Cobertura das manifestações pelo Brasil provocam mudanças na grade das emissoras

Grade voadora 

Cobertura das manifestações pelo Brasil provocam mudanças na grade das emissoras

Na já conhecida guerra pela audiência o que tem mais visto atualmente são investimentos maiores por parte das emissoras em aproveitar o assunto do momento: a onda de manifestações que rodeiam o país. A cobertura jornalistica em torno desses protestos tem sido um “Ás” na manga de algumas emissoras que cancelaram programas para a transmissão dessas coberturas.

Globo, emissora mais criticada durante esses protestos, cedeu espaço para essa cobertura e nesta quinta-feira (20) surpreendeu muitos telespectadores ao cancelar a transmissão de um jogo da Copa das Confederações. Mais do que isso, o canal ainda fez um ato histórico e cortou a exibição das novelas “Flor do caribe” e “Sangue Bom”, que não foram exibidas devido á uma edição especial do “Jornal Nacional”.

Na Record, a programação não teve muitas mudanças, com o foco no jornalismo o canal apenas cancelou a exibição da série “CSI: Miami” e esticou um pouco mais o “Jornal da Record”, que foi precedido pelo Cidade Alerta.

No SBT, famoso pelo passado de deixar o jornalismo ás moscas impressionou á todos, pelo menos na programação desta quinta. A emissora de Silvio Santos cortou a exibição de Rubi, um pouco antes do previsto para a transmissão de uma cobertura especial apresentada por Carlos Nascimento – nos dias anteriores a cobertura feita por Marcelo Torres era exibida apenas para SP – que contou com repórteres nas principais capitais do país com links ao vivo, inclusive com helicópteros em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Na Band, a emissora fez o que pode para realizar uma boa cobertura. O canal cancelou a exibição do “Show da fé” e deu hora extra para Datena seguir com uma edição especial do “Brasil Urgente”. Na segunda (17), por exemplo, Datena ganhou um espaço maior no CQC que acabou
deixando de lado o humor e colocando até seus repórteres no Bandcop. O bônus foi maior pois ainda rendeu altos índices com a Copa das Confederações.

Na Rede TV, o canal cortou a exibição de alguns programas, como a novela Betty a feia, e deixou no ar uma cobertura, em grande maioria sob o comando de Amanda Klein que também é âncoras do “RedeTV News”.

Com tanta cobertura jornalística no ar, ficou difícil para alguns telespectadores que estão cansados de verem essas manifestações e tentam buscar na televisão uma alternativa diferente. Essa oportunidade era praticamente nula

Especial para o CLUB TV
Henrique Oliveira

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Globo usa microfone sem o logo da emissora durante cobertura de protestos

Identidade secreta

Globo usa microfone sem o logo da emissora durante cobertura de protestos

Repórter realiza cobertura sem canopla

Alvo de críticas nas redes sociais e nas ruas, repórteres da Globo decidiram usar os microfones da emissora sem a canopla, objeto usado onde anexam a logo de um veículo de comunicação, durante a cobertura das manifestações que aconteceram em diversas capitais do país.

Os repórteres da Globo e Globonews optaram por não se identificar temendo represálias e violência durante esses protestos. A exemplo disso, o jornalista Caco Barcellos, do Profissão Repórter, acabou sendo expulso por um grupo de manifestantes que gritavam “Manipulador”, outra parte do grupo tentava impedir o ato lembrando a prestação de serviços do repórter que chegou a ser ameaçado de morte após uma denuncia.

Ainda sobre esses protestos, a jornalista Patrícia Poeta foi porta voz da emissora durante uma declaração no Jornal Nacional exibido na noite desta segunda (17). “A TV Globo vem fazendo reportagens sobre as manifestações desde o seu início e sem nada a esconder. Os excessos da polícia, as reivindicações do movimento Passe Livre, o caráter pacífico dos protestos e, quando houve, depredações e destruição de ônibus. É nossa obrigação e dela não nos afastaremos. O ato de protestar e se manifestar pacificamente é um direito dos cidadãos”, disse a jornalista.

Henrique Oliveira