Caminhos Singelos | Capítulo 09

Creusa saiu relutantemente do quarto e se dirigiu a recepção novamente. Quando a porta do elevador abriu no andar de baixo ela se deparou com sua filha mais velha.

Creusa – Andressa?

Andressa – Mamãe.

Creusa – Minha filha, como está?

Andressa – Só não estou melhor por causa da situação da Marina. Mas me diz, como ela tá?

Creusa – Graças a Deus, ela está melhor. Acabei de vê-la.

Andressa – Eu também posso?

Creusa – Receio que não, a enfermeira me disse que ela fará alguns exames agora.

Andressa – Então nós precisamos ir para casa. A senhora tá um lixo.

Creusa – Não. Eu não posso ficar longe da minha filha.

Andressa – Foi a senhora mesma que disse que ela estava melhor. Vamos.

 

Na ala hospitalar ou ministério da regeneração, Pedro encontrou com Miguel.

Pedro – Você demorou.

Miguel – Você acha que é fácil ser anjo da guarda?

Pedro – Como ela está.

Miguel – Bem melhor. Daqui a pouco acordará.

Pedro – Por que só agora?

Miguel – Não questione a natureza das coisas, Pedro. Eu estou aqui por outro motivo.

Pedro – Para quê?

Miguel – Você recebeu permissão para visitar a cidade.

 

Clarisse voltou para casa com receio de enfrentar Milton e Alcione, eles se tornaram o caos da vida dela. A cruz que ela carregava.

Clarisse – Carol, posso te pedir um favor?

Carolina – Claro.

Clarisse – Dá pra pegar o Tavinho na escola?

Carolina – Claro. Só me dá a chave do carro.

Clarisse – Aqui.

E ela entregou a chave do carro à irmã. Depois subiu o elevador e foi ao seu apartamento.

Clarisse – Cheguei.

Não houve nenhuma resposta.

Clarisse – CHEGUEI!

Ainda assim ninguém respondeu, por isso ela foi para a cozinha ver por que sua empregada não aparecera.

Clarisse – O que você tem na cabeça, estúpida?

Alcione – Cabelo.

Clarisse – Oh idiota, você é minha empregada. Quando eu chegar tem que está na porta esperando para me desejar boas vindas.

Alcione – Francamente…

Clarisse – Fracamente nada. E eu vou te dar uma lição por me responder.

Alcione – Vai fazer o quê?

Clarisse – Essa comida aí, tá boa mesmo?

Alcione – Claro…

Clarisse – Sai daí, deixa eu provar.

Clarisse pegou uma colher, colocou um pouquinho na boca, mastigou e cuspiu na cara da empregada.

Clarisse – Você chama isso de comida? Quer matar minha família de fome.

Alcione – Cansei disso. Vou mostrar a gravação do meu celular ao Thiago na primeira oportunidade.

Clarisse – Então vai esperar muito, por que ele tá em Foz do Iguaçu. Você chegou tão atrasada que não sabe que meu marido está numa viagem de negócios que durará duas semanas e até lá você vai comer o pão que o diabo amassou ou…

Alcione – Ou o quê?

Clarisse Você apaga essa gravação e nós voltamos a conviver normalmente. Vai escolher o quê?

 

Andressa conseguira arrastar sua mãe para casa e lá, enquanto Creusa banhava, Andressa preparava uma comidinha.

Creusa – Que cheirinho bom é esse?

Andressa – Almoço a La carioca.

Creusa – Aprendeu a cozinhar?

Andressa – Só sei fazer risoto.

Creusa – Dá para comer, não é mesmo?

Andressa – Ei mãe, te amo.

Creusa – Também te amo.

 

Alcione estava pensativa sobre a proposta da patroa.

Alcione – Eu tenho uma proposta melhor para a senhora.

Clarisse – Qual é, verme?

Alcione – A senhora assina um cheque bem gordinho e eu te dou meu celular e compro logo um iPhone.

Clarisse – De quanto seria?

Alcione – Dez mil.

Clarisse – Isso é um roubo.

Alcione – Eu estou vendendo a saúde do seu casamento. Pense sobre isso.

 

Thiago saiu do aeroporto de Recife e pegou um táxi até uma rua antes do banco, onde parou em uma lanchonete, comprou uma lata de refrigerante e foi atravessar a rua, mas parou na calçada quando o refrigerante molhou sua camisa.

Thiago – Droga.

O sinal abriu, os carros estavam transitando, mas Thiago estava completamente absorto limpando a camisa e quando terminou cruzou a faixa sem olhar. Um carro o atropelou.

As Nordestinas | A Ressentida de Teresina (part. 2)

Na primeira parte de A Ressentida de Teresina

  • Natália, nossa heroína, está interessada em seu patrão, Alexandre, e vive a suspirar por ele.

Natália – Por que meu chefe é o cabra mais macho do Piauí.

Alexandre – Morena, não me provoca.

E naquela brincadeirinha de fazer tico-tico no fubaco escondida do “chefe” os dois foram para o quarto brincar mais um pouquinho. Mas estava na hora de Natália acordar e ver que o seu chefe não a quereria nem em conto de fadas.

  • Alexandre pede para Natália preparar um jantar em homenagem a noiva dele.

Natália – Está bem seu Alexandre, eu vou fazer o seu jantar.

Alexandre saiu e Natália sentiu um fogo perpassar seu corpo e temia que aquele fogo queimasse a casa inteira de vez.

Natália – Pode deixar seu Alexandre, eu vou arruinar o seu jantar!

A imagem das atrizes acima não estão relacionadas com a obra.

A lua piauiense caiu e Natália se preparava para fazer a pior coisa da sua vida. Observando o jantar de longe, tudo estava lindo. Quem visse aquele banquete de longe não haveria de imaginar um estrago, uma verdadeira bomba. A campainha tocou, Natália correu para atender, mas foi repreendida.

Alexandre – Deixe-me atender. [E correu até a porta] Lorena, meu amor, bem vinda.

Lorena – Brigada amorzinho.

Natt então voltou à cozinha brincando com as palavras de Lorena. “Brigada amorzinho” ela repetia silenciosamente.

 

O casal conversou um pouco até que o estomago roncou e resolveu mandar servir o jantar.

Lorena – Ei, coisinha.

Natália – Sim…?

Lorena – Eu quero minha salada com muito azeite, por que tem gorduras boas.

Natália – Sim senhora. E o Sr, seu Alexandre, alguma preferência?

Alexandre – Não.

Na cozinha, Natália encheu a salada da oxigenada de pimenta dedo de moça, aquela que quando pega na língua incendeia a boca toda. E, claro, um leve toque de azeite. Minutos depois, levou as saladas para a mesa. Colocou um prato no lugar de cada um e em seguida serviu o vinho.

Alexandre – Pode voltar à cozinha.

E Natália voltou para a copa. Esperando os apelos desesperadores de Lorena.

Lorena – Hum… estes tomates estão com uma cara ótima.

Alexandre – Eu mesmo mandei comprá-los esta manhã.

Lorena – Tomates frescos são uma delicia. E você tem que comer bastante para evitar um câncer de próstata.

Alexandre – Você sempre cuidando de mim, não é?

Lorena – Sim, meu amorzinho. [E ela colocou um pouco da salada na boca]

Alexandre – O que houve, meu amor? Você fez uma cara estranha.

Lorena – Água. [Ela estava tremendo]

Alexandre – Natália, traz água.

Nossa heroína veio correndo uma jarra cheia de água nas mãos. Apressada para encher a outra taça de Lorena derrubou propositalmente o cálice de vinho no vestido paitê cinza de Lorena.

Lorena – Sua vagabunda, esse vestido custou mais que o barraco no qual você vive.

Natália – Quem é vagabunda aqui, sua lora oxigenada?

Natt então pulou em cima de Lorena, quase arrancando os cabelos da outra. Até que Lorena deu um tapa na cara dela.

Natália – Agora a porra ficou séria. [E deu dois tapas consecutivos na loira um com cada face da mão]

Natália provara do desemprego por dias e mais dias. Contudo jamais se deixara abalar e mesmo não tendo arranjado outro emprego, pode-se dizer que ela arranjara coisa melhor. Por outro lado, Alexandre continuara com Lorena, que ainda não superara o trauma de ter perdido um tufo de cabelo, mas provara da dificuldade de arranjar uma boa empregada. O máximo que conseguira fora uma diarista, porém sua casa passava a impressão de ter ficado no meio de um furacão. Mesmo contra a vontade de sua futura esposa, só havia um jeito de consertar aquilo tudo: pedindo para a Natália voltar.

No bairro humilde em que Natália morava, Alexandre deixou seu carro numa pracinha e foi atrás da casa da moça. Ele não sabia qual era exatamente a residência, mas tinha uma vaga noção. Enquanto analisava as casas por uma ruela avistou um mulata vindo ao longe, com madeixas ao vento e vestido florido. Ela tinha um sorriso emoldurado com dentes brancos. Sem aquele uniforme de empregada, ele a via com outros olhos.

Natália – Seu Alexandre? Veio fazer o que aqui?

Alexandre – Eu vim te implorar para voltar, sem você aquela casa é um inferno.

Natália – Sinto muito, mas eu não me sentiria bem em voltar para lá e servir aquela lora.

Alexandre – Por favor, eu faço o que você quiser. Aumento o salário, pago a condução, o plano de saúde, qualquer coisa.

Natália – Não, por que também tem outro motivo.

Alexandre – Qual?

Raí – Natt, quem é esse branquelo aí?

Natália – Ele. [E ela foi dar um abraço e um selinho do morenão alto e forte que surgira.] Nós vamos casar e eu vou ficar cuidando de casa e dos nossos filhos.

Alexandre – Ah, então felicidade para os dois.

E ele saiu de cabeça baixa deixando a nossa heroína com peninha. Mas fazer o quê né? Já disse um grande profeta da vida: “A fila anda!”, mesmo Alexandre nunca tendo entrado na fila, ele perdeu a vez.

 

 NOTA DO AUTOR*: É isso aí leitor, a gente fica por aqui e espero que, mais do que ter gostado do desfecho do episódio, você tenha também aprendido a lição que nossa belíssima heroína, Natália Leite, quis vos passar. Me despido de vocês com a chamada da nossa próxima heroína, bela fera, A IMPOSTORA DE POÇO REDONDO.

 

As Nordestinas | A Ressentida de Teresina

Brasil, Piauí, Rainha do Nordeste: TE-RE-SI-NA! Com seus 33º graus característicos, essa rainha já chegou a registrar 40,8º, com essa temperatura daria para fritar um ovo na testa de nêgo. A cidade que começou as margens do Rio Poti abriga seus 822.363 habitantes bem distribuídos em 1.392.000 km² de área é a terceira capital mais segura do Brasil. Terra de Torquato Neto e Carlos Castelo Branco, ela  tem o melhor sistema de saúde do Nordeste, mas houve um grande aumento no número de infartos por aceleramento cardíaco depois que conheceram a nossa heroína de hoje: A Ressentida de Teresina.

O sol do trabalhador piauiense nasce bem antes do sol dos outros nascerem, e é assim com Natália. Ela acorda bem antes da maioria das pessoas por que mora muito distante do emprego, o casarão de Alexandre Freitas. Natt além de acordar cedo, fazer o café da manhã em sua casa, pegar três ônibus e ir correndo preparar o desjejum do patrão, ainda guarda um tempinho na manhã para as cantadas de Xande.

Alexandre – Bom dia! [Ele foi chegando perto dela por trás e a encochando]

Natália – Bom dia, seu Alexandre.

Alexandre – Hum… [Roçou os lábios no pescoço da mulata] Você está séria hoje.

Natália – Muito trabalho.

Alexandre – E o que você acha de a gente espairecer um pouco. [Natália já sentia uma leve cutucada]

Natália – Não sei, não…

Alexandre – Acha que seu patrão vai brigar?

Natália – Isso com certeza, ele é muito exigente. Não gosta que ninguém faça nada errado.

Alexandre – Então vamos fazer coisa errada na cama dele?

Natália – Só se tu estiveres maluco.

Alexandre – Por quê?

Natália – Por que meu chefe é o cabra mais macho do Piauí.

Alexandre – Morena, não me provoca.

E naquela brincadeirinha de fazer tico-tico no fubaco escondida do “chefe” os dois foram para o quarto brincar mais um pouquinho. Mas estava na hora de Natália acordar e ver que o seu chefe não a quereria nem em conto de fadas.

Dias e dias se passavam e Natália acordava cedo, tomava um café preto com pão e corria para preparar do banquete do chefe. Quando ela estava na cozinha era o momento em que mais se esforçava, pois já dizia sua avó Nastácia: “Um homem se conquista pelo estomago”, mas por diversas vezes se pegou sonhando com o dia em que Xande assumiria o relacionamento deles… o passatempo preferido dela era alimentar suas ilusões.

Natália – Ele tá é demorando hoje. [Pensou alto quando olhou para o relógio] É melhor eu chamá-lo antes que ele se atrase para o trabalho.

E largou o pano de prato na pia, subindo as escadas diretamente para a suíte máster. Na soleira da porta deu algumas batidas e como não houve repreensão vinda de dentro entrou calmamente.

Alexandre – Natália?

Natália desfez o sorriso com que entrou no quarto no momento em que seu cérebro pôde processar a cena. Havia uma cama… um homem, seu Alexandre, nu… uma loira de farmácia e um quarto de cabeça para baixo. Ela ia desmaiar.

Natália – Desculpe seu Alexandre… [E saiu em disparada para a cozinha].

Na área de serviço ela lutava para reprimir suas lágrimas, mas elas lhe escapavam sem nenhum comando cerebral. Pouco tempo depois, Alexandre apareceu por lá.

Alexandre – Natália, eu preciso que você vá nos servir… [Disse assim que chegou, mas interrompeu-se quando viu a face chorosa da empregada] Você tá chorando?

Natália – Não, é que caiu um cisco nos meus dois olhos. [Explicou limpando a região úmida]

Alexandre – Essa conversa não cola comigo, me diz logo o que é.

Natália – Você, quer dizer… o senhor!

Alexandre – Eu não fiz nada. Eu sou um excelente patrão.

Natália – É mesmo, o MELHOR patrão do mundo, sabe. Eu to chorando de felicidade por trabalhar numa casa tão boa.

Alexandre – Sim… voltando ao que eu queria. Eu preciso que você faça um jantar para mim e a minha noiva, Lorena, esta noite.

Natália – Vocês vão casar?

Alexandre – Daqui a seis meses. E você deveria arranjar um pretendente também, antes que fique caída e ninguém mais a queira.

Natália – Está bem seu Alexandre, eu vou fazer o seu jantar.

Alexandre saiu e Natália sentiu um fogo perpassar seu corpo e temia que aquele fogo queimasse a casa inteira de vez.

Natália – Pode deixar seu Alexandre, eu vou arruinar o seu jantar!

 

Assim que todo o serviço de limpeza da casa ficou pronto, nossa flor morena começou a preparar o jantar imediatamente. Natália picava as cebolas tão rápida e raivosamente que um olhar de fúria se emoldurou no brilho dos seus olhos castanhos. Vai ver que era por que ela imaginava a cabeça da Lorena no lugar da cebola. O mesmo aconteceu com a massa, ela só faltou queimá-la numa fogueira e afogar na piscina depois de esmurrá-la raivosamente. A essa altura do campeonato a loira oxigenada já devia estar em coma na UTI. Ou a sete palmos da terra.

Perto da hora do jantar, Natália deixou o frango no forno e correu para tomar uma ducha rápida e ficar linda e cheirosa na hora do jantar a dois dos pombinhos.

Natália – Seu Alexandre, você nem imagina o quanto este jantar será marcante. [A musa falou sozinha enquanto voltava para a cozinha]

Alexandre – Falaste comigo, Natália?

Natália – Seu Alexandre? O senhor estava aí?

Alexandre – Não acabei de chegar, mas te vi falando só…

Natália – NÃO! Eu não estava falando com o senhor, era só uma poesia de Dorgival Dantas.

Alexandre – Eu pensava que ele era cantor.

Natália – É poeta também. Mas agora saia que eu vou terminar esse jantar.

Alexandre – Eu vou terminar de me arrumar e quando voltar quero tudo impecável.

Natália – Sim senhor.

Continua…

Nota do Autor*: Apresentei-lhes finalmente A Ressentida do Piauí, espero que tenham gostado dessa heroína iludida e vilã apaixonada. A pergunta que paira é: no que este jantar vai dar? A resposta só será dada amanhã às22h30 no Club +TV!

As Nordestinas | A Promíscua de Juazeiro/BA

Juazeiro. Bahia. Nordeste. Brasil! Quando alguém lhe pergunta qual é a terra da eterna diva Ivete Sangalo o que você diz? Salvador, na certa. Mas você está errado, ela nasceu em Juazeiro-BA. Uma cidade na fronteira de Pernambuco, separada de sua irmãzinha Petrolina apenas por uma ponte e pela Ilha do Fogo! Cidade de belezas e encantos, banhada pelo Velho Chico e frequentada pelas mulheres mais lindas do Vale do São Francisco, entre elas está A Promíscua de Juazeiro/BA!

Na UNIVASF, tem uma garota baixinha, madeixas lisas, olhar inocente e sorriso encantador. Como essa, só Letícia mesma, estudante do segundo período de Engenharia Civil. Quase ninguém a percebe, por que ela não faz nada para chamar atenção, porém ela ainda não sabe por que o tal do Henry não a nota.

Letícia – Sério, to perdendo as esperanças.

Vitória – De quê?

Letícia – De o Henry me notar, eu já fiz de tudo: já andei na frente dele, já me sentei à mesa vizinha a ele, já o adicionei no facebook, mas ele não toma atitude.

Vitória – E desde quando isso que você está fazendo é alguma coisa? Hoje em dia, nós é que devemos ter atitude e os deixar babando amiga, melhore!

Letícia – Mas o que eu posso fazer?

Vitória – Fia, eu aconselharia você a não fazer nada por que ele não vale a pena, é o maior galinha de Juazeiro.

Letícia – Mas eu gosto dele!

Vitória – Ok tem um jeito, mas…

Letícia – O que é?

Vitória – Ele vai dar um regg dele esse sábado, você tem que dar um jeito de ser convidada.

Letícia – E eu serei!

.

Letícia sempre pôde ser considerada uma menina de sorte, pois conseguiu tudo o que quis sem a mínima dificuldade, por que afinal, é uma garota linda e inteligente, mas ser convidada para um regg de uma hora para outra não é uma tarefa fácil. Principalmente quando é um regg dos pops. No dia seguinte…

Vitória – E aí, já foi convidada?

Letícia – Não, eu ia falar com ele no face ontem, mas eu fiquei travada.

Vitória – Já pensou em falar pessoalmente com ele?

Letícia – Não, ele nunca está só.

Vitória – Eis a sua oportunidade.

E ela apontou para o Henry saindo do seu carro sozinho no estacionamento da faculdade.

Vitória – Outra como essa você não acha.

E ela então a empurrou para a direção do cara.

Letícia – Oi, Henry.

Henry – Oi…

Letícia – Letícia!

Henry – Isso mesmo, eu ia lembrar.

Letícia – Sério?

Henry – Claro.

Letícia – Então… tudo bem?

Henry – Sim e com você?

Letícia – Estou ótim…

Porém uma garota do terceiro período de psicologia, a Verônica, chegou e atrapalhou tudo. Ela é praticamente obsecada pelo Henry.

Verônica – Henry, oi!

Henry – Eaí gata.

Verônica – Vamos tomar um shake?

Henry – Na hora.

E os dois partiram deixando nossa heroína parada feito um poste no meio da calçada. Vitória, por sua vez, saiu correndo de onde estava escondida.

Vitória – Que vadia!

Letícia – Pois é, a gente tava começando a ganhar assunto e ela chega.

Vitória – Sabe o que eu to começando a achar…

Letícia – O quê? Diz-me pelo amor de Deus!

Vitória – Às vezes você é que não faz o tipo dele, será que não percebe que ele só dá bola pra essas cachorras?

Letícia – Você tá sugerindo que eu vire um animal?

Vitória – Não, apenas to sugerindo que você adote um visual que chame mais atenção pra ele gamar em você.

Letícia – Como assim?

Vitória – Amiga, você é gente boa, mas é sem graça. Não tem um diferencial sexy, algo como surpresa e excitação.

Letícia E…

Vitória – Vamos fazer uma mudança de visual, tipo Ugly Betty, quando ela fica bonita.

Letícia – Bela amiga você é?! Me chamando de feia e sem graça.

Vitória – Vamos para o salão e depois para o shopping de Petrolina.

.

E quando as aulas acabaram as duas rodaram a baiana e foram para um salão de beleza no centro da cidade.

Letícia – O que você vai mandar fazerem no meu cabelo?

Vitória – Só alguma coisa que diferencie melhor você, um corte, uns cachos e etc.

Letícia – Vamos então?

Vitória – Sabe o que é que é? Eu vou comprando as roupas para não perder tempo.

Letícia – E você vai me deixar sozinha?

Vitória – A Mirian é de minha total confiança.

Letícia entrou no salão e Vitória seguiu para Petrolina onde iria comprar algumas roupas sem a amiga por perto para ficar mais livre.

Na casa de Letícia, a garota aguardava ansiosamente pela amiga para saber o que ela achou do novo visual e também queria ver logo aquelas roupas. Então a porta do quarto da baiana se abriu e uma figura irrompeu com muitas sacolas.

Letícia – O que é isso?

Vitória – Suas novas roupas… Minha gente, quem é você e o que você fez com Letícia Lima?

Letícia – Ah pare, não tá tão diferente.

Vitória – Amiga, você tá arrasando! Agora, vamos ver as roupas?

Letícia – Vamos, vamos.

Então Vitória começou a desempacotar tudo, peça por peça, e o olhar da amiga ia crescendo a cada peça, na qual uma parecia ser menor que a outra.

Letícia – Onde você comprou isso tudo?

Vitória – Em várias lojas…

Letícia – Por acaso você esqueceu algum pedaço dessas saias na loja?

Vitória – Amiga sem piadinha, cintura alta está super na moda e o Henry vai pirar quando vir suas pernas.

Letícia – E esse decote?

Vitória – É pra ele pirar quando ver seus seios?

Letícia – Agora eu sou uma prostituta? Tenho que fazer os homens pirarem com meu corpo.

Vitória – Sem comentários…

.Continua…

Não perca amanhã, a segunda parte da saga dessa heroína irresistível. Será que ela vai conseguir conquistar o tal do Henry? E não se esqueça… Nesta segunda, estreia:

Rosas & Espinhos

As Nordestinas | A Dama de João Pessoa

João Pessoa, Paraíba, Nordeste desse Brasil. É mais conhecida como “Porta do Sol” por que é a cidade onde o sol nasce antes de todas as outras das Américas.  João Pessoa também é a cidade que arrecada mais impostos para o estado, devido a suas indústrias, seu comércio, suas praias e seus monumentos arquitetônicos. E se você quiser saber mais, ela ainda é a segunda capital do mundo com maior área verde, perdendo apenas para Paris. É a terra de Luisa, aquela que foi para o Canadá e também da nossa heroína de hoje: A dama de João Pessoa.

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No bairro de Cabo Branco, considerado um lugar para o pessoal de Classe A, mora Giovana, uma mulher nada simples que praticamente mora na Rachel Boutique e no salão mais famoso da cidade, a Belezária. O sol de sete horas da manhã estava pendurado no céu azul de sexta-feira paraibana. E o casal Batista estava sentado a sua mesa de café da manhã na beira da piscina tomando o seu desjejum matinal.

Mario – O que vai fazer hoje querida?

Giovana – Bem, primeiro, eu vou à Rachel escolher um vestido para o jantar de hoje à noite, depois volto para malhar um pouquinho, comerei o meu lunch e sigo para a Belezária fazer meu cabelo.

Mario – Alguma ocasião especial?

Giovana – Amor, como você esqueceu? Hoje é o jantar da Ana, aquela perua!

Mario – Problemas no trabalho, mas se você não gosta dela por que vai?

Giovana – Homens… Eu vou por que toda a High Society vai estar lá e nós não podemos faltar é claro.

Mario – Então aproveite o seu dia de rainha que eu vou honrar as joias da coroa.

Giovana – Tchau, tchau, meu amor.

Após terminar de comer sua geleia de frutas naturais, Giovana se levantou e pediu ao motorista que tirasse o carro, ele já sabia para onde ela iria.

 

O carro de Giovana era farejado de longe pelas vendedoras na Rachel Boutique, ela é uma das melhores clientes da loja e as comissões que elas ganhavam por vender a ela são sempre altas.

Giovana – Hello, queridinha…

Carlinha – Dona Giovana que prazer tê-la aqui a esta hora da manhã, o que a fez interromper seu sono de beleza?

Giovana – Sono da beleza é desculpa pra feio dormir, mulheres de classe como eu acordam junto ao sol para dar luz ao dia.

Carlinha – Então, o que deseja?

Giovana – O melhor vestido de festa que essa boutique já viu!

Carlinha – Certamente para o jantar da Ana Muller não é mesmo?

Giovana Exatamente, e eu quero O vestido.

Carlinha – Com muito prazer, venha por aqui.

E Carlinha mostrou quase a boutique toda a Giovana quando esta escolheu o vestido, coincidentemente o mais caro da coleção. No caixa, a dama sacou seu cartão ilimitado da carteira e deu para a moça passar. Mas esta o fez uma, duas, três vezes e o cartão não era aceito.

Moça – Me desculpe informar Dona Giovana, mas o cartão não está sendo aceito.

Giovana – É brincadeira né? Meu cartão é ilimitado! A empresa dele deve estar com problema, só pode.

Carlinha – Olhe, se você quiser, nós podemos mandar para a sua casa e depois solicitamos o cartão.

Giovana – Claro que não, imagina se eu Giovana Mendes Batista irei sair de uma Boutique sem pagar, jamais! Eu vou falar diretamente com o meu marido.

 

Giovana nunca tivera problemas com o pagamento de suas compras e, de repente, o cartão dela não era aceito? Se existe uma pessoa que não se sairá nada bem com essa história é o marido dela que vai ter que enfrentar a cobra.

Giovana – Mario, você não pagou a conta do cartão?

Mario – Claro eu paguei meu amor, por que a pergunta?

Giovana (Histérica) – Por que eu fui comprar o meu vestido, uma mixaria, diga-se de passagem, e o meu cartão platina internacional não foi aceito.

Mario – Droga! Droga! Droga!

Giovana – O que foi? Eu também quero saber!

Mario – A droga do governo desse Estado está me processando por sonegação de impostos e com certeza deve ter trancado nossas contas bancárias e cartões de crédito.

Giovana – Eu não acredito Mario, que você sonegou impostos! Nós temos muito dinheiro…

Mario – Você não faz ideia da fortuna que eles querem extorquir de nós.

Giovana – Eu preciso do meu vestido…

Mario – Tive uma ideia para acabar com essa situação.

Giovana – Conta, conta, conta.

Mario – O governador, o Eduardo, vai estar no jantar dos Muller e eu bem sei que ele sempre arrastou uma asinha para você, é só nós tirarmos proveito da situação para dar um jeito.

Giovana – Você quer me usar? Tu tá achando que eu sou o que? Uma prostituta?

Mario – Claro que não, eu só quero resolver esse problema sem ter que ir ao supremo.

Giovana – Se eu aceitar, como vou a festa sem um vestido?

Mario Querida, você tem mais vestidos que a Rachel Boutique, escolhe um deles.

Giovana – Eu? Uma dama, magnata dos calçados, vestir um vestido duas vezes? É piada!

Mario – Não é piada, é realidade!

 

Em sua casa, Giovana não podia mais fazer nada senão escolher um vestido que ninguém se lembrasse de vê-la usando e conversar com seu Personal Beauty, Washington.

Giovana – Wash, você acredita que o Mario me disse com todas as letras pra mim repetir um vestido?

Washington – Nossa, amiga é mesmo?

Giovana – Ele só faltou me dizer “Vá de calça jeans e camisa regata” vê se pode.

Washington – Nossa, é mesmo amiga?

Giovana – E ele só faltou me pedir pra me prostituir pro Dud… quer dizer, Eduardo, o governador.

Washington – Amiga, nossa, é mesmo?

Giovana – Tudo isso por que ele não pagou um ou dois impostos.

Washington – É mesmo amiga? Nossa!

Giovana – Ah, Wash, você daria um ótimo psicólogo, seus conselhos são ótimos.

Washington – Você acha amiga?

Giovana – Acho!

 

Ficou curioso com o que vai acontecer nesse jantar? Aguarde a versão completa nos dias 30 de junho e  1 julho! Eu te espero aqui 😉