, trabalho e me sustento. Não preciso ficar aqui ouvindo seus desapreços.

 

Pedro retornara ao ministério da comunicação e ao sair da câmara se deparara com Miguel.

Miguel – E aí, como foi?

Pedro – Eu não consegui, não sou forte o suficiente. Meu amor por ela não é forte o suficiente.

Miguel – Para com isso, cara.

Pedro – Eu sinceramente desisto, em outras circunstâncias eu preferiria morrer, mas aqui, neste lugar, eu não sei o que fazer.

Miguel – Ocupar a mente, trabalhar…

Pedro – Eu me decepcionei com tudo que eu acreditava, minha fé tá abalada.

Miguel – Você vai superar.

Pedro – Não, eu não vou.

 

Thiago fora ao centro da cidade, passara na loja de sapatos e comprara tênis, depois entrara numa loja de roupas e pegara algumas camisas. Ele estava entrando na loja de jeans quando se deparou com Alcione saindo de lá cheia de sacolas.

Thiago – Alcione? Tá fazendo o quê aqui?

Alcione – Ah, oi, seu Thiago. Tudo bem?

Thiago – Você ainda não respondeu a minha pergunta.

Alcione – Eu não posso estar aqui numa loja boa? Também sou filha de Deus.

Thiago – E onde arranjou tanto dinheiro pra estar com todas essas sacolas de marca.

Alcione – Namorado rico. Sabe como é, quer me ver bem vestida, pediu até pra mim me demitir da sua casa.

Thiago – E você o fez?

Alcione – Claro, agora é só vida boa.

Thiago – Sei…

Alcione – Tchauzinho pro senhor, por agora eu já vou indo.

A cada hora do dia o sol vai girando alguns graus a mais. Até o anoitecer e um novo amanhecer em João Pessoa, a cidade onde o sol nasce primeiro.

 

Clarisse deixara Otávio no portão da escola. Ele entrara e sentara sozinho a um banco no pátio. Avistou Maysa ao longe com sua mãe. Logo depois o sinal bateu e todos foram as suas salas. Enquanto a professora explicava um pouco de história, Otávio se levantou e foi até a carteira de Maysa.

Otávio – Oi.

Maysa – Tavinho, minha mãe me proibiu de falar contigo.

Otávio – Mas você quer fazer isso?

Maysa – Claro que não, mas eu tenho que obedecê-la.

Otávio – Então nossa amizade acaba aqui?

Maysa abaixara a cabeça, fechara os olhos e deixara uma lágrima rolar.

Otávio – Está bem, mas antes eu quero que você saiba que eu…

Professora Carmem – Será possível? Maysa sua mãe conversou comigo e eu vou seguir tudo o que ela disse.

Otávio – Eu já to voltando pro meu lugar.

 

Marina acordara cedo para voltar a Recife e ver Thiago novamente. Andressa também iria com ela.

Marina – Vamos logo, mana.

Andressa – Calma, você já viu ele ontem, não tem pra quê estar assim para vê-lo.

Marina – Então eu vou sozinha.

Andressa – Já estou prontíssima para ir.

As duas entraram no carro e seguiram para João Pessoa, mais precisamente o apartamento de Thiago.

 

Clarisse já estava de saída para deixar Otávio na escola quando percebeu o semblante do filho.

Clarisse – Você tá tão desanimado filho.

Otávio – Que nada, mãe.

Clarisse – Você precisa se abrir comigo, quem sabe eu não te ajudo?

Otávio – É que a mãe de uma colega minha proibiu ela de falar comigo.

Clarisse – Que coleguinha é essa?

Otávio – A Maysa.

Clarisse – Aquela bonitinha que você é apaixonado?

Otávio – Eu não sou apaixonado por ela.

Clarisse – Eu estou vendo isso no brilho dos seus olhos, mas não se preocupe por que eu e o seu pai vamos falar com ela.

Otávio – O papai vai voltar?

Clarisse – Quem disse que ele foi embora?

Otávio – Ele não tava em casa hoje.

Clarisse – Own, filho, você sabe como seu pai é: Ele viaja muito. Mas ainda hoje eu vou falar com ele, está bem?

Otávio – Tá.

Clarisse – Chegamos a escola, na saída eu te pego e aproveito pra falar com a mãe da sua coleguinha.

 

Marina e Andressa chegaram ao apartamento de Thiago e ele as recebeu.

Thiago – Meu amor!

Marina o abraçou e o beijou.

Marina – Thiago, essa é a minha irmã, Andressa.

Thiago – Prazer.

Andressa – O prazer é todo meu.

Thiago – Vamos entrar?

Os três foram para a sala de estar e Thiago as serviu um café cm torradas.

Thiago – Me desculpem a simplicidade, mas é que casa de solteiro…

Marina – Solteiro?

Thiago – Não-casado.

Marina – Ah.

Thiago – Eita, esqueci de desligar a maquina de lavar. Esperem aí.

Thiago foi para a área de serviço e a campainha tocou.

Marina – Eu atendo.

Marina foi à porta ver quem era e quando a abriu se deparou com Clarisse.