Medo da Verdade | Quinto Capítulo

Medo da Verdade

EXT. MARGEM DO RIO MADEIRA – DIA

MÁRCIO ficou parado um instante, olhando para ESTELA, como se não conseguisse denotar as palavras. Quando finalmente conseguiu falar, a voz saiu fraca.

MÁRCIO:
Desculpe, eu não entendi bem.
ESTELA:
Eu trabalho pro Romano, MÁRCIO, e eu vim aqui para matá-lo.
MÁRCIO:
Não pode ser…
ESTELA(SE APROXIMANDO DELE):
Desculpa, eu queria ter te contado antes…
MÁRCIO (GRITANDO):
Não encoste em mim. 

Ele se sacudiu um pouco e procurou algo na calça, pouco depois achou um peixeira e apontou para ela.

ESTELA:
MÁRCIO, me escuta, vê se não faz nenhuma besteira. Eu não vou te matar, eu estou apaixonada por você!
MÁRCIO (ASSUSTADO):
EU não acredito em você.
ESTELA:
Se eu quisesse realmente matá-lo, já o teria feito. Hoje mesmo!
MÁRCIO:
Me faça acreditar em você.
ESTELA(CAMINHANDO):
Vamos andando para o meu carro e eu te entrego tudo.
MÁRCIO:
Nem mais um passo.

Ele se aproximou dela, prendeu o pescoço com um braço e apontou a lâmina com o outro.

MÁRCIO:
Agora ande, mas bem devagarinho ou você não vai ’tá viva pra contar essa historinha ao Romano.

CORTA PARA:


EXT. FAZENDA DE MÁRCIO – DIA

MÁRCIO e ESTELA conseguiram chegar ao carro caminhando à passos curtos e ele abriu a porta da máquina.

MÁRCIO:
Aí, pega tudo que for de arma, pistola, faca e joga aqui no chão, pra mim enterrar tudo ainda hoje.
ESTELA:
Eu não uso armas, tenho pouco manejo pra isso, meu forte é o uso dos venenos.
MÁRCIO:
Então derrame TODOS aqui!

MÁRCIO puxou o cabelo dela e falou ao seu ouvido, ainda com a faca apontada ao seu pescoço.

MÁRCIO:
Pare de fugir ao assunto e joga tudo logo aqui.
E

ESTELA pegou uma bolsa térmica, abriu-a, e retirou todos os recipientes quardados nela. MÁRCIO ajudou-a à despejar um a um.

ESTELA:
Satisfeito?
MÁRCIO (ALIVIADO):
Sim.
ESTELA:
PRONTO. Provei que não quero realmente matá-lo.
MÁRCIO:
Vamos lá dentro que ainda não acabou.
ESTELA:
Quer que eu faça mais o quê?
MÁRCIO:
São só alguns detalhes que você precisa ter conhecimento antes de partir.

CORTA PARA:

INT. CASA DE MÁRCIO – DIA – CREPÚSCULO

MÁRCIO sentou-se a um canto da mesa e ESTELA na extremidade oposta.

ESTELA:
Pode falar…
MÁRCIO:
É o seguinte, você vai partir ainda hoje, mas precisa saber exatamente o que vai contar para o seu chefe.

ESTELA apenas respirou fundo.

MÁRCIO:
Você vai dizer que deu tudo certo, que eu to morto e que não precisa mais se preocupar comigo. ’Tá bem?
ESTELA:
Sim… mas eu tenho uma pequena objeção.
MÁRCIO:
Pode dizer.
ESTELA:
Eu não posso viajar agora. As estradas de terra são muito escuras e há muitos animais e árvores nessa região.
MÁRCIO:
Está bem. Mas que quero-te fora daqui antes do sol amanhecer.

Ela levantou a mão timidamente. MÁRCIO conssentiu.

ESTELA:
Onde eu vou dormir?
MÁRCIO:
No seu carro possante.

ESTELA apenas sorriu.

CORTA PARA:

EXT. MATA AMAZÔNICA – NOITE

A floresta estava uma calmaria. Os unicos movimentos que podiam ser detectados eram os galhos das árvores sendo balançados pelo vento forte daquela hora. Corujas piavam ao longe e uma pantera dormia em um galho. 

MÁRCIO já havia ido dormir, mas ESTELA ficara lavando as louças e agora estava caminhando em direção ao carro. Quando ela estava entrando no carro uma pantera que havia ido caçar próxima a propriedade aparecera à frente de ESTELA. Ela apenas gritou.

MÁRCIO saiu correndo da casa e deu de cara com a pantera encarando ESTELA. Ele entrou de volta na casa e, por um quarto de segundo, ESTELA se viu abandonada. Todavia ele voltou armado e deu um tiro próximo ao animal que, assustado, saiu correndo mata a dentro. Ele correu para abraçá-la.

MÁRCIO:
Está tudo bem, pode ficar despreocupada.
ESTELA (ASSUSTADA):
Eu ’to com muito medo.
MÁRCIO:
É melhor entrar, aqui fora é muito perigoso.

INT. CASA DE MÁRCIO – NOITE

MÁRCIO fez um café rapidamente o pôs para ESTELA beber.

MÁRCIO:
Acho melhor que durma aqui dentro esta noite, para evitar outro ataque desses.
ESTELA:
Onde vou dormir? No chão?
MÁRCIO:
Não me importo que durma em minha cama, desde que não encoste em mim.
ESTELA:
Está bem.

INT. QUARTO DE MÁRCIO – NOITE

ESTELA e MÁRCIO já dormiam há mais ou menos uma hora, cada um em uma extremidade do colchão. No escuro, algo se agitava e quando aparece à luz revela-se que é uma cobra. Rastejando para perto da cama e fisgando a perna de MÁRCIO que estava meio caída.

ESTELA despertou com os gritos de MÁRCIO.

CORTA PARA: