Medo da Verdade | Capítulo 12 [ÚLTIMO CAPÍTULO]

Medo da Verdade

EXT. PRAIA DE COPACABANA – NOITE

MÁRCIO caminhava em direção ao mar, em dado ponto ele caiu de joelhos na areia. ESTELA se aproximou dele.

ESTELA:
MÁRCIO, meu amor, eu te perdôo!

Ele não falou nada. ESTELA pôs a mão em seu ombro, mas ele sequer reagira.

ESTELA (DESESPERADA):
MÁRCIO? MÁRCIO? Fala comigo!

Quando ela viu que algo muito estranho acontecia com ele, gritou por socorro.

ESTELA (GRITANDO):
SOCORRO! MÁRCIO, fala comigo!

Ninguém aparece para ajudá-la e ela, com uma força retirada de todo o seu ser conseguiu erguer o corpo dele e arrastado até o táxi dela que ficara engarrafado no trânsito. Ela entrara e colocara o corpo de MÁRCIO de mal jeito no banco de trás.

ESTELA (AO MOTORISTA):
Por favor, me ajude, acomode-o aqui.
MOTORISTA:
É pra já.

Ele deixou o carro em ponto morto e saiu para ajeitar o corpo de MÁRCIO. Depois voltou e viu ESTELA já sentada no banco da frente.

MOTORISTA:
Para onde vamos?
ESTELA:
Vamos ao hospital.

ESTELA olhou para trás e não viu um MÁRCIO de 85 anos deitado e sim um MÁRCIO de quarenta, atacado por um veneno de cobra no banco traseiro do seu carro.

CORTA PARA:

INT. HOSPITAL BOM JESUS/RECEPÇÃO – NOITE

ESTELA descera sozinha do táxi, fora atrás de um enfermeiro que viera que com um maca e colocara MÁRCIO nela.

ENFERMEIRO:
Senhora, a frequência respiratória dele não está boa, ele era fumante ativo?
ESTELA:
Eu não sei dizer, nós… nós acabamos de nos conhecer!
ENFERMEIRO:
E não tem nenhum parente por perto?
ESTELA:
Tem sim, mas eu não tenho telefone.
ENFERMEIRO:
Tome o meu.

Ele pegou um celular do bolso e entregou a ESTELA.

ENFERMEIRO:
Eu vou colocar a máscara de oxigênio nele enquanto a senhora preenche a ficha. Qualquer coisa fale com a recepcionista, meu nome é Júnior.
ESTELA:
Está bem.

JÚNIOR saiu e ESTELA ligou para NICOLAS.

ESTELA (AO TELEFONE):
Nicolas, sou eu ESTELA.
NICOLAS (V.O):
Mãe, onde a senhora está, HELENA tá feito uma doida atrás da senhora.
ESTELA (AO TELEFONE):
Eu estou no hospital.
NICOLAS (V.O):
Hospital?! O que houve com a senhora?
ESTELA (AO TELEFONE):
Não foi comigo, foi com o MÁRCIO, pai do Theodoro.
NICOLAS (V.O):
E você estavam juntos?
ESTELA (AO TELEFONE):
Eu não posso demorar muito, chame o Theodoro e venham aqui agora. Senão é capaz dele morrer!

CORTA PARA:

INT. HOSPITAL BOM JESUS/RECEPÇÃO – NOITE

NICOLAS e THEODORO chegam à recepção e veem ESTELA sentada, aguardando por eles.

NICOLAS:
Mãe.
ESTELA:
Ah, Nicolas, ainda bem que você chegou. Theodoro, eu preciso que você vá preencher a ficha do seu pai urgente para o atendimento ser efetivado.
THEODORO:
Ok, mas onde ele está?
ESTELA:
Está com um enfermeiro na emergência, esperando a liberação.
THEODORO:
Está bem.

THEODORO sai. NICOLAS olha para ESTELA como se falasse com os olhos.

ESTELA:
Deixe me adivinhar, você quer saber como eu vim parar aqui?
NICOLAS:
Isso mesmo.
ESTELA:
É uma história longa, por isso vou resumir ao máximo. Antes de eu me casar com seu pai, eu e o MÁRCIO tivemos um romance e eu não poderia imaginar que 50 anos depois o reencontraria.
NICOLAS:
Quais são as chances de isso acontecer? Uma em um milhão!
ESTELA:
Exatamente e, se isto aconteceu comigo, eu não vou deixar a chance passar.
NICOLAS:
Então a senhora e ele vão… namorar de novo?
ESTELA:
Penso que sim.
NICOLAS:
Mas mãe, olha a idade da senhora…
ESTELA:
Naquela casa de repouso é que eu não fico!
NICOLAS:
Não é melhor pensar mais… vocês mudaram muito ao longo dos anos.
ESTELA:
Meus sentimentos por ele continuam os mesmo.
NICOLAS:
Já que a senhora não vai tirar essa ideia da cabeça, é melhor eu apoiá-la.

THEODORO volta.

ESTELA:
Então?
THEODORO:
Já preenchi tudo, mas visitas só amanhã.
ESTELA:
Mas eles não têm nem ideia do que seja?
THEODORO:
Na melhor das hipóteses, uma crise asmática, na pior seria um ataque tísico.

CORTA PARA:

INT. HOSPITAL BOM JESUS/SANTUÁRIOS – NOITE

ESTELA entra no Santuário e se ajoelha em frente à imagem de nossa senhora.

ESTELA (PENSAMENTO):
Nossa Senhora, sei que nunca fui a pessoa mais crente em Deus e em ti no mundo, mas eu sei que a vós sabeis que nunca duvidei de vossa existência. Eu pequei muito na minha vida, e o Marcio também, no entanto eu imploro que não deixe que Marcio parta, nem que tenha que tocar minha vida sem a dele.”Javé, meu coração não é ambicioso, nem meus olhos altaneiros. Não ando atrás de grandezas, nem de maravilhas que me ultrapassam. Não! Eu fiz calar e repousar meus desejos, como criança desmamada no colo da mãe. Israel coloque a esperança em Javé, desde agora e para sempre. (Salmo 131)

CORTA PARA:

O dia amanhecia no Rio de Janeiro. No Hospital Bom Jesus, ESTELA, NICOLAS e THEODORO dormiam encostados nas cadeiras a espera das primeiras notícias.

INT. HOSPITAL BOM JESUS/RECEPÇÃO – DIA

ESTELA desperta lentamente, à medida que vai obtendo o focos das coisas percebe NICOLAS chegando com uma bandeja cheia de comidas para café da manhã e THEODORO conversando com um MÉDICO.

ESTELA:
NICK, o que o MÉDICO está falando ao THEODORO?
NICOLAS:
Que o MÁRCIO já tá bem, THEO acabou de vê-lo e parece mais disposto. Parece que foi só a crise asmáticas.
ESTELA:
Graças a Deus.
NICOLAS:
Sim, graças a ele. Mas agora que já sabemos que o MÁRCIO está bem, é hora de pensar na senhora. Está aqui uma bandeja de café da manhã para a senhora.
ESTELA:
Mas eu não quero.
NICOLAS:
Ontem eu bem vi que a senhora não comeu nada.

THEODORO se aproxima deles.

THEODORO:
Dona ESTELA, se quiser já pode ir ver o meu pai.
ESTELA:
Depois eu como, NICK.
NICOLAS:
Não senhora, coma e depois vá.

ESTELA toma o café e come um pouco de pão com geléia.

ESTELA:
Pronto, agora vou vê-lo.

CORTA PARA:

INT. HOSPITAL BOM JESUS/QUARTO DE MÁRCIO – DIA

ESTELA abre a porta com cuidado e entra no cômodo. MÁRCIO desperta assim que ela chega.

MÁRCIO:
ESTELA, é você?
ESTELA:
Sou eu sim, meu amor.
MÁRCIO:
Eu já estava convencido que nunca te ouvira me chamar assim.
ESTELA:
Você me deu um susto tão grande.
MÁRCIO:
O que importa é que eu já estou bem, não é mesmo?
ESTELA:
O importante é que já podemos ficar juntos, sem nenhum impecílio.
MÁRCIO:
É isso é o que importa.

ESTELA inclina o corpo de dá um beijo na testa de MÁRCIO.

8 MESES DEPOIS

INT. MANSÃO DE ESTELA E MÁRCIO – NOITE

ESTELA e MÁRCIO estavam dando um baile naquele dia para comemorar a compra da mansão dos dois, uma vez que não iriam se casar. Os amigos e os amigos de amigos estavam todos lá, além da família.
ESTELA e MÁRCIO desceram as escadas, cada qual em uma delas e quando ambos chegaram no piso deram as mãos e fizeram as honras.

ESTELA:
Sejam bem-vindos, meus amigos, à nossa casa.
MÁRCIO:
Esperamos realmente que vocês aproveitem esta festa que resolvemos dar para comemorar a felicidade em nossas vidas!
ESTELA:
E eu quero ainda propor um brinde. Um brinde ao perdão e aos finais felizes.

ESTELA, MÁRCIO, HELENA, NICOLAS, THEODORO, RENATO, MARCOS e todos na festa erguem suas taças com champanhe para fazer o
brinde.

TODOS:
Um brinde!

FADE OUT


Hoje, às 23h, último capítulo de Medo da Verdade

A minissérie que vem agitando seu fim de noite desde o dia 4 de dezembro chega ao fim hoje, às 23h. ESTELA e MÁRCIO se reencontram cinquenta anos depois, mas ele matou ROMANO, que era casado com ESTELA, então eles brigam novamente. Quando ela finalmente o perdoa, MÁRCIO tem uma crise respiratória e corre risco de vida. O que o destino reserva para eles?

–x–

INT. HOSPITAL BOM JESUS/RECEPÇÃO – NOITE

THEODORO:
Já preenchi tudo, mas visitas só amanhã.
ESTELA:
Mas eles não têm nem ideia do que seja?
THEODORO:
Na melhor das hipóteses, uma crise asmática, na pior seria um ataque tísico.

MEDO DA VERDADE (FINALE)

NESTA TERÇA ÀS 23H00 NO CLUB +TV

Medo da Verdade | Décimo Capitulo

Medo da Verdade

INT. COPACABANA PALACE/SALÃO DE FESTAS – NOITE

ESTELA entrara no salão com a sua família, eles deixaram os presentes e deram seus nomes a uma moça na recepção. NICOLAS estava lá na frente. Ela seguira instantaneamente para perto dela.

ESTELA:
Nicolas, meu filho.

NICOLAS:
Mamãe.

ESTELA (EMOCIONADA):
Meu pequeno já tem quarenta e oito
anos. Feliz aniversário.

NICOLAS:
Obrigado, mãe.

ESTELA percebera que seu filho estava conversando com um homem e o cumprimentara.

ESTELA:
Olá.

NICOLAS:
Ah, Theodoro, esqueci de
apresentá-lo a minha mãe.

THEODORO:
Prazer em conhecê-la, dona…ESTELA.

ESTELA:
O prazer é todo meu,
Theodoro.

NICOLAS:
THEODORO mexe com agricultura no
Vale do São Francisco. Platação de
uvas, mangas, melancias…

ESTELA:
Ah, que interessante. E como vocês se conheceram?

THEODORO:
Quando NICOLAS abriu uma filial do
banco na minha cidade, Petrolina,
eu comecei a colocar minhas
aplicações lá e nos conhecemos.

ESTELA:
Ah, não sabia que o banco do meu
filho já estava tão grande.

THEODORO:
A senhora nem imagina como.

NICOLAS:
Mãe, eu gostaria de apresentá-la ao
pai do Theo, mas parece que ele
sumiu.

ESTELA:
A noite é uma criança, querido,
tenho que certeza que ainda vou
encontrar com ele.

CORTA PARA:

INT. COPACABANA PALACE/SALÃO DE FESTAS – NOITE

ESTELA fora a mesa que sua família estava para tomar um refresco.

RENATO:
Não gostaria de dançar, ESTELA?

ESTELA:
Não, RENATO, obrigada.

ESTELA toma RENATO como um ’pé no saco’, ou pior, um ’pé no saco DELA’. Ela se afastara e ia se aproximando a pista de dança. ELA olhava para os casais que dançavam no meio da pista, sentindo um desejo imenso de se juntar a eles quando sentiu que alguém encostara de leve nas suas costas. Ele era um senhor que ela ainda não tivera oportunidade de conhecer.

MÁRCIO:
Me concede esta dança?

ESTELA:
Sim.

ESTELA deu a mão para que o homem à beijasse e deixou-se conduzir até a pista de dança. O homem tinha braços fortes, firmes como apenas os de quem já fizera serviço braçal pesado. De alguma forma, aquele homem desconhecido a transportou para uma época de seu passado, para o ano de 1952. Mas agora ela estava de volta e ele estava falando com ela.

MÁRCIO:
Posso saber qual a sua graça?

ESTELA:
Chamo-me, ESTELA, e o senhor?
MÁRCIO:

MÁRCIO.
“Que coincidência” pensara ESTELA.

ESTELA:
Sem querer parecer intrometida, mas
já parecendo. Qual o sobrenome do
senhor.

MÁRCIO:
Não é nenhum incomodo, meu
sobrenome é RANGEL. Eu sou MÁRCIO RANGEL.

ESTELA parara na pista de dança. MÁRCIO instantaneamente estranhou.

MÁRCIO:
O que houve, ESTELA?
ESTELA:
Sou eu, MÁRCIO, a ESTELA. A sua
ESTELA.

MÁRCIO:
Não pode ser! Eu nunca pensei que
fosse te encontrar novamente.

ESTELA:
Eu sonhei tanto com esse dia e
agora nem sei o que dizer.

MÁRCIO:
Eu sei. Eu quero te pedir desculpas
por aquele dia no hospital. Depois
eu vi que fora realmente um cobra.

ESTELA:
Eu fiquei muito machucada naquele
dia, não sei como consegui dirigir
de volta.

MÁRCIO:
Por favor, ESTELA, me perdoe. Eu
pelo menos tenho uma boa notícia
para te contar!

ESTELA:
É claro que o perdôo. Mas que
notícia é esta?

MÁRCIO:
Há uns trinta ou trinta e cinco
anos eu fiz a melhor coisa da minha
vida. Me vinguei. E matei de vez
aquele criminoso do ROMANO.

ESTELA:
Você o quê?

MÁRCIO:
Acabei com o desgraçado.

ESTELA:
Vamos ali no reservado, por favor.

MÁRCIO:
Está bem.

ESTELA e MÁRCIO foram ao um lugar ao canto do salão onde ninguém os notava e parou.

ESTELA(GRITANDO E BATENDO EM MÁRCIO):
Seu desgraçado, você acabou com a
minha vida!

CORTA PARA:

Medo da Verdade | Nono Capítulo

Medo da Verdade

INT. CASA DE REPOUSO/QUARTO DE ESTELA – DIA

ESTELA entrou no quarto e, para sua surpresa, encontrou ROSE bisbilhotando nos seus pertences.

ESTELA:
Meu Deus, você é uma ladra!
ROSE:
Dona ESTELA, mas o que a senhora está fazendo aqui?
ESTELA:
Eu estava retornando por quê… Ora, isso não interessa. Você estava me roubando!(GRITANDO) Pega Ladrão! Socorro, Ladra.

Inesperadamente, ROSE segurou ESTELA pelo braço e tapou a boca dela com a sua mão. 

ESTELA MACHUCA-A PELA BARRIGA COM A MÃO LIVRE E A MORDE PARA CONSEGUIR SE SOLTAR. ROSE URRA. ESTELA CORRE E, APÓS ALGUNS INSTANTES A ENFERMEIRA REAGE. ENQUANTO A SENHORA CORRE, ELA GRITA.

ROSE (GRITANDO):
Você não vai conseguir fugir de mim, eu sou mais rápida.

ESTELA não responde, apenas continua a correr quando vê uma enfermeira se aproximando.

ESTELA:
Socorro, me ajude, por favor.
LILIA:
Sim, senhora, mas quem é a enfermeira chefe da sua ala?
ESTELA (VIRANDO E APONTANDO):
Aquela ladra ali.

ROSE mira ESTELA e LILIA conversando e engole em seco.

CORTA PARA:

INT. CASA DE REPOUSO/SALA DA DIRETORA – DIA

A IRMÃ DIRETORA se encontra sentada atrás de sua escrivaninha  ESTELA, acomodada à frente dela e as duas enfermeiras, em pé, logo a sua frente.

DIRETORA:
Esta acusação é muito grave. Antes de fazer a queixa, Srª. Magneto, por favor, pense melhor se não se enganou com a cena.
ESTELA (GRITANDO):
Não, eu não me enganei. Pela manhã, assim que acordei, eu contei-a que usaria uma das minhas joias no aniversário do meu filho e quando volto inesperadamente mais cedo ela está bisbilhotando meu armário! Isso não pode ser coincidência.
DIRETORA:
Está bem, senhora Romano, não precisa se exceder. Agora, ENFERMEIRA ROSE, gostaria de ouvir a sua versão.
ROSE (VOZ INOCENTE):
Não houve nada demais, IRMÃ, eu estava apenas arrumando a caixa de remédios.
ESTELA:
E por que me segurou pelo braço e tapou minha boca?
DIRETORA:
Ela fez o quê?
ESTELA:
A senhora ouviu muito bem, pode conferir na mãe direita dela. Eu tive que mordê-la para conseguir me soltar.
DIRETORA:
Enfermeira ROSE, mostre a mão direira.

‘Com muita relutância, a enfermeira ergueu a mão e a IRMàDIRETORA conferiu-a.

DIRETORA:
Eu não gostaria de dizer isto, mas eu vou ter que fazer uma queixa por maus-tratos aos pacientes desta casa. Não vou admitir o nome desta instituição seja manchado.
ROSE:
Diretora, por favor…
DIRETORA:
Só Deus na sua causa agora, minha filha. Aconselho-lhe a rezar pela intercedência da santíssima trindade enquanto eu ligo para a polícia.
LILIA:
Dona ESTELA, não gostaria que eu lhe acompanhasse até o quarto?
DIRETORA:
É bem melhor, SENHORA ROMANO, receio que tenhamos de ir todas para a delegacia prestar depoimento.
ESTELA:
Está bem. Mas ligue para minha filha HELENA, o marido dela é advogado.
DIRETORA:
Pode ir tranquilamente.

ESTELA levanta e dá uma ultima olhada na cena: a IRMàDIRETORA fazendo um telefonema e a ENFERMEIRA ROSE com as mãos levadas ao rosto chorante.

CORTA PARA:

CORTA PARA:

INT. CASA DE REPOUSO/RECEPÇÃO – DIA

ESTELA chegava da delegacia acompanhada por sua filha, HELENA, e seu genro MARCOS.

HELENA:
Mamãe, eu vou tirar a senhora desta casa aqui, como é que podem deixar um monstro como aquela mulher trabalhar com idosos?
ESTELA:
Está tudo bem, HELENA, eu não quero mais dar nenhum trabalho.
HELENA:
Mas é a segurança da senhora, se eu não fosse tão ocupada, a senhora moraria comigo…
ESTELA:
Eu já sei, agora, é melhor eu ir me aprontar para não chegar atrada à festa.
HELENA:
Nós também, mamãe, deixamos o VINICIUS na casa do RENATO.
ESTELA:
O.K, vocês vão vir me pegar?
MARCOS:
Sim, dona ESTELA, viremos sim.
ESTELA:
Então está tudo certo.

HELENA dá um abraço em ESTELA e sai com MARCOS. ESTELA vai para seu quarto.

INT. CASA DE REPOUSO/QUARTO DE ESTELA – DIA

ESTELA abre o armário e tira um magnifico vestido azul marinho coberto de brilhantes, estende-o na cama e puxa um cadeira. Em cima do armário, pega uma caixa, abre-a e vê o conteúdo: joias. Ela escolhe um colar de perólas verdadeiras e um par de brincos dos mesmo conjunto. Ela entra no lavado, toma seu banho calmamente, enxuga-se, passa creme hidratante na pele, veste o vestido, põe as joias e passa perfume levemente. Em seguida sai do quarto.

INT.CASA DE REPOUSO/SALA DE CONVIVÊNCIA – NOITE

ESTELA resolve passar pela sala de convivência, um lugar onde os pacientes ficam antes de suas refeições. Ela irrompe pela porta e, instantaneamente, todos os olhares focam-se nela.

MAXIMILIAM:
Está encantadora, ESTELA.
ESTELA:
Muito obrigada.

Ela sai da sala e vai para a recepção, onde encontra HELENA,MARCOS, RENATO e VINICIUS a sua espera.

INT. CASA DE REPOUSO/RECEPÇÃO – NOITE

HELENA:
Mãe, a senhora está linda!
ESTELA:
Pena que não consegui ficar mais bonita que a minha filha.
RENATO:
Eu discordo.

RENATO beija a mão de ESTELA e, quando a solta, VINICIUS corre para abraçá-la.

ESTELA:
Ah, como eu estava morrendo de saudades do meu neto querido.
VINICIUS:
Eu também estava com saudades, vovó.
MARCOS:
Será que já podemos ir?
ESTELA:
Sim, vamos.

CORTA PARA:


Medo da Verdade | Oitavo Caítulo

Medo da Verdade

 

50 ANOS DEPOIS…

RIO DE JANEIRO – 2012

INT. CASA DE REPOUSO – DIA

O dia amanhecia na Cidade Maravilhosa. Na Casa de Repouso Santa Clara era como se fosse um dia qualquer, uma vez que a rotina dos “hospedes” nunca mudava. A enfermeira encarregada da ala leste, ROSE, fora acordar ESTELA. Ela entrara no quarto da SRª. ROMANO.

ROSE:
Dona ESTELA, dona ESTELA. É hora de acordar.
ESTELA (MAL HUMORADA):
Eu já estou acordada.
ROSE:
Acordaste com mau humor?
ESTELA:
É impossível não acordar de mau humor morando nesse lugar, onde nada muda, tudo é a mesma coisa, todos os dias. Eu já estou cansada!
ROSE:
Mas hoje não será um dia como os outros para a senhora.
ESTELA:
O que vai haver? Um médico vai dar uma palestra? (IRÔNICA) Que interessante!
ROSE:
Não, não e não. Como pode esquecer? Hoje é…
ESTELA (CORTA):
Aniversário do meu filho Nicolas. Você acha que eu esqueceria que hoje é o aniversário do meu primeiro filho? 12 de dezembro de 1964, eu quase não cheguei viva ao hospital. Já lhe contei essa história?
ROSE:
Dezenas de vezes. Mas, então, já decidiu o que vai vestir hoje?
ESTELA:
Minha filha HELENA já decidiu por mim. Ela comprou um vestido azul brilhante e eu usarei uma das joias que meu falecido marido me deu.
ROSE:
A senhora fala dele com tanta indiferença.
ESTELA:
Já faz muito tempo, quase uma vida. Você tem quantos anos querida?
ROSE:
Trinta, senhora.
ESTELA:
E você considera isso muito tempo?
ROSE:
Bem… sim.
ESTELA:
Meu marido faleceu há trinta e três anos. Nick, coitado, só tinha quinze anos, estava terminando o curso normal. Helena, que era muito apegada ao pai, só tinha dez. Eu encontrei forças Deus sabe onde para continuar em pé e terminar a criação dos meus filhos e com o quê eles me retribuem? Me internando nesta casa de repouso! Eu mereço isso, Meu Deus?

CORTA PARA:


INT. CASA DE REPOUSO/REFEITÓRIO – DIA

ROSE levava ESTELA na cadeira de rodas para o refeitório. ESTELA resmungava a cada minuto.

ESTELA:
Eu já disse que não preciso dessa maldita cadeira de rodas. Eu tenho pernas e essas pernas são para andar.
ROSE:
Mas a senhora vai se cansar na festa de hoje.Vai dançar, rever os amigos… tem que guardar forças.
ESTELA:
Pensar que eu já corri tanto…
ROSE (OLHANDO EM VOLTA):
Em que mesa vai ficar?

Entre as diversas mesas encontravam-se grupos de idosos  conversando sobre o que liam no jornal, senhoras quase mudas que tomavam chá e uma com um homem rodeado de hospedes que o ouviam atentamente.

ESTELA (ANALISANDO TODAS AS MESAS):
Quem é aquele?
ROSE:
É o Maximiliam Pieport, um novo hóspede. Chegou ontem à tarde e já fez amizades.
ESTELA:
O que ele tem de tão interessante a contar que todas aquelas velhas estão o rodeando?
ROSE:
Ele foi um investigador, desvendou crimes…
ESTELA:
Com certeza foi um dos inúteis da década de cinquenta. Coloque-me na mesa dele, preciso divertir-me um pouco.
ROSE (RINDO):
Como quiser…

ROSE empurrou a cadeira até a mesa e, ao chegar, apresentou ESTELA ao grupo.

ROSE:
Sr. Pieport, essa é ESTELA uma das nossas hospedes mais adoráveis.

Maximiliam se velanta e beija a mão de ESTELA.

MAXIMILIAM:
Prazer, Max.
ESTELA:
Encantada, Maximiliam.
ROSE:
Posso deixá-la aqui, Dona ESTELA?
ESTELA:
Sim!

ESTELA levantou da cadeira de rodas com pouca dificuldade e acomodou-se em um dos assentos à frente do detetive. Um silêncio perturbador instalou-se na mesa.

ESTELA:
Por algum acaso falavam de mim?
MAXIMILIAM:
Não, de nenhuma forma.
ESTELA:
Então continue falando o que eu interropi.
MAXIMILIAM (PIGARREANDO):
Bem… como eu estava dizendo, nos meus primeiros anos como investigador eu só auxiliava os “grandes”, mas depois de alguns anos acabei me tornando um deles.
GERTRUDES:
E qual foi o crime mais difícil que teve de solucionar?
MAXIMILIAM:
Eu era um especialista em assassinatos… mas, de certa forma, havia um padrão para esse tipo de crime. Se um homem importante morria, sempre era uma pessoa invejosa na empresa.
ESTELA:
E o que me diz das “assassinas”?
MAXIMILIAM:
Ora, ESTELA, elas ainda não existiam na minha época. Na década de 60 tudo que uma mulher queria era ficar em casa cuidando dos filhos.
ESTELA:
Claro que isto não é verdade…
MAXIMILIAM:
Em todos os meus quarenta anos como investigador criminal não houve uma mulher que cruzasse o meu caminho.
ESTELA:
Ou você não cruzou o dela.
MAXIMILIAM:
Não queira iniciar uma discussão, senhora…
ESTELA (HISTÉRICA):
Você só pode ter sido um incompetente mesmo.
MAXIMILIAM:
Assim você me ofende.
ESTELA:
Quer saber, eu não preciso ficar aqui ouvindo suas fassanhas mirabolantes. Com licença.

ESTELA levantou-se com dificuldade e caminhou novamente para o seu quarto.

INT. CASA DE REPOUSO/QUARTO DE ESTELA – DIA

ESTELA entrou no quarto e, para sua surpresa, encontrou ROSE bisbilhotando nos seus pertences.

ESTELA:
Meu Deus, você é uma ladra!
ROSE:
Dona ESTELA, mas o que a senhora está fazendo aqui?
ESTELA:
Eu estava retornando por quê… Ora, isso não interessa. Você estava me roubando!(GRITANDO) Pega Ladrão! Socorro, Ladra.

Inesperadamente, ROSE segurou ESTELA pelo braço e tapou a boca dela com a sua mão.

CORTA PARA:


Medo da Verdade | Sétimo Capítulo

Medo da Verdade

INT. CASA DE ESTELA/QUARTO – DIA

Já se passaram quatro dias desde que chegara à São Paulo, e ESTELA continuava enfurnada no quarto. Quando saia era para comer algo na cozinha, mas vomitava tudo. Ela chorara o suficiente para encher o reservatório da sua casa. Mas naquele dia o telefone tocara. Arrastando-se, ESTELA forçara-se a atender.

ESTELA (GROGUE):
Alô?
ROMANO (V.O):
ESTELA, que bom que atendeu. Está tudo bem?
ESTELA:
Sim, quer dizer, mais ou menos.
ROMANO (V.O):
Será que estaria bem o suficiente para um jantar esta noite?
ESTELA:
Romano, não precisa, eu posso preparar um relatório da missão e te mandar amanhã de manhã.
ROMANO (V.O):
Eu não quero falar sobre a missão, sei que você fez o seu trabalho bem feito. Só gostaria da sua companhia em um jantar.
ESTELA:
Seu desejo é uma ordem.
ROMANO (V.O):
Te pego às oito na sua casa?
ESTELA:
Como queira.

ESTELA instantaneamente olhara para o relógio, eram dezesseis horas, o que significava que ela tinha quatro horas para dar um jeito na casa e em si antes que o Romano chegasse. Ela arregaçou as mangas e foi ao trabalho. Ela limpara a cozinha, aspirara o pó da sala, arrumara a cama no quarto, não desfizera a mala e fora para o banheiro. Ensaboou-se até a pela ficar em carne viva, lavou os cabelos com uma hidratação, colocara um lindo vestido vermelho que lhe cobria até o joelho, passara um pouco de pó no rosto e batom na boca e as sandálias de salto alto complementaram o visual. Pontualmente, às vinte horas a campainha tocou.

CORTA PARA:


INT. CASA DE ESTELA/SALA – NOITE

ESTELA abrira a porta e se deparara com um Romano vestido a rigor, com um terno perfeitamente costurado, sapatos italianos e um buquet de rosas vermelhas às mãos.

ROMANO (ERGUENDO O RAMALHETE):
ESTELA, está linda assim como essas rosas que agora são suas.
ESTELA:
Não precisava, Romano.
ROMANO:
Me chame de ALEXANDRE, por favor.
ESTELA:
Por que não entra enquanto eu coloco essas rosas num vaso, ALEXANDRE.
ROMANO:
Como queira.

Ele entrara e sentara-se no sofá.

ESTELA:
Quer beber alguma coisa?
ROMANO:
Que tal se deixássemos essa parte para o fim da noite? O metre deve estar aguardando no meu iate.
ESTELA:
Onde é que nós vamos jantar?
ROMANO:
No meu iate. Me acompanha?

Ela se aproximou e o deu o braço para guiá-la.

CORTA PARA:

INT. IATE DE ROMANO – NOITE

ROMANO ajudara ESTELA a subir no barco e, antes de ir para a mesa, eles se acomodaram na popa.

ESTELA:
A lua está linda hoje.
ROMANO:
Assim como os seus olhos.

ROMANO se aproximou de ESTELA pelas costas dela e a abraçou.

ESTELA:
Alexandre, assim eu fico sem graça.
ROMANO:
Eu só queria dançar com você.
ESTELA:
Dançar que música?
ROMANO:
Não seja por isso.

ALEXANDRE bateu uma palma na outra uma orquestra composta por sete músicos surgiu sabe-se lá de onde e começou a tocar uma música romântica.

ESTELA:
Você é uma figura.

Eles começaram a dançar com os rostos colados, a música era lenta, as estrelas e a lua serviam de paisagem para aquele momento. De repente o toque da música começou a ficar mais baixo e ROMANO se afastou de ESTELA.

ESTELA:
O que houve?

ALEXANDRE apenas pigarreou um pouco, se ajoelhou e tirou um pequeno embrulho do bolso.

ESTELA:
Por favor, ALEXANDRE, não faça isso.
ROMANO:
ESTELA, eu sei que até meia hora atrás nossa relação era inteiramente profissional, todavia eu não consigo achar outra pessoa que possa me compreender tão bem como você então eu vou te fazer aquela pergunta que toda mulher deseja ouvir ao menos uma vez na vida: quer casar comigo?
ESTELA:
Sim, sim, sim!

Ela não sabia o por quê e nem de onde tirara forças para falar aquilo, mas o fez e agora isso era tudo.

2 ANOS DEPOIS

INT. ESCRITÓRIO DE ROMANO – DIA

Batidas emanavam da porta do escritório, ROMANO permitira a entrada e quem irrompera não era a ESTELA de 1960 e sim uma nova mulher, não pelo fato das madeixas estarem mais curtas ou estar usando uma aliança com uma pedra de esmeralda na mão esquerda, mas por ser realmente outra. Agora era ESTELA ROMANO.

ROMANO:
Meu amor, que surpresa vê-la aqui.
ESTELA:
Eu não teria vindo se não fosse realmente importante.
ROMANO:
Posso saber o que é?
ESTELA:
Sim.
ROMANO:
Pode me contar.
ESTELA:
Eu sei que o que vou pedir não vai ser fácil, mas é preciso. Assim que nos casamos eu abandonei minha profissão para cuidar da casa e, mais tarde, de nossos filhos, e agora acho que é a sua vez.
ROMANO:
Por que eu pararia de trabalhar? Por acaso não estou te dando atenção suficiente?
ESTELA:
Isso nunca, eu só quero me sentir segura e sentir que nosso filho estará seguro.
ROMANO:
Nosso filho?
ESTELA:
Eu estou grávida, ALEXANDRE.
ROMANO:
Mas, de qualquer forma, eu não posso deixar de trabalhar. Temos que nos sustentar.
ESTELA:
Querido, se seu dinheiro não fosse ilegal seria, de longe, o mais rico desse país. Temos dinheiro para viver numa ótima casa, ter um ótimo carro, fazer viagens internacionais e dar a melhor educação para este e os outros filhos que virão.
ROMANO:
Eu sei, porém…
ESTELA:
É pela segurança da sua família, este ramo é muito perigoso, querido.
ROMANO:
O que é que você não me pede chorando que eu não faço sorrindo?
ESTELA:
É por isso que eu te amo.

ESTELA levantou e foi para o lado dele, ROMANO pode afagar a sua barriga e sentir a presença de seu primeiro filho.

CORTA PARA:


Medo da Verdade | Sexto Capítulo

Medo da Verdade

EXT. QUINTAL DA CASA DE MÁRCIO – NOITE

ESTELA carregava MÁRCIO com dificuldade para o carro, ela o acomodou no banco de trás do carro e correu para o lado do motorista. ESTELA deu a partida e, quando já estava entrando na BR, olhou para trás, viu MÁRCIO desmaiado e começou a chorar.

ESTELA:
Você vai ficar bem, MÁRCIO, eu sei que vai.

INT. RECEPÇÃO DO HOSPITAL SANTA MARIA – DIA

O sol era apenas um fina linha ao horizonte quando ESTELA entrara na recepção de um hospital numa cidadela acriana. Ela fora para um balcão onde havia uma senhora de meia-idade sonolenta.

ESTELA:
Ei, senhora.
RECEPCIONISTA (DESPERTANDO):
Olá.
ESTELA:
Tem um homem ferido no meu carro, ele precisa de acompanhamento médico.
RECEPCIONISTA:
O primeiro clínico geral chega às 10h da manhã, é por ordem de espera e suponho que sejas a primeira.
ESTELA:
Quanto você quer para ligar para esse maldito médico e mandá-lo vir aqui, dizendo que é uma emergencia?
RECEPCIONISTA:
Eu não vou ser comprada.

ESTELA abre a bolsa, pega uma pistola e aponta para a recepcionista.

ESTELA (COM A ARMA APONTADA):
E um tiro no meio da testa, você quer?
RECEPCIONISTA:
Pode abaixar a sua arma, já estou ligando.

Ela digitou o número do telefone do médico, esperou um pouco e depois começou a falar coisas como: “Venha aqui, é urgente” e “Não, tem que ser agora”. E depois desligou.

RECEPCIONISTA:
Pronto, ele já está a caminho.

CORTA PARA:

INT. RECEPÇÃO DO HOSPITAL SANTA MARIA – DIA

ESTELA sentou um pouco e tomou uma água enquanto o médico não chegava e quando um enfermeiro que também fora chamado apareceu ela correu com ele para o carro, pretendendo levar MÁRCIO para uma das macas. Logo em seguida foi o DR. JUAREZ quem apareceu. ESTELA correu de encontro a ele.

ESTELA (DESESPERADA):
DOUTOR, por favor me ajude, é o meu irmão,e ele está ferido e eu não sei o que foi.
MÁRCIO:
Calma, minha senhora, eu vou examinar o seu irmão e farei de tudo para que ele fique bem o mais rápido possível.

ESTELA assentiu e o MÉDICO, juntamente ao ENFERMEIRO levaram MÁRCIO por um imenso corredor enquanto ESTELA esperava sentada. Passou-se um tempo desde que DR. JUAREZ saíra e, após o que pareceu uma eternidade ele mandou chamar ESTELA.

INT. SALA DO DR. JUAREZ – DIA

Quando ESTELA entrou na sala, ela encontrou o médico sentado na sua mesa lendo uns exames. Ela se acomodou em uma cadeira e esperou até que ele falasse algo.

DR. JUAREZ:
Bom, senhora, nós conseguimos controlar o quadro do Sr. Márcio, mas ele não pode sofrer nenhum tipo de emoção muito forte, como decepções, preocupações, relações sexuais…
ESTELA:
O que o acometeu?
DR. JUAREZ:
Ah, você não sabe? Ele foi picado por uma cobra, por sorte nós tínhamos um pequeno estoque de soro antiofídico e ele parece estar melhorando.
ESTELA:
Graças a Deus.
DR. JUAREZ:
Eu vou precisar que ele fique em observação até o inicio da noite, depois disso ele já estará liberado.
ESTELA:
Obrigada, doutor.
DR. JUAREZ:
Há ainda alguma coisa que eu possa responder?
ESTELA:
Na verdade… sim. Quando poderei visitá-lo?
DR. JUAREZ:
Agora, se desejar, antes que os sedativos façam efeito e ele durma até a hora de partir.
ESTELA:
O senhor poderia me levar até onde ele está?
DR. JUAREZ:
Claro, venha comigo.

ESTELA seguiu o médico até uma sala onde MÁRCIO estava internado numa cama.

INT. HOSPITAL SANTA MARIA/INTERNADOS – DIA

ESTELA se aproximou de MÁRCIO e afagou-lhe o rosto suavemente até ele despertar.

MÁRCIO:
ESTELA?
ESTELA:
Ei, eu estou bem aqui.
MÁRCIO:
Ainda bem que você estava lá do meu lado. Não sei o que teria sido de mim.
DR. JUAREZ:
Nisso eu vou ter que concordar, se tivesse demorado mais um pouquinho o veneno teria chegado ao coração.
MÁRCIO:
Veneno? Que veneno?
DR. JUAREZ:
O DA COBRA QUE TE PICOU!
MÁRCIO:
Veneno de cobra…

Uma recordação veio à cabeça de MÁRCIO e ele olhou para ESTELA enquanto lembrava.

MÁRCIO:
Aí, pega tudo que for de arma, pistola, faca e joga aqui no chão, pra mim enterrar tudo ainda hoje.
ESTELA:
Eu não uso armas, tenho pouco manejo pra isso, meu forte é o uso dos venenos.

“Uso dos venenos” ela dissera…

MÁRCIO:
Doutor, será que você poderia nos deixar a sós por um tempo?
DR. JUAREZ:
Sim, claro.

Ele saiu da sala e MÁRCIO enrijeceu o maxilar para falar com ESTELA.

MÁRCIO:
Como você ainda teve coragem? Eu te
salvei daquela pantera.
ESTELA:
Coragem para quê?
MÁRCIO:
Pra tentar me matar, sua vagabunda assassina.
ESTELA:
Eu não tentei fazer nada, MÁRCIO.
MÁRCIO:
Quer saber? Some logo daqui, some da minha vida.
ESTELA:
Não me pede isso.
MÁRCIO (GRITANDO):
ASSASSINA! SOCORRO! ASSASSINA!

ESTELA ficou sem reação e depois se viu correndo pelo corredor do hospital aos prantos em direção ao carro. Ela entrou no automóvel e começou a limpar as lágrimas enquanto dirigia de volta à São Paulo.

CORTA PARA:


Medo da Verdade | Quinto Capítulo

Medo da Verdade

EXT. MARGEM DO RIO MADEIRA – DIA

MÁRCIO ficou parado um instante, olhando para ESTELA, como se não conseguisse denotar as palavras. Quando finalmente conseguiu falar, a voz saiu fraca.

MÁRCIO:
Desculpe, eu não entendi bem.
ESTELA:
Eu trabalho pro Romano, MÁRCIO, e eu vim aqui para matá-lo.
MÁRCIO:
Não pode ser…
ESTELA(SE APROXIMANDO DELE):
Desculpa, eu queria ter te contado antes…
MÁRCIO (GRITANDO):
Não encoste em mim. 

Ele se sacudiu um pouco e procurou algo na calça, pouco depois achou um peixeira e apontou para ela.

ESTELA:
MÁRCIO, me escuta, vê se não faz nenhuma besteira. Eu não vou te matar, eu estou apaixonada por você!
MÁRCIO (ASSUSTADO):
EU não acredito em você.
ESTELA:
Se eu quisesse realmente matá-lo, já o teria feito. Hoje mesmo!
MÁRCIO:
Me faça acreditar em você.
ESTELA(CAMINHANDO):
Vamos andando para o meu carro e eu te entrego tudo.
MÁRCIO:
Nem mais um passo.

Ele se aproximou dela, prendeu o pescoço com um braço e apontou a lâmina com o outro.

MÁRCIO:
Agora ande, mas bem devagarinho ou você não vai ’tá viva pra contar essa historinha ao Romano.

CORTA PARA:


EXT. FAZENDA DE MÁRCIO – DIA

MÁRCIO e ESTELA conseguiram chegar ao carro caminhando à passos curtos e ele abriu a porta da máquina.

MÁRCIO:
Aí, pega tudo que for de arma, pistola, faca e joga aqui no chão, pra mim enterrar tudo ainda hoje.
ESTELA:
Eu não uso armas, tenho pouco manejo pra isso, meu forte é o uso dos venenos.
MÁRCIO:
Então derrame TODOS aqui!

MÁRCIO puxou o cabelo dela e falou ao seu ouvido, ainda com a faca apontada ao seu pescoço.

MÁRCIO:
Pare de fugir ao assunto e joga tudo logo aqui.
E

ESTELA pegou uma bolsa térmica, abriu-a, e retirou todos os recipientes quardados nela. MÁRCIO ajudou-a à despejar um a um.

ESTELA:
Satisfeito?
MÁRCIO (ALIVIADO):
Sim.
ESTELA:
PRONTO. Provei que não quero realmente matá-lo.
MÁRCIO:
Vamos lá dentro que ainda não acabou.
ESTELA:
Quer que eu faça mais o quê?
MÁRCIO:
São só alguns detalhes que você precisa ter conhecimento antes de partir.

CORTA PARA:

INT. CASA DE MÁRCIO – DIA – CREPÚSCULO

MÁRCIO sentou-se a um canto da mesa e ESTELA na extremidade oposta.

ESTELA:
Pode falar…
MÁRCIO:
É o seguinte, você vai partir ainda hoje, mas precisa saber exatamente o que vai contar para o seu chefe.

ESTELA apenas respirou fundo.

MÁRCIO:
Você vai dizer que deu tudo certo, que eu to morto e que não precisa mais se preocupar comigo. ’Tá bem?
ESTELA:
Sim… mas eu tenho uma pequena objeção.
MÁRCIO:
Pode dizer.
ESTELA:
Eu não posso viajar agora. As estradas de terra são muito escuras e há muitos animais e árvores nessa região.
MÁRCIO:
Está bem. Mas que quero-te fora daqui antes do sol amanhecer.

Ela levantou a mão timidamente. MÁRCIO conssentiu.

ESTELA:
Onde eu vou dormir?
MÁRCIO:
No seu carro possante.

ESTELA apenas sorriu.

CORTA PARA:

EXT. MATA AMAZÔNICA – NOITE

A floresta estava uma calmaria. Os unicos movimentos que podiam ser detectados eram os galhos das árvores sendo balançados pelo vento forte daquela hora. Corujas piavam ao longe e uma pantera dormia em um galho. 

MÁRCIO já havia ido dormir, mas ESTELA ficara lavando as louças e agora estava caminhando em direção ao carro. Quando ela estava entrando no carro uma pantera que havia ido caçar próxima a propriedade aparecera à frente de ESTELA. Ela apenas gritou.

MÁRCIO saiu correndo da casa e deu de cara com a pantera encarando ESTELA. Ele entrou de volta na casa e, por um quarto de segundo, ESTELA se viu abandonada. Todavia ele voltou armado e deu um tiro próximo ao animal que, assustado, saiu correndo mata a dentro. Ele correu para abraçá-la.

MÁRCIO:
Está tudo bem, pode ficar despreocupada.
ESTELA (ASSUSTADA):
Eu ’to com muito medo.
MÁRCIO:
É melhor entrar, aqui fora é muito perigoso.

INT. CASA DE MÁRCIO – NOITE

MÁRCIO fez um café rapidamente o pôs para ESTELA beber.

MÁRCIO:
Acho melhor que durma aqui dentro esta noite, para evitar outro ataque desses.
ESTELA:
Onde vou dormir? No chão?
MÁRCIO:
Não me importo que durma em minha cama, desde que não encoste em mim.
ESTELA:
Está bem.

INT. QUARTO DE MÁRCIO – NOITE

ESTELA e MÁRCIO já dormiam há mais ou menos uma hora, cada um em uma extremidade do colchão. No escuro, algo se agitava e quando aparece à luz revela-se que é uma cobra. Rastejando para perto da cama e fisgando a perna de MÁRCIO que estava meio caída.

ESTELA despertou com os gritos de MÁRCIO.

CORTA PARA: