Clube do Medo | Sangue Fresco (Parte 3/FINAL)

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PRIMEIRA PARTE AQUI

SEGUNDA PARTE AQUI

9

Um policial perturbado; Uma cidade abandonada; Uma velha delirante.

Sem sono, e ainda pensativo sobre  o fato de estar na antiga casa da mãe da qual ele questionava dizer que o seu passado estava enterrado lá.

Vagueava pela casa como um andarilho vagueia pelo mundo  à procura do nada. Já era noite. Estava escuro. Tom pegou a lanterna na mochila, desceu as escadas, com cuidado para não acordar Joana, que dormia tranquilamente. Iluminou a sala, a poeira nos moveis tomava conta. Passou pela cozinha, o seu quarto, viu alguns brinquedos, livros de terror que colecionava. Todos estavam empoeirados. Em cima da cama, tom viu o ultimo livro que tinha lido A Hora do Vampiro.

Ao lado de seu quarto, havia o da irmã, Cameron. O quarto que antigamente era rosa, agora tomava tons enegrecidos. Seu coração apertou, tentou segurar a emoção, mas não aguentou, sentou-se na cama da garota e começou a chorar, pegou uma boneca e a abraçou tão forte, tão forte que o olho da boneca se esbugalhou.

Depois de aliviado, olhou a boneca. Levou um susto, e a jogou longe. A boneca estava com três palavras escritas em Sangue Fresco.

VOU TE MATAR

Tom, porem, rapidamente voltou a si. Achou estranho. Deixou o quarto da irmã e retornou ao seu.

10 

Quando Tom, tinha enfim pegado no sono, ele acorda agitado em plena madrugada com ruídos estranhos.

Alguém esta subindo as escadas!

Acordou Joana. E pegou um taco de beisebol que estava ao lado. Alguma coisa pegou na maçaneta, e a abriu.

 

11

Tom se assustou e avançou, mas, naquele momento, a Coisa revidou jogando-o para a janela que se espatifou, e Tom foi arremessado bruscamente até sentir o corpo no solo.

Gritos de Joana. Gritos terríveis.

A Coisa apareceu pela janela, abriu as asas de morcego e voou, segurando Joana pelo cabelo. Quando pousou a jogou aonde estava o carro. Desfaleceu.

-Eu sempre esperei por esse dia! – Arfou Tom.

A coisa usava um capuz, que delineava o corpo escultural. Um manto decaia sobre até os pés, negro. Os olhos avermelhados, e a boca suja com sangue. As veias apareciam, o sangue não corria.

Mas Tom tinha quebrado a perna.

Aquele era o fim?

Não. Tom tentou se levantar. A coisa reagiu,  pegou sua perna e a esmagou, levantando-o de cabeça para baixo. E retirou o capuz. 

Medo, o mais profundo Medo!

 A coisa não tinha cabelos e havia marcas desconhecidas tatuadas na cabeça que desciam pelo pescoço e o contornava. Mas sua atenção foi distraída novamente quando, pela primeira vez, a Coisa falou.

-Chegou o dia. Chegou o dia da era apocalíptica. Há muito tempo esperamos por isso, há muito tempo nós evoluímos. Tomamos posse de Glent Hill, mas faltava um – pausa – Faltava você, Tom Collin.

Tom não se deixou a bater, e cuspiu na face da Coisa.

-Você cheira a sangue fresco, Tom. Nós gostamos disso. Gostamos muito.

Tom lembrou do que havia guardado por anos e anos, e jamais tirou do bolso.

A faca.

Com uma rapidez, Tom sacou a faca e a enfiou na cabeça da coisa, entre os olhos e o nariz carcomido. E nesse momento ele cai, a Coisa começa a se exaurir. Joana desperta e joga um litro de querosene. Tom pensa rápido, e distribui o líquido no monstro. Para o Gran Finale: um esqueiro.

A coisa, pega fogo, soltando grunhidos aterrorizantes.

Zing riashi maka kishi darunh selah! – pronunciou a Coisa.

Parecia que invocava algo. Ou alguém.

-Uma coisa eu tenho que concordar com a velha da lanchonete – e olhou para o monstro no chão – Todos irão queimar. 

12 

Depois que a Coisa sessou os gritos, Tom foi ao encontro da amada, rastejando.

-Vai ficar tudo bem – Ele disse.

Mas naquele exato momento. Tom avistou ao longe uma pessoa se aproximando da mansão. E foi chegando. Quando chegou se deu conta que era a Velha da lanchonete.

A velha estava pálida, e com sangue ao redor da boca, se encontrava irracional, letárgica.

-Meu Deus! – Arfou.

-O que foi, Tom?

E depois avistaram mais pessoas vindo, se é que eram pessoas, e depois foram se multiplicando.

-Espere! – disse Tom.

Sifting through the system
For the piece that knows my name
Endlessly I listen, in the master game

A população de Glent Hill!

-Isso foi uma armadilha!

-Como assim?!

-Eu sou o ultimo nascido nesta cidade. É meu fim morrer com ela!

-Até quem fim percebeu – Surpreendeu Joana, mudando o tom de voz.

Tom largou Joana de lado, e olhou em seus olhos, que agora ficaram vermelhos. E soltava uma baba branca, que pingava no chão, e em seguida fazia um eco. 

Welcome to my world
Welcome to my world
Welcome to my only world
Welcome to my only world

It is full of space junk
But your words are coming through
I’m riding on the space junk
And it’s
bringing me to you
Bringing me to you
 

Tom lutou contra a Coisa pela ultima vez. E agora morreria nas mãos da população de Glent Hill.

Tom engoliu em seco. E a população se amontou em cima dele. Não fez nada, o que iria fazer?

Foi devorado vivo.

Depois de um tempo, todos abriram alas, uma pessoa vinha ao encontro do corpo de Tom que ainda estava vivo. Agora, Tom estava sem as pernas, sem os braços e com um pouco do peitoral devorado.

Quando Tom olhou, viu Cameron, a sua irmãzinha, com aqueles olhos, aqueles terríveis olhos vermelhos. E o que ela segura? A boneca.

Aquela Boneca.

Tom gritou.

Doador de Orgãos, isso soa engraçado, não?

FIM.

 

NOTA DO AUTOR

Devo dizer que trabalhei bastante neste conto, escrevi no meu caderno de anotações, eliminando trechos acrescentado paragrafos, montando dialogos e etc. Mas a grande questão é,“Voces gostaram?“. Quero deixar claro para você, querido leitor, que os finais dos meus contos ficarão subentendidos, ou seja, é você quem vai criar!  No entanto agora, fiquem com os proximos contos.

Um abraço forte. E lembre-se “As vezes a realidade pode ser bem mais assustadora do que a ficção, ou seja, a magia existe“.

http://http://www.youtube.com/watch?v=cYB9nmUwUhc

PRÓXIMA SEMANA, NO CLUB DO MEDO:

SOPHIE, A PARANORMAL!

“Em toda escola do estado, tem sempre uma pessoa como eu, aquela que quando conta uma piada todos riem, se você ingere uma caixa de laxante e começa a peidar na sala de aula, isso é motivo de risada. Mas as minhas piadas acabaram de forma trágica, quando Sophie Brown, uma garota de 14 anos da escola Bringstone, decidiu eliminar todos aqueles que a zombavam na escola, e eu vi, e eu vivenciei tudo, vi coisas horrendas, atormentadoras. Hoje, aonde passo os meus últimos dias, a historia de Sophie me atormenta, e preciso contá-la, para alguém, ou então eu nunca viverei em paz, mas afinal, porque eu deveria ter paz? Sophie nunca esteve em paz!”

Um remake de Jhonnatan Carneiro

Hoje, a parte final de “Sangue Fresco” no Clube do Medo

Clube do Medo

 

Neste sábado, a última parte do conto de estreia do Clube do Medo: Sangue Fresco se encerrará em grande estilo!

A Coisa aparece para Tom…

Alguma coisa pegou na maçaneta, e a abriu.

E ele a enfrentará…

“Eu sempre esperei por esse dia!”

E as surpresas não param por aí…

“Eu sou o ultimo nascido nesta cidade. É meu fim morrer com ela!”

NÃO PERCA, ÚLTIMAS EMOÇÕES DE SANGUE FRESCO

ÀS 22H30 NO CLUBE DO MEDO

 

Clube do Medo | Sangue Fresco (Parte 2)

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PRIMEIRA PARTE AQUI

6 

Mesmo que Tom permanecesse a madrugada inteira a pensar. Ali, por boa vontade, estava Joana, arrumando os pertences de ambos. Sairiam para morrer, ou melhor, para uma aventura que, provavelmente, seria a última.

Depois de tudo pronto, dormiram um pouco, mas bem pouco, somente três horas, levantaram agitados, colocaram as bagagens no carro, e saíram. Deixando a mansão Collin. Para sempre.

Foram Interestadual. Mais tarde passaram pelo Novo México. E até que pegaram uma estrada vazia.

-Oh Oh meu Deus, Tom!

-O Que foi Joana, o que foi?

-Você não viu?

-Viu o que?

Um gato preto espetado na placa 666. Era o começo do terror. Joana estava assustada, eufórica  Que ser humano faria aquilo? Quem colocaria um gato morto, e espetado em uma placa?

-Chegamos.

E Joana se impressionou com o que o marido falou.

-Como assim?

-Estamos a poucos minutos de Glent Hill

-Como pode ter tanta certeza.

-Só Glent Hill tem esse costume de fazer tamanhas barbaridades.

-Deus do Céu!

Depois daquele susto, prosseguiram a viagem.

7 

O sol queimava.

Tom acelerava. Queria chegar logo, para voltar logo. Mas, pelo retrovisor, avistou um carro. Um carro que se aproximava rapidamente.

-Que estranho – Arfou Joana.

-Muito.

O carro diminuiu a velocidade. Sumiu. E Tom continuou, pisou no acelerador. Alguns minutos depois, o carro volta a aparecer pelo retrovisor, e desta vez estava os perseguindo. Tom gelou. O carro deu sinal para Tom estacionar. Mas antes olhou fixamente o veículo.

Era a policia.

-Droga.

-O quê?

-É a policia.

Tom estacionou. E um homem enorme, e assustador saiu do carro. O enorme chapeu chamava a atenção, mas a P220 pendurada na bainha superava o adereço. O policial andava fazendo pose.

Grande coisa, ser policial.

-Boa Tarde…?

-Tom – hesitou – Collin. Tom Collin

-Sr. Collin.

O homem enorme se apoiou na janela. A voz era grave e atormetandora.

-Identidade por favor.

-Algum problema, Senhor Policial?

-Por hora? Não.

Tom entregou a identidade. Joana olhava as perebas no rosto do homem.

-Tom Edward Collin, 38 anos, de Glent Hill – surpreendeu o Homem.

-Estamos indo a passeio para Glent Hill, senhor – trepidou Joana.

O homem, olhou para Joana, mas a ignorou, e voltou o seu olhar para o registro geral de Tom.

-Hum… Doador de Orgãos? – arfou o policial.

Joana e Tom se entreolharam, e observaram o Homem rir.

-Algum Problemma?

-Doador de Orgãos? – trepidou o Homem.

-Sim, porque?

-Isso soa engraçado, não?

deu outro berro. Tom ficou á Deriva.

Depois que se cansou, entregou a identidade e parou de rir rapidamente, mas também disse emendadndo as palavras.

-Abra o bagajeiro.

Tom obedeceu. O que poderia ter acontecido? E o que poderia acontecer? Bem, aquele homem poderia ser um impostor, poderia, ali matar Tom, e depois ir até o carro estuprar e matar Joana, e depois jogar os corpos no deserto para os urubus comerem.

Mas não.

Não houve isso.

Tom abriu o bagajeiro, o policial revistou, revistou e não encontrou nada ilegal.

-Acho que lhe devo pedidos de desculpas, meu caro.

-Por nada.

– É porque Glent Hill está muito abalada com algumas coisas que vêm acontecendo, entende?

-O que vem acontecendo? – perguntou Tom curioso.

Não estava com tanto medo agora.

– Ah… pessoas estão sumindo sem dar explicações, entende?

– Mas o que há em você ter que parar todos para olhar o bagajeiro?

– É porque na semana passada encontramos um homem, nesta mesma estrada, no mesmo lugar, enterrando alguns corpos de vítimas desaparecidas, entende?

Tom ficou pensativo.

Volte Tom, Volte para casa! Entende?

Tom entrou rapidamente no carro. E viu o homem cantarolando.

Doador de Orgãos, ha ha ha, isso soa engraçado!

Pisou fundo.

O pneu queimou.

8 

-Chegamos – disse Tom.

-Até que enfim!

Estacionou o carro em uma vaga em frente a uma lanchonete decaída. A cidade estava deserta, havia lixo em todos os lugares, além dos comércios abandonados. Parecia que tinha passado um furacão e devastado toda a civilização.

-Cadê todo mundo? – Perguntou Joana.

-Isso é estranho, muito estranho. Glent Hill, é conhecida por seus habitantes, mas cadê eles?

Sem rodeios, entraram na lanchonete. Estavam famintos.

O Grande problema da terra não é a corupção humana ou a degradação social. É o cheiro.

Tom e Joana se acomodaram na mesa da lanchonete, uma espelunca a beira de uma cidade praticamente abanonada, com paredes enegrecidas pela poluição dos caminhões que algum dia ali ficaram, e janelas embaçadas com a gordura das frigideiras. O chão estava coberto de marcas de óleo, escorregava a cada passo. No ar o odor de urina que escapava intermitentemente do banheiro sem portas. Sobre o balcão, salgados eram expostos em uma estufa gelada, atraindo insetos ao banquete da tarde.

-Que fedor.

Joana levou as mãos a boca e ao nariz, impedindo-os de inalar aquele cheiro.

Atrás da bancada, uma velha senhora, com um gorro na cabeça, e um uniforme velho; apareceu. Olhou os visitantes, e deu um sorriso com aqueles dentes amarelados e podres.

-Pois não?

A velha tirou do bolso uma caderneta e um lapiz ponteagudo.

-Voceê tem… sanduiches? – perguntou Joana.

-É claro! – disse a velha, contende em ver algum cliente.

-Me dê dois, por favor.

A velha anotou, tudinho.

-Há! poderia queimar os bacons?

Cogitou Joana. E a velha respondeu.

-Tudo bem, aqui em Glent Hill todos queimam, do pó ao pò, das cinzas as cinzas – e a velha os deixou a mercê.

Tom e Joana se entreolharam assustados.

Que velha louca!

Quando o lanche chegou, temeram que alguma coisa haveria ali, algum bicho, inseto, ou até mesmo… deixá pra lá.

-Como é que voce consegue comer isso? – Perguntou Joana a Tom.

-A gente se acostuma – e Tom abocanhou o sanduiche.

Depois de fartos, seguiram mais uma hora e meia, até o antigo sítio da familia Collin. A estrada, estava abandonada, e o poeirão subia.

-Esse lugar é estanho…

– Falei pra gente não vir.

-Desculpe. Só achei que isso seria bom pra gente.

-Não quero desenterrar o meu passado.

Joana olhou para a paisagem, mas não se admirou que não fosse prazerosa.

O sítio ainda era o mesmo. E a mata.

Aquela mata.

Continuava lá. Assustadora e surreal.

Contudo, Tom e Joana subiram as escadas, embora ela estivesse velha e fizesse chiados estranhos. O cheiro de madeira ficava no ar. Os objetos deixados pela a mãe de Tom, Judite, continuavam lá, empacotados. Ninguém havia mexido em nada.

Quando entraram no quarto principal, colocaram as malas no chão, ambos foram a janela ver de cima o local.

-Por incrível que pareça esse lugar é lindo.

-Era muito mais lindo antigamente – disse Tom – A vegetação morreu.

-Acho que tudo vai dar certo. Vamos ficar aqui por um tempo, talvez esses pesadelos que você tem passem.

-Eu espero que sim.

E os dois se abraçaram.

Um policial perturbado; Uma cidade abandonada; Uma velha delirante.

Tom não conseguiu dormir.

“Clube do Medo”: Tom volta à Glent Hill, mas a Coisa o espera…

Clube do Medo

De fato, Tom Collin nunca pensou em como morreria, essa era uma parte da vida que ele não queria pensar…

“Tom chorou, em silêncio. E naquele súbito momento, viu um vulto na mata.”

Ele tem um trauma…

“Acha que estou ficando louco?”

E agora ele vai voltar as suas raízes….

“Corra atrás do prejuízo, se algo aí dentro estiver incomodando, se a sua antiga cidade Glen-sei-lá-do-que estiver, te prendendo a ela há muito tempo, vá lá novamente e tente se soltar, ou vai se sentir aprisionado a ela o resto da vida.”

Mas o perigo está esperando por ele!

Alguma coisa  na mata uivou. E o céu escureceu.

CLUBE DO MEDO

NESTE SÁBADO ÀS  22H30 NO CLUB

Clube do Medo | Sangue Fresco (Parte 1)

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GLENT HILL – 1980

Glent Hill era conhecida por sua população, a cidade era pequena, e a população em media de 380 habitantes. Construída ao sul da Alemanha, praticamente esquecida por Deus. Em 1980, a pacata cidade não era asfaltada – creio que nem existia esse termo na época. O local aonde Tom morava era um sítio, longe de tudo, perto de milharais, uma tremenda roça. Havia pântanos, e florestas escuras, a mãe de Collin sempre dizia aos filhos “Não vá aonde o sol não bate”, as vezes soava com uma lição de moral, mas Judite sabia que não. Tom Collin tinha uma irmã, Cameron, os dois sempre foram muito próximos, um ajudava o outro, um amor lindo entre ambos.

-Pegue a cola.

-Essa?

-Sim, agora passe-a no graveto.

-Passei.

-Ótimo, agora e só colar no papel de seda. E esperar secar.

-E depois…?

-Brincar!

Aquele era Tom Collin ensinando a irmã Cameron a montar uma pipa. Estava anoitecendo, o crepúsculo já ameaçara se pôr. Os lobos começavam a uivar sobre as montanhas alogadas.

-Tony, acho que já secou – Disse Cameron, como se não quisesse nada.

Tom olhou de rabo-de-olho, percebeu que a menina queria brincar.

-Também acho – e levantou do sofá – mas de mansinho, pois você sabe, Não vá aonde o sol não bate – Tom sussurrou, fazendo referencia a mãe.

 Não vá aonde o sol não bate!

E os dois saíram, começaram a andar silenciosamente, as sombras da noite começava a aparecer, e até que apareceu por fim.

-Acho que aqui já está bom, Cameron – Tom falou como se estivesse sussurrando. E estava.

Os dois desamarram a pipa. Tom pegou-a e levou longe de Cameron uns oito metros, e então pediu.

 -Corra, e levante vôo.

E ela fez, a pipa saiu das mãos de Tom, e começou a sobrevoar. Enquanto isso, atrás dele, alguma coisa grunhia.

-Parabéns! Esta mandando muito bem! – Elogiou Tom.

Tom! Aonde você está? venha cá preciso de sua ajuda!

Era a voz de Judite, a mãe de Tom e Cameron.

Tom rangeu os dentes.

-Vamos Cameron.

-Porque? – Perguntou a menina ainda correndo.

-A mãe me chamou.

-Chamou quem? – A menina pareceu não escutar, e então parou de correr.

-Chamou, eu – Tom respondeu.

-Chamou você, não eu!

Tom ficou pensativo, a menina estava certa.                

Não vá aonde o sol não bate!

-Vou ficar, depois eu entro!

Tom pensou novamente, seria uma boa ideia?

Não vá aonde o sol não bate! – Ele pensou.

-Tudo bem, mas não demora, se não estamos encrencados.

-Ta legal.

E Tom se aproximou de Cameron, beijou-lhe a testa da menina, e disse:

-Tome cuidado – e olhou nos olhos da garotinha.

-Eu tomo – Ela deu um sorriso – eu sempre tomo.

E Tom saiu, deu um aceno de mão para Cameron, que continuava a empinar a pipa.

Aquela foi a ultima vez em que Tom viu Cameron viva.

1

Alguma coisa grunhia na mata.

Alguma coisa que salivava ao ver Cameron, ali, sozinha brincando. O que fosse que estivesse desejando Cameron naquele momento, decidiu atacar. Coitada da garotinha, ela nem precisou pestanejar.

Ouve somente gritos abafados.

2

-Que barulho é esse? – Perguntou Judite assustada.

droga e droga, Cameron!

Judite viu da janela o corpo da filha estrebuchada no chão. Não aguentou, desmaiou.

Tom Collin, respirou fundo, não acreditava na cena que via. Correu para aonde estava a irmã. Seus olhos encheram de água. O garoto franziu o cenho, se ajoelhou, viu o pescoço da garotinha com uma mordida enorme, e arrancara boa parte.

Tom chorou, em silêncio. E naquele súbito momento, viu um vulto na mata. Levantou-se rapidamente, e disse:

-Venha! Mostre-se!

E alguma coisa lá na mata uivou. E o céu escureceu. 

3 

SOUTH CAROLINE – 2012

Tom Collin, despertou assustado.

Teve um pesadelo, aliás, o mesmo pesadelo que o atormenta desde que perdeu a irmã misteriosamente. Collin tinha mais de 38 anos de idade, e até hoje não entende o que houve em 1980 em Glent Hill. Mudou-se de lá uma semana depois, tentava enterrar os seus medos, se casou com uma brasileira chamada Joana Garneiro. São casados há mais de quinze anos. Nunca falou da sua vida que tinha em 1980, era um assunto em que ele tentava esquecer, bem, ele tentava, mas a imagem da irmã, toda ensanguentada, parecia insistir em atormenta-lo. A mãe Judite morreu de Cólera em 1999, desde então foi criado pela avó.

Collin, tentava levar a vida às custas, não era rico, e nem pobre, se esforçou nos estudos e é advogado. Joana insiste em ter um filho, mas ele sempre dizia, “não estou preparado, para desafios” – Tolice!

Pelo menos, quando ele estivesse na seca, teria uma boa desculpa para comer a própria mulher.

Escovou os dentes, beijou a mulher que ainda continuava deitada na cama, afinal ainda era 4h30 da madrugada. Desceu as escadas, aquela escada sempre lhe deu calafrios, inclusive aquele porão que fica ao lado da escada. Foi direto para a cozinha, se aproximou do rádio antigo da avó, e o ligou. Estava tocando fur elise.

Tom sentou-se na cadeira ao redor da mesa de platina. Apoiou a mão na cabeça, respirou fundo. Deu uma piscadela.

E então ele ouviu grunhido.

Aqueles terríveis grunhidos.

E ele olhou para trás, para os lados, para frente. E nada encontrou, quem grunhia? Levantou da cadeira, pegou uma faca de cozinha, deu alguns passos, estava chegando a sala de estar, e foi aí que sentiu algo gosmento e morno. Acendeu a luz.

E percebeu que tinha pisado em uma poça de sangue. Sua pupila dilatou, começava a soar frio, o sangue vinha da escada, e subiu até lá, e ainda o sangue escorria, e ficava com o tom mais avermelhado. Quando chegou ao quarto, o sangue escorria dos pulsos, e principalmente da enorme ferida que a sua esposa Joana tinha no pescoço. MEU DEUS! – Ele pensou. Mas foi ai que o seu medo quase o matou. Um vulto negro, um homem que estava vestindo uma capa com capuz apareceu atrás dele, a Coisa salivava sangue fresco. E Tom reagiu, percebeu que tinha a faca de cozinha mão e a meteu no baço no inimigo. Mas quem disse que adiantou? A coisa, retirou cuidadosamente o capuz e mostrou… mostrou aqueles terríveis dentes enormes, aqueles olhos avermelhados, e aquele terrível rosto ensanguentado.

A coisa grunhiu, e avançou em Tom.

Ele acordou. Só era um pesadelo.

Apenas um maldito pesadelo.

4

No mesmo dia mais tarde, Tom, Pensou:

Será que nem um cochilo eu posso dar? Sacanagem! Uma puta sacanagem!

-Querido, esse seu pesadelo daria uma boa estória para o Stephen King.

Ironizou Joana.

-Humm-mm, daria mesmo.

-Acho que você deveria ir a um psicólogo, não acha?

O tom de voz de Joana era doce, mas preocupante.

-Acha que estou ficando louco? – Perguntou Tom, olhando para Joana preocupado.

-Não, eu não acho.

-Porque tem tanta certeza?

Porque? Se você tem esses pesadelos há mais de vinte anos, porque ficaria louco agora?

Tom Collin, ficou á deriva.

-Tem razão, mas não vou a um psicólogo.

Joana largou as panquecas, e foi abraçar o marido.

-Deixa eu te contar uma história – ela se aproximou – o meu pai Davi, morreu muito cedo, você sabe. Mas ele sofria com algo, algo que se ele não desabafasse, não fosse a procura da verdade, isso o mataria mais rápido, muito. E foi ai que ele correu atrás daquilo que o perturbava, a minha mãe. A mulher que ele sempre amou, a mulher que ele abandonou – houve uma breve pausa e continuou – E ele correu atrás do prejuízo.

-O que quer dizer?

-Corra atrás do prejuízo, se algo aí dentro – apontou para o coração – estiver incomodando, se a sua antiga cidade Glen-sei-lá-do-que estiver, te prendendo a ela há muito tempo, vá lá novamente e tente se soltar, ou vai se sentir aprisionado a ela o resto da vida.

Joana e Tom se beijaram. Suavemente. E depois saborearam a panqueca.

Ou vai se sentir aprisionado a ela o resto da vida.

A noite foi longa, Tom não conseguiu dormir. 

5 

Todas as noites Cameron fazia questão de visitar Tom, tanto em sonhos, quanto em pesadelos terriveis e horrendos. Os pesadelos, sim, não se encaixaram na cabeça de Tom, Cameron, sua princezinha, porque teria pesadelos com a garota?

Glent Hill, poderia ser amaldiçoada, ou já estava amaldiçoada.

A frase que Joana disse a Tom na noite passada foi bem estudada, ficou em sua cabeça e não saia jamais, realmente a diretoria em seu cérebro estudava todos os declíneos, as consequências e causas que isso poderia ocorrer. Será que voltar para onde tudo aconteceu era uma boa ideia? Deveria Tom Collin voltar à pacata cidadezinha, e enfrentar a Coisa?

Deveria voltar?

E se foi um dia. O sol se pora, e o céu tomava tons carmersins, e um amarelo tornando-se laranja. Flashes viam na cabeça de Tom, o grito de Cameron, a Coisa que entrou no matagal e nunca mais foi vista, o corpo, aquele corpo de Cameron debruçado sobre a grama. Era muita coisa para se pensar, e tantas sem respostas.

Joana e Tom, os dois, juntos ao redor da mesa. Fatiando o enorme bife no prato. Joana o olhava de canto. Talvez esperasse alguma reação de Tom.

-Tudo bem, Tom?

A voz de Joana era monòtona, tranquila, mas apreensiva.

-Ok. Arrumaremos as malas, e … – ouve uma pausa – Zarparemos amanhã para Glent Hill.

E Tom largou o garfo com o bife espetado. Respirou fundo. Joana, deu um leve sorriso, e levou a carne a boca. E a engoliu.

Próximo sábado, no Clube do Medo…

Tom estacionou. E um homem enorme, e assustador saiu do carro. O enorme chapeu chamava a atenção a P220 pendurada na bainha também. O policial andava fazendo pose.

Grande coisa, ser policial.

-Boa Tarde…?

-Tom – hesitou – Collin. Tom Collin

-Sr Collin.

O homem enorme se apoiou no janela. A vos era grave e atormetadora.

-Identidade, por favor.

-Algum problema, Senhor Policial?

Clube do Medo estreia dia 19, confira sinopse:

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De fato, Tom Collin nunca pensou em como morreria, essa era uma parte da vida que ele não queria pensar, não porque tinha medo da morte, aliás da Coisa. Collin morava na cidadezinha chamada Glent Hill, e foi lá que ele presenciou o profundo e tenebroso medo, tinha apenas 12 anos de idade, não 22, e lutou pela primeira vez com a Coisa de Glent Hill, mas essa só era a primeira vez. Haveriam outras. Com certeza haveriam outras.

CLUBE DO MEDO (SANGUE FRESCO)

ESTREIA DIA 19 (SÁBADO) ÀS 22H30 NO CLUB

SANGUE FRESCO, BREVE NO CLUBE DO MEDO

Do autor de “Mulheres Opostas” Jhonnatan Carneiro

SANGUE FRESCO - CLUBE DO MEDO

SANGUE FRESCO – CLUBE DO MEDO

De fato, Tom Collin nunca pensou em como morreria, essa era uma parte da vida que ele não queria pensar, não porque tinha medo da morte, aliás da Coisa. Collin morava na cidadezinha chamada Glent Hill, e foi lá que ele presenciou o profundo e tenebroso medo, tinha apenas 12 anos de idade, não 22, e lutou pela primeira vez com a Coisa de Glent Hill, mas essa só era a primeira vez. Haveria outras.
Concerteza haveria outras.

CLUBE DO MEDO

BREVE, NO CLUBE